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Uma cena impensável de desmando dos ultras na Champions

Os desmandos das torcidas sérvias não vêm de hoje. A violência ultrapassa o limite dos alambrados e exerce grande influência na organização dos próprios clubes. Às vezes, extrapola os limites dos estádios e se infiltra na própria sociedade, como na década de 1990, quando ultras formaram milícias durante os conflitos nos Bálcãs. E mais um episódio dessa liberdade que parece não ter limites foi dado nesta terça.

O Partizan Belgrado deu vexame na terceira preliminar da Liga dos Campeões. Pela terceira temporada consecutiva, os campeões sérvios não conseguiram avançar à fase de grupos, agora eliminados pelo Ludogorets Razgrad. Depois de perderem o jogo de ida por 2 a 1, os alvinegros foram derrotados pelos búlgaros novamente, desta vez por 1 a 0, gerando uma insatisfação evidente nas arquibancadas.

A revolta foi tamanha que Milos Radisavljevic Kimi, famoso líder dos ultras do Partizan, pulou as grades, invadiu o campo e arrancou a braçadeira do capitão Marku Scepovicu. Mais do que o ato em si, impressiona a tranquilidade do torcedor, que é até escoltado por um segurança antes de voltar ao seu lugar. Um problema enraizado e, ao que parece, com total conivência dentro da estrutura do futebol local.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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