Com a confiança lá em cima, Rashford liderou virada do United, mas Barça buscou o empate em um jogaço
No fim, o placar de 2 a 2 na Catalunha deixa tudo indefinido para a volta de um grande confronto em Old Trafford na próxima quinta-feira
Uma semana depois da morte do seu pai, Marcos Alonso apareceu na segunda trave para completar um escanteio de cabeça e abrir o placar. Apontou aos céus, em uma clara homenagem, para comemorar o gol que naquela altura até parecia que seria o único no Camp Nou. No entanto, a fase de Marcus Rashford é absurda e ele conseguiu conduzir o Manchester United a uma improvável virada. As emoções não pararam por aí porque o Barcelona fez valer o mando de campo, buscou o empate e teve chances para vencer. Ou seja: foi um jogaço, cujo empate por 2 a 2 deixa tudo indefinido para volta em Old Trafford na próxima quinta-feira.
O Barcelona terá três problemas. Primeiro, empatou em casa. Segundo, Gavi estava pendurado, recebeu cartão amarelo e estará suspenso. Terceiro, será que alguém consegue parar Rashford depois da Copa do Mundo? São 14 gols em 16 jogos e um nível de confiança que faz com que ele se sinta um dos melhores jogadores do mundo porque, neste momento, terceira semana de fevereiro, ele realmente é.
Escalações
Xavi Hernández manteve a estrutura ofensiva que venceu o Villarreal no último fim de semana, com Franck Kessié titular pela terceira vez seguida, ao lado de Frenkie de Jong, Gavi e Pedri. Raphinha e Lewandowski completaram o ataque. A defesa passou por algumas alterações. Ronald Araújo entrou como lateral direito, com Jules Koundé, geralmente escolhido para essa função, pelo meio ao lado de Marcos Alonso. Jordi Alba fechou pela esquerda.
Harry Maguire não tem mesmo moral com Erik ten Hag. Foi titular apenas duas vezes desde a Copa do Mundo em jogos que não são de copas inglesas. Na ausência de Lisandro Martínez, suspenso, Luke Shaw fez a zaga pela esquerda, com Tyrell Malacia na lateral. Fred retornou no meio, no lugar de Marcel Sabitzer, que acumulou cartões amarelos pelo Bayern de Munique na fase de grupos da Champions League. Sancho, pela esquerda, e Bruno Fernandes, pela direita, fizeram os lados, com Wout Weghorst baixando bastante e Rashford mais avançado.
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Primeiro tempo
A dinâmica esperada se confirmou. O Barcelona é um time mais preparado para manter posse de bola e ficou com ela a maior parte do tempo. O que fez a etapa inicial ter momentos diferentes foram os níveis de execução. Os catalães começaram melhor, abafando a saída de bola do Manchester United e criando. Um corta-luz de Gavi permitiu uma finalização perigosa de Lewandowski, aos oito minutos. Depois, o próprio Gavi teve a chance, dentro da área, mas mandou por cima. No entanto, o United começou a melhorar por volta dos 20 minutos.
Ganhando mais divididas, pressionando melhor e conseguindo sair jogando com mais qualidade. O divisor de águas foi uma boa jogada de Wan-Bissaka pela direita, deixando Gavi para trás, antes de um cruzamento rasteiro para o desvio de chapa de Sancho. De Jong conseguiu o desvio. Na sequência do escanteio, Bruno Fernandes deu um passe maravilhoso nas costas de Koundé para deixar Weghorst na cara de Ter Stegen. Se a confiança de Rashford está lá em cima, a do holandês está lá embaixo, e ele bateu em cima do goleiro alemão.
Rashford mostrou suas credenciais ainda no primeiro tempo. Dominou o passe de Shaw, botou para a frente e invadiu a área pela esquerda. Meio desequilibrado, tentou o chute colocado no canto oposto, e Ter Stegen fez uma linda defesa de mão trocada. O United era o melhor time naquele momento, mas quase foi punido. Bissaka teve um lapso de concentração na defesa e permitiu que Jordi Alba interceptasse a bola. Pelo menos, o lateral inglês se recuperou a tempo de desviar o chute para escanteio.
Segundo tempo
Os trabalhos foram iniciados por Raphinha, que dominou na entrada da área e soltou um chute forte, perto da trave, para fora. Não foi necessariamente o começo de uma melhora do Barcelona. O Manchester United quase marcou, em outra subida de Wan-Bissaka. Weghorst tentou completar de letra, errou, Araújo cortou mal e Sancho chutou pior ainda, para fora. No minuto seguinte, porém, a bola parada ajudou. Raphinha recebeu uma inversão, perdeu um pouco o controle na hora de arrancar, mas ainda ganhou o escanteio. Na cobrança, Marcos Alonso apareceu na segunda trave e completou de cabeça.
E aí, apareceu Marcus Rashford. Casemiro encontrou Fred entre as linhas. Fred, depois de falhar na marcação a Alonso no escanteio, dominou e passou nas costas da defesa. Rashford dominou e entrou pela direita. Estava meio sem ângulo, mas está naquele momento em que acha que todos seus chutes vão entrar. Tanto que deu um rasteiro no canto mais próximo que raramente supera goleiros como Ter Stegen. Dessa vez, superou. E seis minutos depois, recebeu um escanteio curto na ponta direita, passou por Raphinha como se ele não existisse e, em vez de tocar para trás, mandou pra boca do gol. Bruno Fernandes tentou o desvio, a bola bateu em Koundé e entrou.
O Barcelona teve que ir para cima, prejudicado por uma noite fraca de Robert Lewandowski, que deu apenas sua segunda finalização em uma cobrança de falta por cima do travessão. Mas a presença de um centroavante tão perigoso às vezes ajuda em si. Casemiro errou na saída de bola, aos 31 minutos. Koundé recuperou e abriu com Raphinha, que mandou o cruzamento fechado. Lewandowski se antecipou e fez o movimento de chute, que acabou tirando Varane da jogada. A bola passou por todo mundo e entrou.
E de repente, o jogo ficou mais nervoso. Rashford mandou para fora. Luke Shaw falhou na hora de cortar um lançamento de Ter Stegen e deixou Raphinha na cara do goleiro. O ponta brasileiro tentou cabecear por cobertura e parou em De Gea. Foi substituído logo em seguida, aparentemente insatisfeito com a decisão de Xavi. O Barcelona percebeu que poderia arrancar a vitória. Pediu pênalti em um toque de Fred, que estava mesmo com o braço bem aberto o que costuma ser fatal nos padrões atuais, e depois uma cobrança de falta da direita chegou à trave.
Na sequência, Lewandowski furou o cruzamento da direita, e Ansu Fati pegou de frente, de primeira, com força, para ótima defesa de De Gea. O garoto Fati de repente colocou a bola debaixo do braço e levou perigo com uma batida de fora da área, com desvio. No fim, houve momentos em que o Manchester United parecia pronto para ganhar e outros em que a tendência era favorável ao Barcelona, o que costuma ser a marca de grandes jogos. Tivemos um deles no Camp Nou.



