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O City esbarrou numa muralha humana e o Wolverhampton, milagroso, derrubou os invictos

O Wolverhampton fez uma partida impecável na defesa para segurar o Manchester City e infernizou nos contra-ataques liderados por Pedro Neto, com uma imensa vitória por 2 a 1 no Molineux

O Manchester City começou a temporada dando a impressão de que batê-lo seria uma missão praticamente impossível. Mesmo com desfalques, o time de Pep Guardiola sempre parecia encontrar soluções para buscar as vitórias. Não à toa, ganhou seus seis primeiros jogos pela Premier League. Adversário neste sábado, o Wolverhampton passava longe de ser bem cotado para quebrar a invencibilidade dos Citizens. Os Lobos vêm numa crise recente e com um parco mercado de transferências, mas com seu valor pela maneira como venderam caro as derrotas para Manchester United e Liverpool. Pois o milagre aconteceu no Estádio Molineux: os Lobos ganharam do City, num 2 a 1 garantido por ótimos contragolpes e um paredão intransponível na defesa.

A vitória do Wolverhampton entra muito na conta do desempenho atrás. O nível de concentração e de intensidade do time de Gary O'Neil impressionou. Foi uma atuação praticamente perfeita dos Lobos, que mal concederam finalizações claras e só tomaram seu gol numa bola parada. O veterano Craig Dawson não deixou Erling Braut Haaland respirar e salvou até bola em cima da linha. Todavia, há também méritos ofensivos pela eficiência dos contragolpes. Os dois gols vieram em momentos importantíssimos, sobretudo o segundo, para esfriar a reação dos adversários. Pedro Neto vive um momento empolgante. Já o Manchester City teve seus problemas, é claro. Foi frágil na defesa e inoperante no ataque. Sobrou burocracia, faltou entendimento. A ausência do suspenso Rodri fez muita falta e mostrou como os celestes dependem de seu melhor jogador neste início de temporada.

O contra-ataque imparável de Pedro Neto

O nome que mais chamava atenção na equipe titular do Manchester City era Matheus Nunes, ao lado de Mateo Kovacic na cabeça de área. O luso-brasileiro se reencontrava com a torcida do Wolverhampton no Estádio Molineux, mas não seria bem recebido. Apesar da boa passagem pelo clube, o meio-campista gerou incômodo pela maneira como forçou sua saída rumo aos Citizens na última janela de transferências. Por conta disso, a cada bola que Matheus tocava, sonoras vaias se ouviam nas arquibancadas.

O Manchester City fazia aquilo que se esperava durante os minutos iniciais, com a presença massiva de seus jogadores no campo de ataque e troca de passes contra um recuado Wolverhampton. O problema para os celestes era destrancar o compacto time dos Lobos. Jérémy Doku apareceu nos primeiros minutos, quase sempre bloqueado em suas tentativas. Craig Dawson também seria essencial para barrar Erling Braut Haaland. E os Wolves precisaram de uma só escapada para abrir o placar. Pedro Neto foi brilhante aos 13 minutos, ao arrancar por todo o campo de ataque e não deixar ninguém pegá-lo. Cruzou para o meio do pagode e Ruben Dias desviou contra as próprias redes. O City precisava buscar a virada.

Diante do cenário desenhado, o Manchester City continuou com dificuldades para superar a barreira humana formada pelo Wolverhampton. Doku teve uma batida para fora aos 21, mas era pouco do time. Os celestes tentavam forçar principalmente as bolas cruzadas e Nathan Aké parou em José Sá, só que os espaços eram bem escassos. Ao menos, os Lobos não conseguiam criar contragolpes tão perigosos. Os melhores lances eram quase sempre com Pedro Neto, que infernizava sobretudo Aké. Mas, diante da incapacidade do City, os Wolves incomodavam mais em seus raros avanços. Hwang Hee-chan seria travado no momento certo durante os acréscimos, mas também se safou de ser expulso por uma entrada dura depois. No último lance da etapa inicial, Ruben Dias poderia ter descontado numa cabeçada, mas José Sá encaixou.

O gol que barrou a reação

Matheus Nunes nem voltou para o segundo tempo, substituído por Oscar Bobb. O Manchester City continuava com dificuldades claras para quebrar as linhas do Wolverhampton. Haaland fazia uma partida praticamente nula, quase sempre abafado. Quando teve uma brecha um pouco maior, José Sá barrou o atacante. Quem tentava oferecer algo diferente era Julián Alvarez. O argentino passou a tentar chutes de média distância. Numa dessas, ganhou uma falta frontal aos 12 minutos. Bateu com imensa maestria, na gaveta de José Sá. O empate dava mais vigor aos Citizens, que arregaçavam as mangas pela virada. Ela pareceu possível na sequência, mas Dawson salvou espetacularmente em cima da linha uma bola de Phil Foden. Até que o banho de água fria ocorresse.

O Wolverhampton mantinha seu padrão no segundo tempo. Não atacava muito, mas incomodava demais a cada avanço. Pedro Neto continuava um pesadelo para os marcadores. E, na primeira brecha, os Lobos retomaram a vantagem aos 21. Nelson Semedo avançou pela direita e Hwang seria travado por Ruben Dias na batida. Na sobra, Matheus Cunha foi muito bem para ajeitar e deixou a meta escancarada para o próprio Hwang fuzilar. O gol do sul-coreano retomava a tranquilidade dos Wolves, enquanto significava que os celestes teriam que escalar a montanha novamente.

O Manchester City estava tenso e sem ideias. Não conseguia construir qualquer tipo de trama ou achar um passe preciso para surpreender a defesa do Wolverhampton. Haaland podia não participar muito, mas a criação do time de Pep Guardiola era ruim. Nem mesmo a entrada de Jack Grealish, somente aos 35, auxiliou. José Sá não precisava fazer defesas muito difíceis, com a inoperância dos celestes. Haveria uma sobrevida com seis minutos de acréscimos. Porém, o máximo que os campeões ofereceram foi um chute prensado para fora.

O Wolverhampton dá um salto na tabela com o resultado. Consegue se afastar da zona de rebaixamento, com sete pontos, agora no 13° lugar. É um triunfo valiosíssimo, que pouquíssimos times da rabeira conseguirão. Já o Manchester City vê sua liderança ameaçada para a sequência da rodada, com 18 pontos mantidos, mas um tropeço que definitivamente não estava nas previsões.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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