Liga Europa

Rashford lamenta derrota na final da Liga Europa: “Segundo lugar não significa nada”

Atacante do Manchester United demonstrou frustração com derrota nos pênaltis, mas reforçou crença do elenco no trabalho de Solskjaer

Depois de cair nas semifinais em quatro competições, o Manchester United de Ole Gunnar Solskjaer enfim conseguiu alcançar uma final, mas desperdiçou a grande chance de título ao ser derrotado nos pênaltis pelo Villarreal, na decisão da Liga Europa, na quarta-feira (26). Se por um lado a campanha na competição europeia e o vice-campeonato na Premier League apontam para uma melhora, para Marcus Rashford, atacante dos Red Devils, apenas troféus valem alguma coisa.

Em entrevista à BT Sport após o duelo com o Villarreal, Rashford deu um forte discurso para expressar sua frustração e relembrar as ambições que um clube do tamanho do Manchester United precisa ter.

“O segundo lugar não vale nada. O Manchester City venceu a liga, nós terminamos em segundo, e isso não significa nada. O Villarreal venceu a Liga Europa, nós terminamos em segundo. Para nós, isso não vale nada. Não quero ouvir ‘eles chegaram tão perto’, porque isso não significa nada. Há apenas um vencedor e um perdedor, e hoje nós perdemos. Precisamos descobrir por que e garantir que não perderemos da próxima vez”, desabafou.

“O sentimento por dentro é difícil de explicar. Viemos para vencer, trabalhamos muito duro a temporada inteira, e esta era a oportunidade de vencer um troféu, e não aconteceu, por qualquer razão que seja. Precisamos nos livrar da decepção e olhar para o jogo para ver o que fizemos de errado. O time não irá desistir, sem chances. O treinador não nos deixará desistir. Voltaremos na próxima temporada com um desejo maior”, garantiu o jogador.

Rashford em seguida reforçou sua crença de que o clube está no caminho certo para voltar ao topo, citando o talento e a vontade do conjunto atual de jogadores como indício de que o melhor está por vir. “As pessoas falam muito sobre o Manchester United estar indo ladeira abaixo, blá-blá-blá, mas, para mim, no clube, temos o desejo, a sede, o talento, a habilidade, o elenco, temos tudo para competir no mais alto nível. Apenas precisamos mostrar isso ao mundo e a nós mesmos, mostrar por que pertencemos aos primeiros lugares e por que pertencemos a finais como esta, por que devemos vencer finais como esta.”

O atacante expressou a confiança do elenco no trabalho de Ole Gunnar Solskjaer, apontando que o projeto do norueguês ainda está na metade do caminho: “Quando o Ole chegou, havia um processo. E nós, jogadores, acreditamos neste processo. Este não é o fim do processo. Faz parte dele ter altos e baixos, e tivemos muitos altos e baixos a cada temporada. Não é porque perdemos hoje que iremos desistir, sem chances, posso prometer isso aos torcedores”.

Destacando o compromisso dos atletas do elenco, Rashford indicou que muitos têm atuado a temporada toda com problemas físicos e vê isso como prova de que o tipo de entrega necessário para estar entre os maiores clubes do mundo está presente em Old Trafford.

“Para vencer grandes troféus, você precisa mostrar sacrifício. Eu poderia entrar agora no vestiário e te mostrar cinco, seis, sete jogadores, incluindo eu, que estão carregando lesões aqui e ali desde setembro, no início da temporada. E todos nós permanecemos unidos, lutamos para ter sucesso por este clube. Neste ano, não rolou. Para o próximo ano, precisamos refrescar a cabeça e, quando voltarmos, começamos de novo”, afirmou.

“Voltaremos na próxima temporada com mais desejo, mais sede. Precisamos fazer nosso melhor em campo, dar 110%. O sacrifício significa muito, porque sei que não é todo clube que faz esse sacrifício (que fazemos). Nos maiores clubes, existe esse sacrifício, e é por isso que eles vencem troféus. Estamos próximos, prometo que estamos, mas estar próximo não é bom o bastante”, completou.

Solskjaer: “Não aparecemos para o jogo”

Ole Gunnar Solskjaer, técnico do Manchester United
Ole Gunnar Solskjaer, técnico do Manchester United (Xinhua/Imago/OneFootball)

O técnico do Manchester United, Ole Gunnar Solskjaer, também falou aos microfones da BT Sport após a final da Liga Europa. Para o treinador, a equipe não mostrou contra o Villarreal o que é capaz de fazer e falhou em criar chances de gol suficientes para merecer a vitória.

“Não aparecemos para o jogo. Não jogamos tão bem quanto podemos jogar. Começamos ok, e então eles marcaram em sua única finalização a gol, e foi decepcionante sofrer um gol de bola parada. Pressionamos e conseguimos o gol, mas, depois de marcarmos, não conseguimos controlar o jogo e dominar da maneira como queríamos. Eles dificultaram as coisas para nós ao fechar os espaços. Tivemos a maior parte da posse de bola, e eles defenderam bem. Não criamos grandes chances suficientes. Agora, não é o momento de apontar o que eu teria feito diferente, mas, quando você sai sem o troféu, você não fez tudo certo”, consentiu.

Solskjaer vê o Manchester United cada vez mais próximo de vencer um título, mas reconhece que não há atalhos ou fórmula mágica para alcançar o próximo estágio, apenas trabalho, trabalho e trabalho.

“Estivemos a um chute de levar o troféu, mas precisamos ter o desejo de voltar no ano que vem e melhorar. A única maneira de trazer os detalhes que decidem os jogos para o seu lado é trabalhar mais e melhor. Precisamos melhorar, simples assim. Fomos muito bem nesta temporada, saindo de um início difícil, sem pré-temporada, tendo perdido três dos primeiros seis jogos. Nos esforçamos na liga e chegamos mais próximos do topo do que pensávamos àquela altura. Chegamos também a uma final, mas é preciso vencer essas finais para que seja uma boa temporada.”

Em uma mensagem direta para a direção do clube, Solskjaer apontou que existe um limite até onde o trabalho duro pode levar a equipe. Depois disso, é preciso reforçar o plantel – especialmente diante da perspectiva de que os concorrentes farão o mesmo.

“No estágio em que estamos, precisamos fazer melhor, trabalhar melhor, mais duro, de maneira mais inteligente. Porém, para irmos além, é importante trazer dois ou três jogadores para fortalecer o time titular e o elenco ao todo. Tenho certeza de que nossos concorrentes também querem melhorar, então vamos melhorar o máximo possível.”

Mais uma vez ao longo de seu trabalho, Solskjaer foi questionado por não ter mexido mais cedo na equipe. O United jogou todo o tempo regulamentar com os mesmos 11 que iniciaram o duelo, e o norueguês só fez a primeira alteração aos dez minutos do primeiro tempo da prorrogação, com a entrada de Fred no lugar de Greenwood. Perguntado sobre sua linha de raciocínio por trás disso, o treinador explicou que os jogadores que estavam em campo eram os melhores para poder decidir a partida.

“Sentimos que os jogadores em campo, Mason (Greenwood), Marcus (Rashford), Bruno (Fernandes), Edi (Cavani), jogadores que vencem partidas para você, podiam criar qualquer coisa. Tínhamos o Scott (McTominay), que acho que foi o melhor jogador em campo, e o Paul (Pogba), então é difícil fazer essa alteração, especialmente quando o Fred esteve lesionado durante uma semana. Nós simplesmente não conseguimos criar chances suficientes para vencer o jogo. Não fizemos o bastante nos 120 minutos para marcar mais gols, e essa é a parte decepcionante.”

O Manchester United completa agora quatro temporadas sem títulos. As últimas conquistas vieram em 2016/17, sob o comando de José Mourinho, que garantiu os troféus da Liga Europa, da Copa da Liga Inglesa e da Supercopa da Inglaterra naquele ano. Solskjaer assumiu o posto de treinador no fim de 2018, mas ainda busca seu primeiro título.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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