Europa

Red Bull surge como possível investidora do Brondby e torcida tem um plano para impedir: ganhar na loteria

Um dos clubes mais tradicionais da Dinamarca, o Brondby pode ganhar novos investidores. Nos últimos dias, diversas notícias surgiram listando interessados em injetar dinheiro na agremiação, através da abertura de novas ações. Empresários americanos e russos estão entre os potenciais parceiros, mas os rumores mais fortes envolvem a Red Bull. A companhia austríaca cogitaria criar mais uma “franquia” no futebol, atingindo seu terceiro mercado na Europa. No entanto, os torcedores temem as mudanças que poderiam acontecer no futuro. E, por isso mesmo, tomaram uma iniciativa para tentar cobrir a oferta: o plano é ganhar na loteria.

Segundo a imprensa dinamarquesa, um grupo de torcedores coletou 135 jogos na loteria EuroJackpot, uma das maiores da União Europeia. O prêmio máximo oferecido nesta sexta-feira chega a €60 milhões. Se uma das apostas for a agraciada, a promessa é usar o montante justamente na compra do Brondby. Tentarão emular a situação do Partick Thistle, que acabou salvo por um torcedor fanático, ganhador de uma fortuna na loteria anos antes.

As condições financeiras do Brondby chegaram a ser realmente delicadas há alguns anos. O clube esteve próximo da falência, mas acabou salvo em 2013, graças a um pequeno grupo de investidores locais. Já em 2014, a situação se fortaleceu com a chegada de Jan Bech Andersen. O empresário se tornou acionista majoritário, com 54% do clube, e passou a estabilizar as finanças. A equipe conseguiu bons patrocínios e voltou a conquistar títulos, ao faturar a Copa da Dinamarca após um jejum de 12 anos sem qualquer taça, além de ser duas vezes vice-campeã da liga nacional.

Nesta semana, Bech Andersen reiterou o seu compromisso com o Brondby até setembro de 2021 e prometeu um novo aporte na casa dos €50 milhões. No entanto, o empresário pretende criar um fundo de reservas além desse valor. A diretoria do clube já deu o sinal verde para a abertura de novas ações. Ao mesmo tempo, um veículo local relatou que representantes da Red Bull teriam visitado o Brondby nos últimos dias.

O maior temor dos torcedores do Brondby é ver o clube à mercê de investidores estrangeiros sem qualquer ligação com sua história. A Red Bull, por mais que esteja à frente de projetos sólidos, poderia corresponder a uma mudança de símbolos aos auriazuis – o que acontece em todas “franquias” da empresa austríacas. Muitos torcedores dinamarqueses vieram a público se manifestar contra a ideia, temendo que a identidade da agremiação se perca.

Em nota repercutida pelo Copenhagen Post, um grupo de torcedores se posicionou sobre o tema: “A Red Bull representa tudo o que desprezamos e tudo aquilo que lutamos para não ser. Se a Red Bull se envolver com o Brondby, não poderemos mais nos identificar como torcedores ativos do clube. Em Salzburg e Leipzig, podemos ver como o dinheiro dos austríacos transformou o futebol real em negócio puro. Eles mudaram os escudos, as cores, o nome dos estádios… Tudo! Nós nunca deixaremos que isso aconteça com nosso clube”.

Bech Andersen, todavia, colocou panos quentes e declarou que não há qualquer contato da Red Bull. “Estou completamente calmo e confiante em relação aos problemas – e não estamos pressionados ou dependentes de um novo investidor. O fato de haver investidores estrangeiros olhando para o Brondby é natural. Claro, eles veem o mesmo potencial que nós. Repito que temos a estratégia certa. Apenas queremos tornar a execução mais proficiente, mas alcançaremos a meta”, afirmou.

Antigos torcedores do Austria Salzburg, transformado em Red Bull Salzburg, criaram um clube dissidente logo após a chegada da companhia. A equipe preserva cores e símbolos da antiga agremiação, conquistando um sucesso meteórico em seus primeiros anos, ao alcançar a segunda divisão em 2015. Entretanto, sofreram dois rebaixamentos em sequência, antes do retorno à terceirona na atual temporada. Diferentemente do Brondby, porém, o antigo Austria Salzburg já tinha sustentado um longo patrocínio quando se chamava Casino Salzburg e sua projeção nacional era bem menor. Em Copenhague, a briga seria enorme, como já se nota.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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