Futebol europeu

Raphinha pode sonhar com a Chuteira de Ouro?

Atacante brasileiro do Barcelona acumula número de gols alto em início de temporada arrasador

É tradição: ao fim da temporada europeia, o maior artilheiro entre as ligas nacionais é coroado com a Chuteira de Ouro, premiação de uma associação de veículos de imprensa na Europa. O troféu, que já foi de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e esteve nas mãos de Harry Kane no último ano, tem, para a temporada atual, um brasileiro despontando: Raphinha.

O atacante do Barcelona tem sido, de longe, o melhor jogador no início de 2026/27. Só pela La Liga, são 12 gols em apenas sete jogos, números que o credenciam para uma possível disputa pelo prêmio.

Entre brasileiros, apenas dois foram premiados, sendo o último há mais de 20 anos. Jardel conquistou em duas oportunidades, em 1998/99 e 2001/02, por Porto (26 gols) e Sporting (42), respectivamente. Ronaldo Fenômeno foi o primeiro, em 1996/97, quando marcou 34 vezes pelo Barça.

Agora, os Culés podem ver outro jogador da seleção brasileira com a Chuteira de Ouro. Pelo que tem sido apresentado por Raphinha, parece alcançável, mas o jogador precisará atingir patamares históricos na carreira.

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Raphinha pode até baixar média e continuar no páreo por Chuteira de Ouro

A média de gols atual do maior destaque do Barcelona, de 1,71, parece improvável de ser sustentada. Até hoje, só um Chuteira de Ouro teve números parecidos. O lendário português Eusébio marcou 42 gols em apenas 24 jogos do Campeonato Português de 1967/68, média de 1,75 na primeira vez que a premiação foi dada ao artilheiro máximo da Europa — à época ainda era o jornal “L'Équipe” como organizador.

O melhor neste século foi Robert Lewandowski, com 41 gols em 29 jogos da Bundesliga 2020/21 pelo Bayern de Munique, média de 1,41 — até hoje, recordista de gols em uma só edição da competição.

Ou seja, Raphinha baixará sua média de gols, até porque também nunca atingiu nada parecido na carreira.

Para sonhar com o prêmio, no entanto, ele ainda teria que manter uma quantia alta. Os últimos cinco vencedores da Chuteira de Ouro (Kane duas vezes, Lewandowski, Kylian Mbappé e Erling Haaland) marcaram no mínimo 31 vezes e no máximo 36.

Normalmente, esses jogadores somaram um gol a cada partida ou próximo disso. Raphinha precisaria não só aumentar seus números de gols no histórico da carreira — com Hansi Flick, desde 2024, tem média de 0,53 gol por rodada em LaLiga — como também o de jogos, pois tem sofrido com lesões nos últimos anos (em quatro edições do Campeonato Espanhol disputadas, só em uma conseguiu emplacar mais de 30 partidas).

O atacante, porém, tem mostrado estar diferente das temporadas anteriores. Capitão, batedor de pênaltis, confiante e muito bem fisicamente, o brasileiro tem um caminho para ser o Chuteira de Ouro.

Precisará também bater sua concorrência, que mantém a capacidade de, toda rodada, fazer um gol: Haaland tem cinco em cinco rodadas da Premier League, Kane três em quatro partidas e Mbappé tem sete após sete jogos.

Raphinha celebra gol pelo Barcelona
Raphinha celebra gol pelo Barcelona (Foto: Maciej Rogowski / SOPA Images / IMAGO)

Barcelona tem tudo para ajudar brasileiro

De quebra, Raphinha tem algo que seus concorrentes — pelo menos por enquanto — não têm: um coletivo arrasador. O Barcelona de Flick é o melhor time da temporada com sobras.

O futebol ofensivo, que une a filosofia do Jogo Posicional catalão e a intensidade alemã, tem sido a marca da equipe que passou por cima dos oito adversários que teve até aqui. Foram oito vitórias, inacreditáveis 36 gols marcados e liderança já isolada em La Liga com cinco pontos sobre Atlético de Madrid e Betis.

Se mantiver o nível, é melhor para o brasileiro continuar acumulando números expressivos de gols. O sonho do Barça é voltar a conquistar a Champions League, que não vence desde 2015, e manter sua hegemonia no futebol local, em busca do tri no Campeonato Espanhol.

Após a Data Fifa, o time culé terá o desafio de voltar no mesmo nível quando receber o Getafe em 10 de outubro. Até lá, Raphinha seguirá com a seleção brasileira. Ele foi titular no empate com a Austrália e cobrou o escanteio do gol de Rayan.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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