O Olympiacos trouxe medalhões ao time, mas já vai para o terceiro treinador na temporada
Carlos Corberán durou apenas 11 jogos à frente do Olympiacos, com resultados ruins na Liga Europa e no Campeonato Grego
O Olympiacos ganhou os holofotes nas últimas semanas graças às contratações de Marcelo e James Rodríguez. Os reforços, porém, não diminuem a bagunça interna vivida pelos alvirrubros num início de temporada ruim. E o presidente Evangelos Marinakis, mesmo dono do Nottingham Forest, realizou a segunda demissão de treinador em menos de dois meses no Estádio Karaiskakis. O espanhol Carlos Corberán tinha assumido em julho, após a demissão de Pedro Martins pela eliminação nas preliminares da Champions League. Entretanto, não durou mais do que 11 partidas. A derrota para o Aris no final de semana, pelo Campeonato Grego, custou seu emprego. Nem a estreia de James impediu a virada por 2 a 1 sofrida em Salônica.
Corberán não possuía um currículo tão recheado assim quando chegou ao Olympiacos. O espanhol deu um salto nos últimos anos após trabalhar como assistente de Marcelo Bielsa no Leeds United e depois passou dois anos à frente do Huddersfield. Acabou escolhido como substituto de Pedro Martins, mas não emplacou. O Olympiacos sofreu para avançar nas preliminares da Liga Europa, passando apenas nos pênaltis por Slovan Bratislava e Apollon Limassol. Na fase de grupos, o time perdeu as duas primeiras, com derrotas para Nantes e Freiburg. E sequer no Campeonato Grego as coisas vinham bem, com somente duas vitórias nas primeiras cinco rodadas. A derrota para o Aris, que deixou os alvirrubros no sexto lugar da liga, se tornou a gota d’água.
O Olympiacos não possui um histórico muito favorável quanto à longevidade de seus treinadores. Mesmo com o domínio no Campeonato Grego ao longo das últimas décadas, a rotatividade na casamata em Pireu é alta. Desde a virada do século, 23 trocas de comando aconteceram nos alvirrubros – e isso sem contar interinos. Os comandantes do clube não duram mais que uma temporada. E o caso de Corberán nem é novidade. Em 2018, por exemplo, Óscar García durou 12 jogos. Em 2017, Besnik Hasi ficou 11 partidas à frente do time. O “recorde” é de Víctor Sánchez, que durou míseros dois compromissos em 2016 – tempo suficiente para sucumbir diante do Hapoel Be’er Sheva nas preliminares da Champions.
A grande exceção nesse período é exatamente Pedro Martins, que ficou quatro anos à frente do Olympiacos. O português é o único técnico do clube neste século a dirigir mais de 100 partidas ininterruptamente, com 221 compromissos completados. Conquistou três vezes o Campeonato Grego e uma vez a Copa da Grécia. Todavia, a eliminação para o Maccabi Haifa nas preliminares da atual Champions, com a goleada por 4 a 0 sofrida em casa, culminou em sua demissão em julho.
Ao longo da última década, o Olympiacos costuma buscar treinadores de Espanha ou Portugal, desde que Ernesto Valverde teve duas passagens bem-sucedidas à frente do clube. Não surpreenderá se a nova solução vier de algum dos países, ainda mais depois das contratações de Marcelo e James Rodríguez. Entretanto, pelo investimento recente e por outros medalhões no elenco, o desempenho anda bem abaixo do esperado. Se não dá para fazer mudanças drásticas no plantel a essa altura, é o treinador quem paga o pato. E a pressão é grande sobre Marinakis, num mercado em que gastou muito, mas não vê resultados favoráveis em seus dois times. Steve Cooper, ao menos por enquanto, resiste no Nottingham Forest.



