Europa

Referência antiga

Já são quinze anos desde a primeira convocação. Um total de 68 partidas e 13 gols anotados. E, depois de quase um ano e meio ausente, Nikos Liberopoulos retornou às listas da seleção grega, logo se garantindo como titular no amistoso contra o Canadá. De volta ao país depois de duas temporadas no futebol alemão, o centroavante é novamente manchete nestes primeiros meses de 2011.

A história de Liberopoulos na Super League, sem dúvidas, é uma das mais vitoriosas na última década. Nem tanto pelos títulos com suas equipes e sim por suas honrarias individuais. Em 18 anos de carreira profissional, o único troféu nacional conquistado pelo atacante foi o Campeonato Grego de 96/97, quando ainda atuava pelo Panathinaikos. Em compensação, Liberopoulos foi eleito por três vezes o melhor jogador da competição, além de ter sido o artilheiro em duas oportunidades.

Vendido ao Eintracht Frankfurt em 2008, o jogador de 35 anos voltou ao AEK no início desta temporada, no que parecia o último suspiro de sua carreira. Os primeiros seis meses após o retorno, aliás, não foram dos mais prodigiosos. Foram apenas dois gols e duas assistências no turno inicial da Super League, além de outros dois tentos na campanha feita pelos Dikefalos na Liga Europa, encerrada ainda na primeira fase da disputa.

No entanto, o que parecia perto do fim ganhou um novo gás desde janeiro. Liberopoulos voltou a ser a referência central do AEK, especialmente após a saída de Rafik Djebbour. Nos seis jogos do returno em que esteve em campo, o avante marcou quatro gols. Não é muito para impulsionar o seu clube rumo à ponta da tabela, mas ao menos garante uma vaga nos playoffs, mantendo as esperanças pela disputa das fases preliminares na próxima Liga dos Campeões.

E se não pode ajudar muito na Super League, Liberopoulos colocou o AEK como um dos grandes favoritos na Copa da Grécia. Afinal, a eliminação do Panathinaikos nas quartas-de-final só foi ocasionada graças a uma atuação de gala do veterano na partida de ida. Foram dois gols no clássico de Atenas, responsáveis pela vitória por 2 a 0 e, consequentemente, pela classificação no resultado agregado.

O próprio estilo de jogo do centroavante permite esta alta performance mesmo com a idade elevada. Alto, com 1,86 m de altura, Liberopoulos é mais um alvo na grande área do que um operário fora dela. Sem nunca ter apresentado grande velocidade, é um matador que cada vez mais aprimora as técnicas de finalização. E foi graças ao seu instinto diante da meta adversária é que se tornou um ídolo tanto para a torcida do Panathinaikos quanto para a do AEK.

Para contar exatamente com este faro é que Fernando Santos promoveu o retorno de Nikos Liberopoulos à seleção grega. Logicamente, a idade pesa bastante e não permite grandes planejamentos para o futuro da equipe nacional. Mas, de imediato, poucos são os compatriotas que repetiram as atuações do atacante neste início de 2011.

Mesmo que não tenha feito uma boa apresentação, substituído aos 15 minutos da segunda etapa, o veterano ainda pode sonhar. Com a Grécia se encaminhando na busca de uma vaga nas Eliminatórias da Euro 2012, Liberopoulos pleiteia por sua segunda participação na competição continental. Se mantiver a forma – e a fome de gols –, não deverá se estranhar a sua presença na Polônia e na Ucrânia às vésperas de completar 37 anos de idade.

Ainda eles

A partida contra o Canadá, além de marcar o retorno de Nikos Liberopoulos, também serviu para expor as deficiências no processo de renovação da seleção grega. Por incrível que pareça, alguns campeões da Euro 2004 são mantidos como base do time titular. Assim, dos 17 jogadores relacionados para a partida, nada menos que seis já ultrapassaram os 30 anos de idade.

Por outro lado, Santos deu espaço para alguns jovens no amistoso. Nomes como Tzavellas, Ninis, Georgiadis, Kone e Mitroglou despontam para o futuro da equipe nacional. Até mesmo Ninis e Mitroglou, mais badalados deste grupo e que não vinham em boa forma, se recuperam no início de 2011. Já Giannis Fetfatzidis, grande revelação da Super League até aqui, se encaminha também para ser uma das estrelas de sua seleção. O meia de 20 anos foi disparado o melhor em campo contra o Canadá e ainda marcou o único tento da partida.

O que talvez ainda falte a Fernando Santos são opções mais numerosas para suprir o seu elenco. Algumas posições são carentes de atletas mais jovens e, desta forma, a presença de veteranos se faz necessária. Pelo visto, a troca de experiências entre a nova geração e a velha guarda ainda ocorrerá por mais algum tempo.

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Equipe Trivela

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