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Já é hora de levarmos Casemiro a sério, e não só pelo golaço de hoje

A classificação do Porto estava desenhada desde a visita à Suíça. Os portistas jogaram o Basel contra a parede dentro de sua própria casa, ainda que tenham ficado no empate por 1 a 1. Coube terminar o serviço no Estádio do Dragão para garantir a vaga nas quartas de final da Champions League: vitória por 4 a 0 de maneira incontestável, sufocando um adversário muito mais fácil. O placar se construiu a partir da qualidade dos portugueses nas finalizações de fora da área, com quatro lindos chutes. Entretanto, a forma como o meio-campo do time de Julen Lepotegui se impôs sobre os rivais foi emblemática. Jogaram e não deixaram jogar, combinando potência física e qualidade técnica.

Um dos protagonistas do Porto na temporada, Brahimi abriu o placar. O argelino retoma a boa forma de seus primeiros meses no clube e deixou o caminho livre com um golaço de falta, sem qualquer reação para o goleiro Vaclik. Pouco depois, os portistas levaram um susto, quando o goleiro Fabiano se chocou com Danilo e o lateral precisou sair de maca, com uma lesão no rosto. O único momento de apuro em 90 minutos.

A sequência da partida seguiu nas mãos do Porto, mas os gols só saíram no segundo tempo. Muito bem em campo, Héctor Herrera limpou a marcação e chutou colocado, no cantinho. Pouco depois, foi a vez de Casemiro aparecer. Em outra cobrança de falta, o volante mandou um míssil no ângulo de Vaclik, cansado de voar em vão. E ainda houve tempo para a última bomba, de Aboubakar, castigando o goleiro de novo.

Brahimi e Herrera jogaram demais no Estádio do Dragão e, ainda que os tentos sejam frutos mais de méritos individuais, também terminaram com uma assistência cada. Evandro Goebel (sim, aquele, ex-Palmeiras) também ajudou a ditar o ritmo, enquanto a movimentação de Aboubakar era essencial no ataque. Entretanto, o nome da partida foi mesmo Casemiro. E não pensem que esta é apenas uma “patriotada”. Porque, se o meio-campo funcionou tão bem, foi graças à solidez do brasileiro na cabeça de área. Protegeu muito bem a sua defesa, foi soberano nas jogadas aéreas, apareceu no ataque para finalizar (no primeiro tempo, quase anotou um golaço da intermediária) e fez o simples na saída de bola. Terminou a partida com oito desarmes, mais do que todos os defensores de seu time. Por mais que o Basel tenha se mostrado frágil demais, esta não é uma exceção ao volante.

Casemiro quase sempre é visto com ressalvas. Uma desconfiança que, diga-se, ele mesmo provocou, famoso pela indisciplina e pela marra que tinha no São Paulo. No entanto, o volante colocou os pés no chão desde que chegou à Europa. Parece ter vislumbrado a grande chance que tinha. Cresceu no Real Madrid, indo do Castilla ao time principal para dar sua contribuição na conquista da Champions – para quem não se lembra, o meio-campista acertou o time em um dos jogos mais difíceis da campanha, a volta contra o Borussia Dortmund, quando os merengues tomavam um calor danado de Reus e companhia. Já nesta temporada, emprestado ao Porto, tem feito ótimo papel em Portugal.

Obviamente, ele tem as suas recaídas. Em alguns momentos, não joga com a atenção devida e diminui de ritmo. Entretanto, o meio-campista tem crescido nesta Champions, bem mais do que no Portuguesão. Tanto que é o jogador que mais ganha bolas aéreas no torneio e o segundo em desarmes, atrás apenas de Nemanja Matic. É o terceiro que mais comete faltas, mas, por suas subidas ao ataque, o quatro que mais sofre. E, segundo o site Who Scored, que baseia o seu ranking através das estatísticas, o volante é o terceiro melhor jogador da Liga dos Campeões até o momento, atrás apenas de Lionel Messi e Eden Hazard. São apenas números, mas representam muito.

Casemiro tem muita qualidade técnica e uma boa capacidade na marcação, algo que já era evidente desde os tempos de São Paulo e das seleções de base. O que lhe faltava era um pouco mais de juízo, com atrasos nos treinos e problemas com alguns treinadores. Se quiser, o jovem pode ser um ótimo volante, candidato até mesmo à Seleção. O que precisa é manter a cabeça no lugar. No Porto, a vontade é evidente. E pode ajudá-lo até mesmo no retorno ao Real Madrid, diante das incertezas com Khedira e Illarramendi. Quando ele próprio se leva a sério, consegue ir longe.

Abaixo, os outros três gols da partida. À medida que os Vines saírem do ar, tentaremos atualizar o mais rápido possível:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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