1,2,3, Monaco freguês

Era um confronto direto entre duas equipes na disputa por uma vaga na Liga dos Campeões. Como nas quatro últimas temporadas, o freguês mais uma vez teve razão. Mesmo jogando no principado, o Monaco não resistiu ao Olympique de Marselha e perdeu o dérbi para o rival. No estádio Louis II, o OM se sente cada vez mais à vontade, como se não se importasse mais em chegar na casa do vizinho do Mediterrâneo, abrisse a geladeira e ainda reclamasse que a cerveja não está gelada o suficiente.
Como na partida do primeiro turno no Vélodrome, Ruffier logo se transformou na salvação do Monaco. O goleiro do ASM evitou gols de Niang e Valbuena, mas não teve como segurar o pênalti cobrado pelo senegalês e que deu a vantagem aos visitantes aos 37 minutos. Aliás, por falar em penalidade, os monegascos até agora reclamam de um sanduíche feito por M’Bia e Diawara sobre o “recheio” Maazou. Como o árbitro nada marcou, o clima de tensão continuou no ar. No primeiro tempo, foram distribuídos quatro cartões amarelos.
Durante boa parte dos 45 minutos iniciais, o Monaco sofreu a pressão do Olympique. Pouco após o gol de Niang, o ASM igualou com Maazou. Era a fagulha que faltava para os anfitriões enfim entrarem na partida. No começo do segundo tempo, o Monaco mudou sua postura em campo e partiu para cima do adversário. O que se viu a partir daí foi um jogo aberto, com os goleiros das duas equipes com trabalho extra.
Didier Deschamps deu seu toque de Midas no Olympique de Marselha ao promover a entrada de Koné no lugar de Ben Arfa perto dos 15 minutos de jogo. O OM voltou a ter peso em seu ataque e se tornou mais perigoso ofensivamente. E quando o empate parecia definitivo, N’koulou desviou de cabeça contra suas próprias redes para definir a vitória marselhesa.
A dimensão deste triunfo pode ser medida pela reação de Deschamps ao final do duelo. Geralmente comedido e até sério demais, o treinador do Olympique extravasou com gestos raros de alegria. Deve-se lembrar que o Monaco havia protagonizado um grande feito havia poucos dias: ao vencer o Bordeaux por 2 a 0, o time do principado eliminou o melhor time do país da Copa da França em pleno Chaban-Delmas.
Apesar da arbitragem questionável (sobretudo no lance do pênalti de Mongongu em Niang), o Olympique foi recompensado por não se acovardar na casa do rival. Além de se manter com chances de brigar pelo título, o OM ganha forças em seu principal objetivo nesta temporada: classificar-se para a próxima LC. Com o futebol apresentado no Louis II, os marselheses certamente podem sonhar em cumprir esta meta.
Por outro lado, Ben Arfa segue sem convencer. Após uma partida muito boa contra o Valenciennes, ele teve uma participação bastante discreta contra o Monaco. Substituído na segunda etapa, o jogador viu a equipe melhorar com sua saída. Sem conseguir manter o mesmo nível de boas atuações, Ben Arfa ainda deixa um ponto de interrogação na cabeça da torcida e dos dirigentes. Não teria sido melhor negociá-lo na janela de janeiro? Ou ainda há esperanças de que ele realmente se consolide como o Messias da equipe? Até agora, o arrependimento da primeira opção parece ser mais forte.
Recuperação
O Bordeaux levantou algumas dúvidas ao sofrer duas derrotas seguidas. A máquina girondina havia emperrado logo agora, quando deveria administrar sua folgada vantagem na liderança da Ligue 1 e com as oitavas da Liga dos Campeões logo pela frente? As questões ficaram para trás com a vitória por 3 a 1 sobre o Saint-Etienne. Tudo bem, os Verdes não são propriamente a melhor equipe do universo, mas o bom resultado serve para devolver a confiança ao elenco e espantar o temor de uma possível recaída em um momento de tantas decisões pela frente.
A volta às vitórias do Bordeaux se deve muito ao bom aproveitamento dos lances de bola parada. Wendel foi o responsável pelas cobranças de falta que deixaram os Marine et Blanc em vantagem antes da meia hora de jogo. Primeiro, o brasileiro colocou a bola na cabeça de Chamakh para a finalização certeira. Depois, ele bateu de forma direta sem qualquer chance de defesa para Janot.
Com os dois gols obtidos, o Bordeaux relaxou e deixou para trás a pressão sobre seus ombros. Gourcuff teve duas oportunidades para ampliar o placar, mas as desperdiçou. O domínio dos anfitriões era amplo, mas Sako deu o alerta aos girondinos de que o Saint-Etienne não estava morto ao diminuir em uma cobrança de falta. O gol, que saiu pouco antes do apito para o intervalo, afetou os nervos do Bordeaux no início da segunda etapa.
Os donos da casa pareciam inseguros diante de um rival que cresceu em campo. Carrasso foi obrigado a trabalhar pesado; a situação piorou de vez com o pênalti cometido por Chamakh ao tocar a mão na bola. Para sorte do Bordeaux, Bergessio isolou. Este erro foi outro ponto-chave da partida. O Saint-Etienne murchou completamente, como se suas forças tivessem ido embora junto com a bola chutada para fora. Já os Marine et Blanc acordaram e fizeram valer seu talento coletivo para definir o resultado.
Em uma jogada bem trabalhada, Wendel apareceu para marcar o terceiro e dar a tranquilidade necessária ao Bordeaux para administrar o jogo até o fim. O brasileiro, que teve atuações pouco inspiradas nas últimas partidas, brilhou não apenas pelos dois gols feitos e pela assistência em outro. O meia ajudou bastante Trémoulinas e Gourcuff na tarefa de armar a equipe e precisava de uma atuação destacada para recuperar a confiança.
Laurent Blanc também teve papel fundamental para o sucesso dos girondinos. O treinador tomou uma atitude depois de ver o time tomar seis gols em apenas dois jogos. Para devolver a solidez ao setor, ele montou a equipe num 4-2-3-1, nos moldes do esquema utilizado nas partidas da Liga dos Campeões. Sem contar com Diarra, Blanc optou por escalar Sane como titular na frente da defesa. No entanto, esta formação teve algumas falhas, principalmente no segundo tempo.


