Europa

Torcedores do Bayern, que resistiu ao nazismo no passado, se juntam aos do Rayo no caso Zozulya

O Bayern de Munique se classificou para as quartas de final da Copa da Alemanha nesta terça depois de ter batido o Wolfsburg por 1 a 0, com gol de Douglas Costa e grandes defesas elaboradas por Manuel Neuer, que impediu uma possível prorrogação ou até mesmo que os Lobos avançassem para a próxima fase. É claro que por se tratar dos bávaros e de futebol alemão, destacar a participação calorosa dos torcedores não se faz tão necessário assim, já que isso é comum e em todos os jogos os fanáticos protagonizam espetáculos nas arquibancadas. É preciso sublinhar, no entanto, uma cena que tomou conta da torcida do Bayern. Faixas em solidariedade aos torcedores do Rayo Vallecano, contrários à contratação do atacante Roman Zozulya, acusado de ser neonazista, foram estendidas pela torcida de um clube que sofreu muito no passado com perseguições por conta do movimento nazista da Alemanha.

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“Jogue esses nazistas para fora do futebol!”, “Zozulya, vá embora agora!”, diziam as duas faixas de apoio expostas pelos bávaros na Allianz Arena na última terça-feira, com os dizeres escritos em inglês e espanhol, respectivamente. E foi por empatia que os protestos contra o jogador ucraniano transcenderam os limites de Madri, as fronteiras da Espanha e chegaram na Alemanha. Foi baseado no histórico do clube de Munique, em episódios emblemáticos de resistência ao nazismo por parte do Bayern e em suas raízes judaicas. A ideia de dar força aos rayista, porém, não durou muito tempo visualmente falando, já que logo ambas as faixas foram retiradas do estádio. Mas isso não impediu que elas fossem capturadas por câmeras e vistas por muita gente, e, inclusive, fizessem com que o cônsul-geral da Ucrânia em Munique, Vadim Kostiuk, exigisse que os bávaros se desculpassem publicamente quanto à manifestação.

“As faixas representam uma enorme falta de respeito e são feitas de acusações sem fundamento. É particularmente surpreendente que se façam esse tipo de coisa aqui na Baviera, tendo em vista os feitos históricos que conectam a região com o nascimento e o desenvolvimento do regime nazista, um dos mais atrozes do mundo”, falou o embaixador em comunicado, repudiando o ato. O problema na infeliz associação feita pelo cônsul ucraniano é que além do Bayern ter desafiado o regime de Adolf Hitler e não ter compactuado com o nazismo, os torcedores que prestaram solidariedade aos fãs do Rayo Vallecano são de uma ala que tem um compromisso político que declaradamente luta contra o racismo e as injustiças sociais. Ou seja, o fato do nazismo ter eclodido na cidade bávara nada tem a ver com o passado da agremiação e parte da sua torcida.

Na Espanha, o caso Zozulya também está dando muito pano para manga ainda. O presidente de La Liga, Javier Tebas, anunciou nesta quarta-feira que irá processar os torcedores do Rayo que insultaram o jogador e o acusaram de ser neonazista. “Esse assunto acaba sujando a imagem da Liga Espanhola e do país. Nós iremos reconhecer os responsáveis pelos insultos e apresentar uma queixa contra eles”, disse o dirigente. Apesar do atacante ter reconhecido que colaborou com o exército da Ucrânia para defender seu país, ele garantiu que não apoia diretamente, tampouco está ligado a qualquer movimento que presta apoio a um grupo paramilitar ou neonazista, muito embora existam indícios. E, enquanto essa situação não tem um desfecho, seu futuro no futebol permanece incerto. Mas é mais do que improvável que seu destino, no fim, seja o Rayo.

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