Europa

Quando Donald Trump cogitou investir no futebol e se tornar dono do Rangers

Donald Trump chegará ao centro do poder nesta sexta-feira. O bilionário tomará posse como novo presidente dos Estados Unidos, após a vitória sobre Hillary Clinton nas eleições. Um “homem de negócios” que cogitou se tornar dono de um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol. O Rangers, campeão escocês 54 vezes, esteve na mira do magnata, em compra que acabou não se concretizando.

Em seu histórico de negócios, Trump possui ligações com o esporte. Durante os anos 1980, ele se tornou proprietário do New Jersey Generals, franquia da USFL, liga secundária do futebol americano. No entanto, a iniciativa fracassou e o empresário também foi um dos responsáveis pela falência da liga, ao forçar um embate judicial com a NFL. Mais de duas décadas depois, o americano voltou seus olhos ao nosso ‘soccer’, esporte que já praticara nos tempos de estudante. Uma oportunidade de mercado que também fazia sentido por suas origens.

Filho de uma imigrante escocesa, Trump já tinha interesses comerciais na Escócia. Em 2006, ele construiu um resort de golfe na região de Aberdeen, que criou grande disputa com os moradores. Entre as diversas alegações dos locais, há queixas desde o impacto ambiental até represálias que aqueles que se recusaram a vender seus terrenos teriam sofrido. Já em 2010, o americano deu declarações abrindo a possibilidade de investir em um clube de futebol escocês. Dois anos depois, surgiu a brecha: o Rangers, em grave situação financeira, se aproximava da falência.

No entanto, a aproximação de Trump durou pouco. Ao tomar consciência da gravidade da situação no Estádio Ibrox, ele desistiu da compra. “Analisamos seriamente e fomos embora. Não fazia sentido para nós, do ponto de vista financeiro, mesmo sendo um grande clube. Esperamos que alguém chegue e reconstrua o time novamente”, declarou um membro do estafe do empresário, em 2012. O desejo de boa sorte, porém, não se cumpriu. Os escoceses foram à bancarrota e acabaram rebaixados à quarta divisão.

Trump voltaria a ter seu nome ligado a clubes de futebol tempos depois. Em 2015, surgiram rumores de que ele compraria o Atlético Nacional e também o San Lorenzo. Contudo, os dois clubes negaram o recebimento de quaisquer propostas, no que parecia mais uma notícia plantada por tabloides. O Rangers, por sua vez, viveu sua redenção em 2016. Depois de três acessos em quatro anos, o maior campeão nacional da história retornou à primeira divisão do Campeonato Escocês. Sem a fortuna do magnata americano, o reerguimento se tornou possível com a venda de ações para diversos empresários e grupos, incluindo até mesmo alguns formados por torcedores. No momento em que os Teddy Bears brigam pelo retorno às competições europeias, Trump chega à Casa Branca.

Bônus

Em 1991, em meio a eventos ligados à Copa do Mundo de 1994, o sorteio das quartas de final da Copa da Liga Inglesa aconteceu na Trump Tower, em Nova York. E o próprio Donald Trump participou do evento, ao lado de Jimmy Greaves e Ian St. John, artilheiros históricos do futebol inglês entre os anos 1950 e 1960. Segundo St. John, ídolo do Liverpool, o americano “não tinha ideia do que aquilo significava”. A situação inusitada deixou como legado uma pérola no YouTube. Reparem no momento em que ele sorteia o duelo entre Leeds e Manchester United, duas potências da época:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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