França

50 anos de Papin, um cara menos famoso do que deveria

Jean-Pierre Papin é um nome conhecido entre os torcedores brasileiros. No entanto, muito longe de ser festejado. O atacante é lembrado como craque do Olympique de Marseille tetracampeão francês, por não ter vingado no Milan quando os rossoneri pagaram caro por sua contratação e pelos fracassos com a seleção francesa nas Eliminatórias da Copa. Um histórico que fica aquém do que o francês realmente representou no futebol.

Papin chega aos 50 anos podendo se orgulhar de ter sido um dos maiores atacantes da história da França, bem como do futebol mundial no início da década de 1990. Pelo Marseille, foi três vezes artilheiro da Copa dos Campeões, um número só superado por Lionel Messi e Gerd Müller; artilheiro da Ligue 1 por cinco temporadas consecutivas, algo que nenhum outro jogador conseguiu nas cinco grandes ligas europeias; e quatro vezes campeão francês entre 1988/89 e 1991/92, na maior sequência de títulos no país até o heptacampeonato do Lyon.

Individualmente, sua maior glória aconteceu em 1991, quando Papin liderou o Marseille rumo à decisão da Copa dos Campeões e acabou reconhecido com a Bola de Ouro – com mais que o triplo de pontos de Lothar Matthäus, Dejan Savicevic e Darko Pancev, igualados na segunda colocação. Um sucesso que o levou ao Milan por US$ 10 milhões, transferência mais cara da história na época. Chegava como o então melhor atacante do mundo, cotado para dividir as responsabilidades com Marco van Basten, que começava a ser perseguido pelas lesões.

A chegada de Papin a um dos melhores times da história, todavia, foi justamente o motivo de sua derrocada. O francês até marcou seus gols em Milão, mas nunca compensou a fortuna paga por seu futebol. Foi bicampeão da Serie A e conquistou a Liga dos Campeões em 1994 como coadjuvante, com problemas para superar a concorrência Daniele Massaro e do próprio Van Basten. Depois disso, Papin ainda ganhou nova chance no Bayern de Munique, onde foi realmente um fiasco, mesmo levantando a Copa da Uefa em 1996.

Somado a isso, também há a falta de relevância da seleção francesa no início da década de 1990. Papin era o destaque do time, mas pouco ajudou a evitar a queda nas Eliminatórias da Copa de 1990 e 1994. Depois de ir ao Mundial de 1986 como uma promessa, o atacante só fez dois gols na caminhada rumo à Itália, enquanto foi testemunha ocular da fatídica derrota para a Bulgária que cancelou a viagem aos Estados Unidos. Em um tempo no qual a Liga dos Campeões não tinha tanta visibilidade, estar na Copa contava muito.

No centenário da Fifa, Papin foi lembrado como um dos 125 melhores jogadores da história. Seus gols e os lances de efeito (seu tradicional voleio se consagrou como a ‘papinada’) pesaram bastante para isso, assim como a fase gloriosa com o Olympique de Marseille. Ainda assim, os fracassos são mais notáveis. Por isso mesmo, a impressão de que foi menor do que uma análise mais profunda de sua carreira indique.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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