França

A construção do PSG

Antoine Kombouaré chegou ao Paris Saint-Germain e logo já deixou muito bem claro seu estilo de comandar. O treinador, substituto de Paul Le Guen, apresentou seu cartão de visitas ao elenco, que sentiu as grandes diferenças entre o atual treinador e o antecessor. Kombouaré, ao lado de Le Guen, nada tem de introvertido. A pose de ‘sargento’ prevaleceu com a resolução de alguns problemas, como o de Jérôme Rothen. Se o meia estava descontente e criticava a equipe com frequência, nada melhor do que ajudá-lo a fazer as malas e se despedir do clube sem delongas.

Contudo, este lado mais rigoroso de Kombouaré não deve ser confundido com autoritarismo. O treinador mostra-se firme em seu diálogo, na maneira de expor suas ideias, em sua metodologia de trabalho e nas cobranças aos jogadores. Nada que um profissional não deva fazer para cumprir suas obrigações da melhor maneira. Os próprios jogadores reconheceram isto e se alinharam ao discurso do técnico – bom, pelo menos por enquanto, na pré-temporada.

Aos poucos, Komboauré começa a dar sua cara ao novo time do PSG. Adepto do 4-4-2, o técnico dispõe de opções interessantes para fazer a equipe jogar como ele gosta. A começar pelo ataque, o técnico acena com uma possível dupla formada por Hoarau e o recém-contratado Erding. O atacante turco foi o destaque de um Sochaux muito pobre nas últimas temporadas. Para se destacar em uma equipe que flertou com o rebaixamento nos anos recentes e carregá-la nas costas, é porque alguma qualidade ele tem, no mínimo. Se essa for mesmo a tendência, Luyindula e Kezman começariam 2009/10 no banco.

Erding, contratado por € 8 milhões, desde já desponta como um parceiro complementar ao estilo de Hoarau. Com o artilheiro da equipe como pivô, o turco teria todas as oportunidades para aproveitar os toques de cabeça do companheiro para se esbaldar diante dos goleiros rivais. Isso sem contar o fato de que Erding tem potencial para se aprimorar, e a experiência de atuar tanto pela seleção turca como por um clube com maior visibilidade e cobrança contribuem decisivamente para sua evolução e amadurecimento.

Para o meio-campo, a briga promete ser intensa. A saída de Rothen abre uma vaga no setor pelo lado esquerdo. Giuly, utilizado no ataque por Le Guen na temporada passada, perdeu espaço na frente com a chegada de Erding. Com isso, o jeito seria recuá-lo para que atuasse pela direita. Aí mora o problema: esta posição já tem dono: Sessegnon, cujo desempenho na última Ligue 1 provou sua importância por ali. Cabe a Kombouaré remodelar as peças deste quebra-cabeça.

Giuly parece mesmo convicto a jogar pela direita, tanto que até colocou em sua cabeça suas novas orientações táticas. O jeito seria deslocar Sessegnon para a esquerda, sem saber se o jogador de Benin se adaptaria rapidamente a este novo posicionamento em campo. Outra saída seria contratar um meio-campista para o lado esquerdo, manter Sessegnon como titular e deixar Giuly como um coringa no banco de reservas. Não se deve esquecer que ele está com 33 anos e precisa provar que tem preparo físico suficiente para exercer suas novas funções.

Em 2008/09, Giuly viu seu futebol crescer quando deixou de atuar no meio-campo, com atuações medianas, para se associar a Hoarau no ataque, um dos pontos fortes do PSG na última Ligue 1. O retorno dele ao meio parece ser uma alternativa pouco recomendável, pois obrigaria Kombouaré a fazer mudanças demais sob o risco de ter um ganho quase nulo de qualidade na criação (ou até mesmo perder esta força). Desde já, o treinador tem uma missão complicada para resolver e talvez nem mesmo seu estilo de trabalho mais rigoroso seja capaz de encontrar uma solução adequada para a equipe.

Nada de órfão

Parecia que o Sochaux não se recuperaria em curto prazo à perda de seu principal jogador nas duas últimas temporadas. Afinal, Erding salvou o clube do rebaixamento nas edições mais recentes da Ligue 1 e foi o grande responsável pela saúde do ataque dos Leões. Na temporada 2008/09, o turco marcou pouco mais de 25% dos gols da equipe no campeonato. Além disso, ele foi o melhor “garçom” do time, com seis assistências. Era de se supor que o clube entraria em desespero com a ida do atacante para o Paris Saint-Germain.

Pelo menos durante o período de pré-temporada, o Sochaux não sente tanta falta assim de seu artilheiro. Primeiro clube francês a retomar as atividades, os Leões perderam seu primeiro amistoso – em 3 de julho, levaram de 3 a 1 do Grasshoppers, mas com uma equipe formada praticamente por jogadores do time B. Na sequência, vieram quatro jogos e, para surpresa até dos torcedores mais otimistas, a conquista de quatro vitórias. Um feito que enche o elenco de moral para o começo do campeonato e deixa uma impressão um pouco positiva para quem se acostumou a brigar para não cair.

Há de se relevar os adversários enfrentados pelo Sochaux neste período. A equipe bateu Zamalek-EGI (3 a 0), Dijon (3 a 0), Grenoble (2 a 1) e Tatran Brasov-ROM (2 a 0). Contra o time romeno, aliás, o treinador Fracis Gillot teve a oportunidade de escalar a defesa que considera titular. Uma das principais dores de cabeça na temporada passada, o setor ganhou os reforços de Stevanovic (vindo do Partizan-SER) e Bréchet (PSV). Os dois se juntaram a Faty e Mikari e ganharam elogios do técnico.

Na frente, as saudades de Erding foram em parte preenchidas por Vaclav Sverkos. Contratado na segunda metade da temporada, ele marcou oito gols e se candidata desde já a substituir o turco na condição de artilheiro. Há ainda a aposta em Charlie Davies, da seleção norte-americana. Só que a principal esperança do clube recai sobre um jovem de apenas 19 anos.

Edouard Butin chamou a atenção ao marcar um dos gols da vitória sobre o Zamalek; porém, poderiam dizer que era sorte de principiante. Só que ele voltou a brilhar no triunfo sobre o Tatran Brasov ao marcar os dois gols da vitória sobre a equipe romena. E com um detalhe: ele entrou em campo quando faltavam apenas trinta minutos para o fim da partida. O Sochaux espera que sua nova promessa não se revele um fiasco quando disputar um confronto realmente para valer.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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