Champions LeagueEuropa

O mundo parou, mas ainda não se sabe quem é o melhor

Tanto quanto os títulos ou a fidelidade ao Manchester United, um dos traços mais célebres de Sir Alex Ferguson é sua ferocidade com os árbitros. Não é incomum ver o escocês aos berros com os homens de preto, apesar das acusações de que sempre os Red Devils são beneficiados. Ou quase sempre. Desta vez Fergie tem toda a razão para descarregar sua raiva em Cüneyt Çakir. O Real Madrid aproveitou a ocasião para fazer por merecer a classificação. No entanto, não há como negar a preponderância do árbitro turco no resultado.

Embora os merengues mantivessem mais a posse de bola, a superioridade do United era clara até o início do segundo tempo. Os ingleses eram impecáveis na compactação de suas duas linhas de quatro, dando pouquíssimo espaço aos adversários em sua área. E, mesmo sem serem muito criativos, os Red Devils também levavam mais perigo na frente. Robin van Persie e Danny Welbeck não finalizaram tanto, mas deram boa movimentação ao ataque, enquanto o time aproveitava bem o jogo aéreo.

LEIA MAIS
Adeus, United! Ronaldo marca e classifica o Real Madrid
Mourinho: “Não merecíamos a classificação, o melhor perdeu”

A expulsão de Nani, contudo, desestabilizou totalmente o United. Aparentemente, o meia-atacante levantou a perna para dominar um lançamento e acertou Álvaro Arbeloa. Diante da encenação do lateral, o árbitro entendeu a entrada intencional do português e mostrou o cartão vermelho direto – em uma jogada na qual caberia muito mais um amarelo, pelo jogo perigoso.

Depois do lance, Ferguson não fez alterações, apenas deslocando Welbeck para o lado esquerdo do meio de campo. Em vantagem no placar, o time recuou demais e mal conseguiu passar do meio de campo. Nos 13 minutos seguintes ao cartão vermelho, os ingleses finalizaram apenas uma vez. O Real Madrid, por sua vez, deu cinco chutes, marcaram dois gols e mataram a partida.

É preciso destacar também o mérito de José Mourinho na virada instantânea. A entrada de Luka Modric no lugar de Álvaro Arbeloa foi uma mudança um tanto quanto inesperada e inteligente do português. O croata passou a organizar melhor a construção de jogo merengue, atuando de frente para as duas linhas de marcação do United. E ainda acrescentou maior qualidade nos chutes de fora da área, algo que só Cristiano Ronaldo tinha tentado até então. Na primeira tentativa, um golaço. E o volante também iniciaria a jogada que culminou no gol de Cristiano Ronaldo – que, justiça seja feita, teve atuação mediana.

Do outro lado, Ferguson também não foi muito feliz em suas decisões. Primeiro, o técnico apostou em Welbeck no lugar Rooney entre os titulares: ganhou velocidade, mas perdeu um jogador decisivo. Já nos 20 minutos finais, finalmente mandou a campo Rooney, bem como Ashley Young e Antonio Valencia. O United tinha volume de jogo pelos lados e passou a investir no jogo aéreo. Prevaleceu a noite estupenda de Diego López e, ainda assim, o Real Madrid estava mais próximo de anotar o terceiro nos contra-ataques.

Consumada a eliminação, Ferguson sequer apareceu na coletiva, enquanto Mourinho fez mea-culpa. Um confronto que tinha tudo para ficar marcado como um dos maiores da Liga dos Campeões nos últimos tempos, será lembrado pelo erro decisivo. Como Mourinho tinha previsto, o mundo parou para ver Real Madrid e Manchester United. Mas fica difícil apontar quem for melhor diante de tais circunstâncias.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo