Liga das Nações

‘Ele jogou como atua com Fàbregas’, diz Zidane sobre meia que encanta seleção francesa

Técnico dos Bleus promove novidade no meio-campo e vê resultado rápido em jogo da Liga das Nações

A seleção francesa lutou para sair com uma suada vitória sobre a Bélgica nesta segunda-feira (28). O 1 a 0 fora de casa só veio no final do segundo tempo, graças a Michael Olise, autor de um belo gol em contra-ataque iniciado por Rayan Cherki e finalizado pelo atacante. Após a partida, porém, quem recebeu os elogios do técnico Zinédine Zidane foi um outro nome abaixo do radar.

A atuação dos franceses teve um destaque absoluto no meio-campo: Lucas da Cunha, uma das novidades da convocação. Mesmo em um setor com uma disputa pesada contra Youri Tielemans, Kevin de Bruyne e Roméo Lavia, o meia do Como, onde é treinado por Cesc Fàbregas, conseguiu ditar o ritmo.

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Lucas da Cunha jogou como faz no Como, diz Zidane

Como um primeiro volante de construção, o franco-português, substituído nos acréscimos da etapa final, terminou a atuação só atrás do colega Maxence Lacroix em ações com bola (97) e passes certos (89). Entre os jogadores de linha, foi o líder em lançamentos tentados (oito) e certos (seis).

Além dos números, Da Cunha chamou atenção como, de cabeça erguida, fugia da pressão adversária com facilidade. Sempre à frente dos zagueiros, foi o responsável por acionar muitas vezes os pontas Désiré Doué e Bradley Barcola (substituído por Olise posteriormente) em busca de jogadas mano a mano, a maior arma francesa no jogo.

Zidane destacou que seu primeiro volante não sentiu sua estreia pelos Bleus e viu como uma continuação do que ele faz no Como com Fàbregas. “Não é fácil. É o primeiro jogo dele pela seleção, em um grupo que ele não conhece. Ele jogou como costuma jogar. Jogou como atua em sua equipe e fez isso muito bem”, exaltou o técnico à emissora “TF1”.

O meia reiterou isso ao mesmo veículo: “O treinador me deu toda a confiança, disse para eu fazer o que faço no clube, jogar solto e ajudar a equipe. Foi o que tentei fazer e tive boas sensações, me senti bem em campo. Estou muito feliz com a minha estreia aqui”.

Após estreia na seleção francesa, meia relembra trajetória

Apenas dois anos atrás, Lucas da Cunha estava disputando a Serie B italiana pelo Como. O meia, que começou no Rennes, passou por Nice, Lausanne-Sport e Clermont Foot até sua chegada à Itália em 2023 — por apenas 750 mil euros –, relembrou sua trajetória meteórica após seu primeiro jogo com a França.

— Fazer o primeiro jogo pela seleção não é pouca coisa. São emoções grandes, uma alegria enorme. Há alguns anos, eu estava na segunda divisão. Hoje, me encontro aqui na seleção francesa. Isso mostra que, quando você trabalha e não desiste, as coisas acontecem. Hoje à noite, aconteceu comigo, e estou muito feliz — afirmou.

Lucas da Cunha em França x Bélgica (Foto: IMAGO / BSR Agency)
Lucas da Cunha em França x Bélgica (Foto: IMAGO / BSR Agency)

Mesmo em teoria sendo um jogador “de segunda divisão”, o franco-português se adaptou facilmente na Serie A a partir da temporada 2024/25 e virou um dos destaques da equipe italiana, que é a sensação da liga. Fàbregas, se pudesse, teria 11 jogadores como ele.

— O Lucas não me surpreende mais. Se você acompanhou o Como desde a Serie B até hoje, vai entender por que eu disse que jogaria com 11 Da Cunha — elogiou o espanhol em março do ano passado, quando seu comandado marcou o gol da vitória sobre o Milan.

— Ele entende tudo o que queremos fazer. Basta um segundo de explicação, ‘Vamos, Lucas, vamos fazer assim', e ele atravessaria uma parede por essa ideia — completou.

No Campeonato Italiano passado, no qual o Como se classificou para a Champions League, o meia da seleção francesa terminou entre os principais jogadores em passes certos, passes para finalizações e lançamentos. Na edição atual, segue importante nas mesmas áreas, tendo estreado também na Champions League.

Consolidado em uma das maiores ligas do mundo, disputando a maior competição europeia e, agora, estreante e titular na seleção francesa. Lucas da Cunha consolida uma trajetória de ascensão e pode sonhar mais na carreira, incluindo se firmar nos Bleus, pois suas características de passe e controle são pouco vistas em Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga e Adrien Rabiot. É ver o que Zidane, encantado por ele, pensa sobre isso.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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