França

[Vídeo] 15 minutos para você não querer piscar os olhos diante da arte sacra de Zidane

Zinedine Zidane tinha uma elegância raríssima para o futebol. E, considerando as transformações do esporte, é difícil imaginar que outro jogador no futuro a tenha da mesma maneira. Cabeça erguida, peito estufado, passadas largas. Zizou era um lorde vestindo calções, ao invés do fraque. Um cavalheiro extremamente gentil no trato com a bola. Ela costumava dormir mansa em seus pés, acariciada pelos gestos cheios de classe. Pouquíssimos craques fizeram tão justificável o apelido de “artista” quanto o camisa 10. Ele transformava o futebol, este amor pagão que arrebata tantos corações, em arte sacra. Quando os movimentos bailarinísticos de suas pernas rabiscavam na tela uma pintura impressionante, o barulho das redes balançando e da torcida gritando soava como música clássica. Filme diante dos olhos. Sofisticação em meio à festa popular, acessível a qualquer um.

VEJA TAMBÉM: Glasgow, 15 de maio de 2002: quando o pé esquerdo de Zidane sublimou o futebol

Zidane, por si, era um paradoxo em pessoa. Como jogar com tamanha calma e, ao mesmo tempo, deixar os marcadores enlouquecidos? Como ludibriar com tamanha maestria aqueles que vinham furiosos contra os seus pés? Como fazer a partida correr, mesmo flutuando daquela forma sobre o gramado? A resposta é relativamente simples: Zizou sempre foi o mais rápido em campo. Mas não no sentido comum do conceito, e sim pela velocidade de seu pensamento. O gênio antevia as jogadas. Sempre estava frações de segundo à frente de seus adversários. E precisava das mesmas frações para entender o que queriam seus companheiros. Tudo isso unido a uma qualidade técnica soberba, completo em todos os fundamentos, de quem controlava o espaço e o tempo de cada célula de seu corpo para fazer a bola obedecê-lo. Assim, todos os outros jogadores também o obedeciam.

E, além de tudo, havia um fenômeno especial que sempre ocorria com Zidane. O craque se transformava em um monstro ainda maior nos grandes momentos – as finais, os jogos pela seleção, a Copa do Mundo. O gosto da adrenalina parecia apetecer o camisa 10, frio o suficiente para chamar a responsabilidade e ser, mais do que fabuloso, também decisivo. Não à toa, os seus muitos ápices vieram justamente em partidas inesquecíveis. Marcadas para sempre pela categoria de Zizou.

Nesta sexta, a lenda completa 45 anos. E nada melhor que lembrar os seus grandes lances em campo. Não necessariamente os maiores, e sim os mais belos – por mais que as duas coisas se unam várias vezes. Entre os muitos vídeos disponíveis sobre a arte do francês, difícil encontrar algum mais impressionante do que este. Para ficar boquiaberto durante quase 15 minutos.

MAIS ZIDANE NA TRIVELA

– O sacrifício em vão do gênio: O solo de Zidane na eliminação da França na Copa de 2002
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– Há 20 anos, o início do mito: Zidane estreava pela França com atuação espetacular
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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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