Liga Europa

Rangers se fundiu com sua torcida e foi um só coração para eliminar o Leipzig e avançar à decisão da Liga Europa

Em uma partida imensa, o Rangers superou o favoritismo do Leipzig em um jogo fantástico no Ibrox, apoiado pelo seu povo, venceu por 3 a 1 e vai em busca do título europeu

Quando o sorteio colocou RB Lepzig no caminho do Rangers, era difícil imaginar os escoceses eliminando os alemães. O Rangers, com uma rica história, não parecia capaz de superar a potência do clube da Bundesliga, já há anos batendo na trave por um título. Só que o futebol não é feito só de qualidade técnica, só de dinheiro e não é uma fórmula matemática que pode ser expressa em uma planilha. Com uma grande atuação, potencializada pelo estádio Ibrox lotado e vibrante, o Rangers fez um grande jogo, conseguiu uma vitória por 3 a 1 e uma classificação histórica. Os Gers irão decidir a Liga Europa e estarão em Sevilha para a decisão contra o Eintracht Frankfurt, outro clube alemão.

O jogo de ida já tinha sido uma surpresa. O Leizpig, muito melhor, sofreu demais contra uma boa defesa do Rangers, que saiu de campo com uma derrota por 1 a 0. A vitória foi o bastante para os alemães irem à Escócia com a vantagem de poderem empatar, mas o Rangers estava vivo. E isso foi crucial para o confronto. Aquele duelo apertado na Alemanha seria um impulso para os torcedores e para o time comandado por Giovanni van Bronckhorst.

Como era de se esperar, o Ibrox estava lotado de torcedores para empurrarem o Rangers para a missão difícil diante dos rivais alemães. Era preciso um grande jogo. Os torcedores pareceram entrar em simbiose com o time, com os jogadores, e vibraram e incentivaram para que os jogadores sentissem a energia que vinha das bancadas.

O Rangers abriu o placar aos 18 minutos. Em jogada pela ponta esquerda, Kent recebeu, avançou e chutou cruzado. O lateral James Tavernier apareceu na segunda trave, quase como um atacante, e colocou na rede: 1 a 0. Ele é o artilheiro da Liga Europa, com sete gols, mesmo sendo um lateral.

Aos 23 minutos, o Rangers ampliou. Em uma jogada trabalhada pela direita, Scott Wright ajeitou para Glen Kamara bater colocado, no canto, e ampliar: 2 a 0 para os escoceses em Ibrox. A torcida fazia a festa em Glasgow, porque esse gol colocava os Gers em vantagem no confronto, virando para 2 a 1 no placar agregado.

O placar poderia ter sido ampliado logo depois. Em um cruzamento da esquerda, Tavernier apareceu novamente na área, ajeitou de cabeça para Joe Aribo, que furou e não conseguiu finalizar. Perdeu uma oportunidade imensa que seria o 3 a 0.

Os escoceses eram melhores em campo, dando um sufoco na saída de boa do Leipzig e causando problemas para o jogo do time alemão. Era quem mais chegava, quem mais ameaçava, mas o jogo era mais morno do que movimentado. O Rangers era melhor em campo, mas a partida continuava aberta.

Até que as coisas mudaram aos 24 minutos. O ala Angeliño, sempre perigoso, cruzou da esquerda e Christopher Nkunku completou de primeira para colocar no fundo da rede e diminuir o placar para 2 a 1. Com isso, o placar agregado voltava a estar 2 a 2 e a partida iria para a prorrogação.

O grande jogo do Rangers não acabou ali. O time continuou tentando, com muita vontade e ainda causando problemas para os alemães. Depois de um escanteio, Ryan Kent recebeu pela esquerda, fez a jogada de linha de fundo, pedalando sobre a marcação e cruzando. A bola foi muito fechada e o goleiro Péter Gulacsi rebateu, mas a bola sobrou para John Lundstram, que estava na área por causa do escanteio e bateu de primeira para colocar no fundo do gol: 3 a 1 para o Rangers, com 80 minutos de jogo.

Com isso, os Gers voltavam a estar em vantagem na eliminatória, liderando o placar agregado por 3 a 2. Os torcedores, tensos na arquibancada, ficavam de mãos juntas, involuntariamente orando, como se pedindo para que não fossem acordados daquele sonho. O time estava classificando à final.

Os minutos de acréscimos pareciam uma eternidade para todos aqueles corações, apertados por tantos anos de sofrimento. Eles passaram. O Rangers estava na final. O Leipzig ficava pelo caminho. Os Gers voltavam a sonhar com um triunfo continental, depois da final em 2008 perdida para o Zenit.

Da falência a uma final europeia

A história do Rangers é de recuperação, depois de abrir falência em 2012 e cair para a última divisão do país. O processo de reconstrução foi lento e ainda teve a criação de uma nova divisão, que ajudou a atrasar mais a volta do time à elite escocesa, o que só aconteceria em 2016. Mas foi só em 2021 que, com Steven Gerrard no comando, que o time enfim podia voltar a viver algo que se acostumou na sua história: ser campeão escocês.

Gerrard saiu em novembro de 2021 para aceitar o desafio no Aston Villa e quem ficou com o desafio de manter o time em uma boa caminhada foi o técnico holandês Giovanni van Bronckhrost. Ele manteve o time competitivo, brigando pelo título escocês, que está perto de ser garantido pelo Celtic nesta temporada.

É na Europa, porém, que o Rangers tem escrito o melhor capítulo da sua história. Passou em segundo em um grupo com Lyon (o líder), Sparta Praga e Brondby. No mata-mata, derrubou Borussia Dortmund, Estrela Vermelha e Braga antes de passar também pelo Leipzig. Agora, terá o desafio contra o Eintracht Frankfurt.

A torcida do Rangers terá o desafio também de ocupar Sevilha e tentar fazer do Estádio Ramón Sánchez Pizjuán um pouco do Ibrox para empurrar mais uma vez o time. Duvidar do Rangers, a esta altura, é mais do que imprudente: é burrice.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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