Liga Europa

Com 10 homens, o Estrela Vermelha arrancou um heroico empate nos acréscimos contra o mistão do Milan

Estrela Vermelha e Milan são rivais de outros tempos nas competições europeias, quando o clube de Belgrado chegou a ameaçar até mesmo a dinastia do esquadrão de Arrigo Sacchi na antiga Copa dos Campeões. A realidade é bastante diferente mais de 30 anos depois, mas o reencontro dos gigantes fez jus à história já vivida no Marakana. Com os rossoneri sem força máxima, os dois times proporcionaram um animado jogo pelos 16-avos de final da Liga Europa. E a comemoração maior ficou para o Estrela Vermelha: com um jogador a menos, o time treinado por Dejan Stankovic conseguiu arrancar o empate por 2 a 2, já aos 48 do segundo tempo. Segue vivo para a volta no San Siro.

Líder do Campeonato Sérvio, o Estrela Vermelha escalou seus principais nomes, com destaque ao armador Mirko Ivanic. A exceção era o lesionado Aleksandar Katai. Já o Milan entrou em campo com vários reservas, pensando no clássico contra a Internazionale valendo a liderança da Serie A no final de semana. Stefano Pioli poupou Zlatan Ibrahimovic e Franck Kessié, mas ainda manteve nomes como Gianluigi Donnarumma e Theo Hernández. E, apesar das ausências, os rossoneri tomariam a iniciativa.

Mesmo fora de casa, o Milan tentou garantir o resultado logo de início. Era mais agressivo e, desperdiçando bons lances, também teria dois gols anulados no primeiro tempo – um por impedimento e outro por toque de mão. O Estrela Vermelha não era tão passivo assim, com Gianluigi Donnarumma precisando fazer boas defesas, principalmente nas tentativas de  Ivanic. De qualquer maneira, os italianos mereceram a vitória parcial antes do intervalo.

O primeiro tento do Milan veio aos 42 minutos, numa lambança dos sérvios. Radovan Pankov desviou contra as próprias redes o cruzamento de Samu Castillejo, e o goleiro Milan Borjan deu um vacilo tremendo ao deixar a bola mansa passar. A má notícia aos rossoneri ficava para a lesão de Ismael Bennacer, que sentiu dores e voltou a ser problema, substituído por Sandro Tonali na primeira etapa.

Na volta ao segundo tempo, o Estrela Vermelha tinha uma postura mais incisiva e conseguiu igualar o placar. Alessio Romagnoli tocou a bola com o braço dentro da área. Pênalti, que Guélor Kanga converteu aos sete minutos. Porém, seis minutos depois, o Milan aliviou o sufoco com um contragolpe e também ganhou uma penalidade. Theo Hernández recebeu bom passe de Tonali e caiu na área – em marcação bastante discutível, com o lateral se jogando antes do contato. O próprio Theo assumiu a cobrança, recolocando os milanistas na dianteira.

A partida voltaria a pender para o Milan na reta final. Os italianos controlavam o resultado e poderiam ter ampliado, não fosse as boas defesas do goleiro Borjan. O capitão do Estrela Vermelha se redimiu do frango com um milagre diante de Soualiho Meïté. A situação ficaria ainda pior aos sérvios, quando Milan Rodic foi expulso aos 32 minutos. E o que parecia uma melancólica derrota se transformou em heroico empate no Marakana. O segundo gol dos alvirrubros saiu aos 48, a partir de um escanteio cobrado por Kanga. Milan Pavkov se antecipou no primeiro pau e desviou para dentro, superando Donnarumma.

O Milan volta seu foco para a Serie A neste momento, mais preocupado em recuperar a liderança contra a Internazionale. O Estrela Vermelha, mesmo inferior tecnicamente, demonstrou que pode incomodar. A situação ainda é favorável aos rossoneri para a volta em Milão. De qualquer maneira, os alvirrubros não se entregarão tão fácil, como ficou claro no Marakana.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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