Europa

A revanche entre PAOK e AEK na final da Copa da Grécia foi mesmo o duelo explosivo que se previa

O duelo entre AEK e PAOK neste sábado, no Estádio Olímpico de Atenas, valia muito mais que o troféu da Copa da Grécia. Os clubes que nasceram irmanados em meio à diáspora da Guerra Greco-Turca, nos últimos meses, se tornaram verdadeiros inimigos mortais. O confronto direto pela liderança no segundo turno do Campeonato Grego foi o estopim, quando o PAOK teve um gol anulado que lhe daria a vitória e o presidente do clube resolveu entrar em campo armado. Os tribunais deram a vitória e, assim, o título da liga ao AEK. No entanto, os tessalonicenses teriam a chance de revanche em campo. E se dizem que a vingança é um prato que se come frio, os alvinegros a tornaram realidade no calor de uma noite explosiva, com a vitória por 2 a 0.

Como era de se esperar, as tensões se desdobraram muito além do Estádio Olímpico. E as ruas de Atenas se transformaram em um palco de guerra envolvendo torcedores e também policiais. Na atrocidade mais noticiada, uma van transportando seguidores do PAOK, depois de esvaziada, foi incendiada com coquetéis Molotov. Cinco pessoas precisaram ser hospitalizadas, com ferimentos leves. Já nas arquibancadas, uma enorme “faixa de segurança” com cadeiras vazias afastava aurinegros e alvinegros. Detalhe também para a arbitragem. Tentando evitar novas polêmicas com os oficiais locais, a federação contratou uma equipe espanhola, liderada por David Fernández Borbalán.

Quando a bola rolou, o confronto fez jus às expectativas. As emoções começaram logo no primeiro tempo, quando o goleiro do AEK, Vassilis Barkas, defendeu um pênalti cobrado pelo artilheiro Aleksandar Prijovic. Não faria falta aos tessalonicenses, de qualquer maneira. O PAOK abriu o placar aos 20 do segundo tempo, em cobrança de falta do português Vieirinha. Perto do fim, o duelo pegou fogo com a expulsão de dois jogadores, um para cada lado. E os atenienses bem que poderiam ter igualado o marcador aos 44, com Sergio Araujo. Pois nos acréscimos, os tessalonicenses arremataram a taça. Dimitris Pelkas aproveitou um contra-ataque para decretar a vitória. A comemoração, aliás, rendeu uma cena emblemática, com o herói passando por policiais que tentaram barrá-lo e se juntando à festa da torcida.

Durante a volta olímpica, os jogadores do PAOK usaram máscaras com a face de Ivan Savvidis, o presidente que recebeu uma suspensão de três anos pelo episódio com a arma. Também vestiam camisas chamando a conquista de “dobradinha”, em referência à polêmica na liga. O próprio técnico Razvan Lucescu declarou que o triunfo na casa dos rivais foi “a prova de que tinham sido roubados” no encontro anterior. Este é o segundo título consecutivo dos alvinegros na Copa da Grécia, também o segundo em cima do AEK. Os dois clubes estão classificados para as preliminares da Liga dos Campeões na próxima temporada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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