França

A chave do sucesso

Enquanto o Lyon patina na liderança da Ligue 1, o Paris Saint-Germain aproveita os deslizes do rival para se aproximar da briga pela ponta da tabela. Com a vitória por 2 a 1 fora de casa sobre o Auxerre, a equipe da capital se colocou ao lado de Olympique de Marselha e Bordeaux, todos a apenas três pontos do OL. A arrancada da equipe nas últimas rodadas se deve graças a um personagem especial: o meia Stéphane Sessegnon, destaque do triunfo por 2 a 1 sobre o AJA.

Em suas seis últimas partidas no campeonato, o PSG obteve cinco vitórias e sofreu apenas uma derrota. Apenas para comparação, em quatro jogos o Lyon somou apenas dois (!) pontos. O Paris Saint-Germain, inconstante no começo da temporada, vive um momento positivo sobretudo pela ótima forma do beninense. Sessegnon já demonstrara seu valor no Le Mans, onde se destacou por suas características ofensivas.

Um dos pilares de uma equipe com estilo de jogo voltado para o ataque, Sessegnon custou € 8 milhões aos cofres do PSG. Embora seu nome não tivesse o mesmo peso de Giuly e Makélélé, grandes contratações feitas pelo clube para esta temporada, ele se mostra até agora bem mais produtivo. Até aqui, Sessegnon se tornou o principal “garçom” do time, com quatro assistências para seus companheiros. Isso sem contar quando não balança as redes, algo meio raro em 2008/09.

No duelo contra o Auxerre no Abbé-Deschamps, o africano deixou o PSG em siituação confortável em 21 minutos de jogo. Sessegnon marcou dois gols – o segundo, em uma bela arrancada na qual deixou três adversários para trás antes de superar o goleiro Riou. Além disso, esteve presente em todos os lances de perigo criados pelos visitantes, sendo uma constante ameaça para a defesa do AJA. Mesmo quando não marca, o africano tem feito a diferença com sua velocidade, força e visão de jogo apurados.

Um dos principais problemas vividos pelo Paris Saint-Germain na temporada passada foi seu desequilíbrio em campo, com uma tendência natural de pender seu jogo pela esquerda. Agora, Sessegnon tratou de corrigir esta deficiência, fazendo até os parisienses se esquecerem um pouco de Rôthen, tido como uma eterna promessa e esperança quase nem sempre correspondida de fazer a diferença. Hoarau e Luyindula agradecem, pois tiveram sua vida facilitada na frente.

Antes de viver seu melhor momento desde sua chegada ao Parc des Princes, o beninense precisou superar um problema disciplinar grave. Em novembro, Sessegnon foi flagrado dirigindo bêbado e com uma carteira de motorista de seu país, inválida na França. O episódio negativo poderia lhe render uma punição grave, mas o PSG preferiu confiar na recuperação de seu jogador. Óbvio, houve uma multa, mas nada de mais rigoroso como seria de esperar (como uma suspensão).

O incidente serviu para Sessegnon refletir e seguir pelo caminho correto. O meia-atacante agora retribui a confiança depositada nele pelo clube, com atuações de qualidade. Em franca evolução, ele terá todas as chances de fazer o Paris Saint-Germain sonhar com uma posição digna na tabela da Ligue 1, ao contrário das decepções vividas em edições recentes do campeonato.

Na LC, o óbvio

Lyon nas oitavas-de-final, Olympique de Marselha e Bordeaux garantidos na Copa Uefa. O balanço da fase de grupos da Liga dos Campeões para os clubes franceses não vai além das expectativas iniciais, embora os girondinos tenham pelo menos algo a lamentar. Mesmo assim, os três deixaram uma impressão apagada, principalmente pelos resultados da última e decisiva rodada.

O Olympique de Marselha empatou por 0 a 0 com o Atlético de Madrid no Vélodrome, com os Colchoneros na briga pela liderança da chave. A partida resume um pouco como foi a participação do OM nesta LC. Os donos da casa tiveram o amplo domínio sobre o rival, criaram várias chances de gol, mas não fizeram o essencial: ter um mínimo de precisão na hora de finalizar.

No total, o Olympique finalizou 22 vezes na direção da meta do Atlético. Destes chutes, apenas seis foram em direção ao gol. O time espanhol arriscou apenas uma única vez. Quanto aos escanteios, outro massacre: os marselheses tiveram doze tiros de canto a seu favor, contra nenhum dos visitantes. Estes números fazem a torcida sentir falta de Niang, machucado. Embora o senegalês não seja um primor como definidor, pelo menos aumentariam as chances de se acertar o gol, pelo menos.

O técnico Eric Gerets optou em escalar Samassa como titular, mas ele logo se contundiu e cedeu seu lugar a Valbuena. Nenhum deles teve uma atuação especial, e todas as atenções se voltaram mais uma vez para Ben Arfa. O ex-lionês mantém-se como o único com um grau aceitável de regularidade na equipe. Esta inconstância dos seus demais companheiros fez o OM ter uma campanha aquém do esperado na LC. Não dava para sonhar tanto com a classificação, mas classificar-se para a Copa Uefa com míseros quatro pontos dá margem para sérias contestações.

O Bordeaux demorou para acordar no torneio. Logo no jogo decisivo, quando deveria mostrar suas garras diante da Roma, o time se acuou. Os Marine et Blanc foram praticamente inofensivos no estádio Olímpico, respeitosos demais com seu adversário. Os girondinos adotaram uma postura bastante passiva diante de rivais de maior prestígio, quase como assumindo seu complexo de inferioridade. O CFR Cluj teve bem mais coragem, embora tenha terminado na lanterna da chave. Ao menos o time romeno vendeu caro suas derrotas.

Contra os favoritos às vagas, o Bordeaux somou apenas um ponto diante de Chelsea e Roma. Até quando a sorte sorriu para os girondinos, quando o CFR Cluj tirou pontos preciosos de ambos e caiu duas vezes diante do time francês, a chance foi desperdiçada com um incrível desdém. Os Marine et Blanc usaram esta edição da LC como aprendizado para participações futuras, mas a possibilidade real de se classificar para os mata-matas jamais deve ser jogada fora. Pensar pequeno também demonstra a falta de maturidade da equipe, que se contenta com pouca coisa quando tinha condições de ir mais longe.

Enquanto isso, com apenas o Lyon garantido nas oitavas, a França vê seu coeficiente Uefa minguar. Com o crescimento de equipes da Rússia e da Romênia, que tem ido longe pelo menos na Copa Uefa, aumenta o temor de o país perder uma vaga para a Liga dos Campeões. Passou da hora dos times franceses deixarem de considerar o OL como seu único representante na competição e também partir para a briga.

Por falar nos lioneses, não dá para acreditar em vida longa do time na LC. O desempenho defensivo exibido diante do Bayern de Munique beirou o ridículo. Mesmo se Cris, suspenso, estivesse presente no miolo da zaga, o estrago causado seria bem parecido. Gassama, na lateral-direita, convidou Ribéry para explorar o setor como bem entendesse. O posicionamento em jogadas pelo alto também foi risível, mas Klose nem reclamou. E com Mounier no lugar de Juninho… Bom, melhor parar por aqui.

O segundo lugar na chave deixa o OL em situação complicadíssima. Pela frente, haverá Barcelona, Manchester United, Liverpool, Juventus, Roma, Porto e Panathinaikos. À exceção dos gregos (que compensam a fragilidade com uma enorme pressão em casa para o duelo de volta), todos os demais causam grande pavor. Destes, o Lyon ainda não enfrentou os Reds, o Pana nem os bianconeri. No histórico dos confrontos contra os quatro restantes, um panorama desanimador: nove derrotas e cinco empates.

Desde 2003/04, quando se adotou a classificação para as oitavas da LC via fase de grupos, apenas 32,5% das equipes que terminaram em segundo lugar em suas chaves passaram para as quartas. Dada a atual fase do Lyon, na qual vive um período repleto de inconstâncias, tudo indica que a aventura lionesa na competição mais uma vez terminará encalhada na praia.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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