Futebol europeu

Mercado da bola europeu: Nova geração grega vira destaque na atual janela

Clubes e seleção da Grécia aprimoram metodologia para lançar safra de talentos promissores

A cada janela de transferências um lugar costuma se sobressair. Alemanha, Portugal, Brasil, Argentina e tantos outros foram, em determinados ciclos, grandes “exportadores” de jovens talentos aos times europeus. Agora, a Grécia pede passagem.

Arsenal, Borussia Dortmund, Hull City e Roma gastaram, juntos, mais de 135 milhões de euros (R$ 814,2 milhões) na contratação de jogadores da nova geração grega. O mercado já se tornou um dos mais lucrativos da história para atletas nascidos no país.

O quarteto foi buscar nomes promissores que dão cara ao “renascimento” da Grécia no esporte. Christos Tzolis (24 anos) acertou com o Arsenal e vai disputar a Premier League, bem como Konstantinos Tzolakis (23), recém-chegado ao Hull City. Giannis Konstantelias (23) e Konstantinos Karetsas (18) assinaram com o Dortmund, da Bundesliga, e Konstantinos Koulierakis (22) chegou à Serie A italiana para vestir a camisa da Roma.

  • Christos Tzolis – Club Brugge > Arsenal (40 milhões de euros)
  • Konstantinos Tzolakis – Olympiacos > Hull City (23,3 milhões de euros)
  • Giannis Konstantelias – PAOK > Dortmund (26 milhões de euros)
  • Konstantinos Karetsas – Genk > Dortmund (30 milhões de euros)
  • Konstantinos Koulierakis – Wolfsburg > Roma (16,5 milhões de euros)
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O que está por trás da nova safra de talentos gregos

Os valores evidenciam a crença dos clubes no potencial destas joias ao mesmo tempo que enaltecem o sistema na Grécia. O PAOK é um dos maiores clubes gregos e foi responsável por ajudar na evolução de três dos cinco atletas deste grupo: o meia-atacante Konstantelias, o ponta esquerda Tzolis e o zagueiro Koulierakis.

Konstantinos Koulierakis, zagueiro ex-Wolfsburg
Konstantinos Koulierakis, zagueiro ex-Wolfsburg (Foto: IMAGO/Christian Schroedter)

Apenas o goleiro Tzolakis e o meia-atacante Karetsas não tiveram nenhuma passagem pelo PAOK nas divisões de base. O primeiro defendia o Platanias e depois o Olympiacos, e o segundo fez toda a trajetória no futebol belga entre Genk e Anderlecht.

A metodologia do clube alvinegro grego mudou em 2007 para melhorar a identificação de talentos, o recrutamento, a estrutura e o lançamento das promessas, e passou a ter também integração da academia de base com escolas parceiras por todo o país.

O Olympiacos tem filosofia semelhante, com foco em formar atletas social e esportivamente. A reformulação nos processos ocorreu em 2011 e visou principalmente a aplicação do mesmo sistema em todas as divisões para que haja uma única linha de trabalho.

Goleiro Konstantinos Tzolakis pelo Olympiakos
Goleiro Konstantinos Tzolakis pelo Olympiakos (Foto: IMAGO/DeFodi Images)

Foram passos importantes e promissores, mas ainda não o suficiente. Karetsas é a maior promessa grega recente e tinha a possibilidade de sequer defender a seleção por ter jogado apenas na Bélgica. Inclusive, tem dupla cidadania.

O reforço do Borussia Dortmund é exemplo da eficácia do “programa futuro” dos belgas, que surgiu em 2008. O projeto é para que jovens atletas com potencial que ainda não têm oportunidades na seleção principal possam seguir em desenvolvimento acompanhados de perto por profissionais da federação do país.

Em suma, há dois “times” de cada categoria etária: um considerado principal e o outro composto por jogadores em desenvolvimento, que têm talento mas precisam de mais tempo para figurar na equipe primária.

Karetsas inspira mudanças na Grécia

Konstantinos Karetsas no Borussia Dortmund
Konstantinos Karetsas no Borussia Dortmund (Foto: IMAGO/DeFodi Images)

Inspirada nesta e em outras práticas, a Federação Grega de Futebol está no processo para reformular a estrutura de desenvolvimento de jovens. Makis Gagatsis, presidente da entidade, afirmou ao site “The Athletic” em dezembro de 2025 que o reposicionamento foi necessário.

Segundo ele, o país carece de evolução neste processo porque não acompanhava as exigências do “futebol moderno” praticado no Velho Continente. O projeto recebeu o nome de “Anagennisi”, que significa “renascimento”.

O plano prevê, dentre outras coisas, encontrar formas de inserir mais joias na Superliga Grega. A adoção de cotas para atletas formados nas categorias de base não foi descartada.

— Nós sabemos que os jogadores gregos têm talento, mas precisamos mudar a metodologia, os treinos, a filosofia das categorias de base. Jogadores gregos precisam se desenvolver. Precisam se tornar protagonistas de suas próprias histórias — disse ao jornal Konstantinos Vrakas, chefe do programa.

Karetsas é uma espécie de motivação para que todas as ideias saiam do papel e um lembrete do que a Grécia pode alcançar se aprimorar as academias de juniores. O jovem talento poderia não ter tido a mesma trajetória de sucesso se estivesse na terra natal.

— Graças a Deus ele estava na Bélgica. Ele é o maior indicativo, o maior exemplo, do que o talento grego pode ser — afirmou Vrakas.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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