Futebol europeu

Rebaixado por dívidas, Rangers comemora balanço e projeta volta

Praticamente todos os clubes brasileiros têm dívidas para lá de substanciais com o governo federal. Normalmente, por falta de pagamento de impostos. Aqui, se pensa em uma medida que perdoe essas dívidas, uma operação que faria R$ 4 bilhões deixarem de ir para os cofres do governo e premiaria a incompetência dos clubes. Na Escócia, dívidas bem menores levaram ao rebaixamento do Rangers, clube mais tradicional do país ao lado do Celtic, que foi jogado na quarta divisão e entrou em concordata, como uma empresa comum. Os resultados do Rangers neste ano, que caiu da primeira para a quarta divisão, mostraram um prejuízo de € 16 milhões. Mesmo assim, o clube comemorou: teve lucro operacional no período e o prejuízo ainda é em função do processo de liquidação que o clube teve que passar.

As dívidas do Rangers com Her Majesty’s Revenue and Customs (HMRC), a receita federal do Reino Unido, chegava em € 58,6 milhões, entre pagamento de impostos e multas. Em última instância, foi isso que levou o clube a entrar em concordata e, sem condições de fazer o pagamento, foi rebaixado à última divisão do futebol escocês, a quarta divisão (que tem o nome de Division Three, já que a primeira divisão é a Premier League).

“Como esperado, estamos reportando perdas operacionais significativas, embora tenhamos lucros retidos. Isso é consistente com o plano de negócios do clube de cinco anos. Em nenhum estágio foi antecipado nem houve precisão que o negócio do clube de futebol poderia voltar a ter lucro operacional no primeiro ano desde a aquisição. A recuperação completa ainda levará um tempo, mas eu tenho o prazer de informar que o clube está firmemente no caminho para atingir o seu objetivo”, analisou Craig Mather, executivo-chefe do clube de Glasgow.

“O clube está em um lugar muito diferente de onde estava em maio de 2012”, afirma Mather. “Então, naquela época a situação é traumática e o futuro incerto. Agora, nós aproveitamos uma estabilidade financeira e temos uma sólida plataforma de onde nós podemos focar todos os nossos esforços em atingir o sucesso como um dos grandes clubes de futebol”, analisou o dirigente.

O futebol escocês inevitavelmente perdeu com o rebaixamento do Rangers. Apesar disso, é importante para a liga que o rebaixamento do Rangers tenha acontecido. Se a fiscalização com o Rangers foi nesse nível, imagine com as empresas. O clube vinha há anos em má gestão financeira, contraindo dívidas que se tornaram impossíveis de serem pagas, mesmo para um clube desse tamanho. Essa situação é próxima a alguns clubes brasileiros, que ameaçam chegar a uma dívida quase impagável. Se na Escócia o governo foi duro, por aqui se toma medidas para amenizar essas dívidas com o governo, seja pela Timemania, seja exigindo investimento em esportes olímpicos como forma de pagamento. Um perdão maquiado. O governo é duro com os cidadãos, mas não é duro com os clubes de futebol. É tempo de repensar essa relação de passar a mão na cabeça dos devedores.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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