Liga Europa

O Estrela Vermelha acreditou e quase virou no San Siro, mas o Milan sobreviveu graças aos gols fora

As diferenças econômicas não impedem o Estrela Vermelha de lutar nas competições europeias. Os sérvios vêm de boas participações na Champions League, peitando adversários com mais dinheiro, e de novo não temeram o momento do Milan nos 16-avos de final da Liga Europa. Os Crveni honraram sua história com duas grandes partidas contra os milanistas, mesmo que os rivais tenham jogado bem abaixo de suas possibilidades. Na ida, dentro do Marakana, o empate por 2 a 2 arrancado pelo Estrela Vermelha com um homem a menos já foi heroico. Nesta quinta, o time treinado por Dejan Stankovic quase cometeu o crime no San Siro. Buscou o empate por 1 a 1 e esteve muito mais próximo da virada, mas parou em Donnarumma. Os rossoneri avançam no fio da navalha, graças aos gols fora.

Assim como aconteceu na primeira partida, Stefano Pioli recheou o Milan de reservas. Gianluigi Donnarumma, Franck Kessié e Hakan Çalhanoglu estavam entre os destaques da formação rossonera. E os milanistas não precisaram de muito para abrir o placar, ganhando um pênalti após toque de mão de Marko Gobeljic. Kessié assumiu a cobrança e balançou as redes aos nove minutos. O meio-campista dedicou seu gol a Willy Ta Bi, seu compatriota e companheiro nos tempos de Atalanta, que faleceu aos 21 anos por conta de um câncer no fígado.

O placar exigia uma reação do Estrela Vermelha, e os sérvios pressionaram bastante na sequência do primeiro tempo. El Fardou Ben era o nome do pesadelo do Milan. O atacante teve um gol anulado aos 19 minutos e depois cobrou uma falta no travessão de Donnarumma. De tanto tentar, o comorense acabaria premiado com o empate aos 24. Ben chutou cruzado e acertou o cantinho do goleiro. Guélor Kanga ainda ameaçou a virada num chute de longe, mas os rossoneri retomaram o controle nos minutos finais. Seriam muitas finalizações bloqueadas e, quando Diogo Dalot teve a brecha, o goleiro Milan Borjan realizou uma defesaça com o pé.

Na volta do intervalo, o Milan contou com as entradas de Zlatan Ibrahimovic e Ante Rebic. Rebic até desperdiçou uma boa chance, mas as mudanças não surtiram tanto efeito e os ataques dos milanistas seriam limitados. A obrigação pelo gol era do Estrela Vermelha, que retomou o abafa no início do segundo tempo. Os visitantes passavam um bom tempo no campo de ataque e rondavam a área adversária, reclamando até de um pênalti negado pelo árbitro. Na melhor chance, Sékou Sanogo finalizou à queima-roupa e Donnarumma realizou uma defesa surreal, no contrapé. O rebote ainda ficaria com Gobeljic, que isolou.

A capacidade do Estrela Vermelha de incomodar seria prejudicada logo depois, aos 25 minutos. Gobeljic cometeu uma falta no meio do campo e foi expulso com o segundo amarelo. Com isso, os rossoneri puderam esfriar a pressão dos sérvios e até encontraram espaços aos contragolpes, com um gol de Alexis Saelemaekers anulado. Assim como em Belgrado, os Crveni acreditaram no milagre e lutaram até o fim, mesmo com homem a menos. Aleksandar Katai assustaria num chute que pegou na parte externa da rede. E a decisão da arbitragem ao encerrar o jogo antes de uma cobrança de escanteio revoltou os visitantes, que cercaram o juiz logo após o apito final. Faltou pouquíssimo para a surpresa.

O Milan segue vivo pelo título na Liga Europa, mas sai chamuscado. Que Stefano Pioli tenha optado por utilizar o time reserva, os rossoneri foram mal contra um adversário mais frágil. As dificuldades aumentam os questionamentos que existem na Serie A, com a perda da liderança e a derrota no clássico contra a Internazionale. Ao Estrela Vermelha, resta a resignação por saber que o time jogou o seu melhor e fez muito com duas expulsões, uma em cada jogo. Talvez o escanteio no fim mudasse a história do confronto, mas a postura dos sérvios ao longo dos 180 minutos já representa bastante. Mereciam mais que os milanistas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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