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Seleção norueguesa encontrou na ironia uma resposta brilhante contra estereótipos machistas

Há diversas maneiras de se responder a falas, atitudes e comportamentos preconceituosos, e cabe às vítimas desses ataques escolherem qual sua postura. Algumas, no entanto, têm efeito maior que outras, e tirar sarro do opressor, desconstruindo o seu discurso, por exemplo, é dos métodos mais criativos e reveladores da fragilidade de “argumentos” dos grupos agressores. Foi justamente esse o caminho escolhido pela seleção feminina norueguesa para rebater os estereótipos machistas no futebol.

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O recurso das norueguesas para tirar sarro do machismo em torno do futebol feminino foi a produção de um “mocumentário” (em inglês, mockumentary, produção que mostra uma narrativa fictícia, mas é apresentada como documentário) com as próprias atletas da seleção “admitindo como são ruins”.

“As jogadores de futebol na Noruega sempre tiveram que lutar contra o preconceito. Elas contra-atacaram por anos, mas agora finalmente admitem que é tudo verdade”, diz a narração no início do vídeo. Na sequência, Trine Ronning, capitã da equipe, aparece falando: “Somos uma merda. Somos muito ruins, simples assim”.

A ironização das frases tipicamente machistas que ouvimos a cada vez que um torneio feminino está em exposição seguem com a atacante Emilie Haavi, que “reconhece” como não faz ideia do que fazer com a bola: “Costumo pegar a bola com as mãos. De repente me esqueço e ‘droga, mão na bola’”. “Meu recorde pessoal é 25 embaixadinhas. Com uma bexiga”, completa Cathrine Dekkerhus.

O falso documentário vai além, revelando os planos propostos pelas norueguesas à Fifa, sugerindo campos menores, bolas mais leves, arremessos com as mãos em vez de cobranças de faltas e acessórios para auxiliarem as goleiras a defender.

O vídeo, evidentemente, está em norueguês, e infelizmente só disponibilizaram legendas em inglês. Com um conhecimento médio da língua, dá para entender, ou você pode se arriscar com o tradutor oferecido pelo YouTube. De qualquer forma, a resposta brilhante das atletas merecia repercussão, em qualquer idioma que seja.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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