‘É terrível, tenho coração’: Lateral da Irlanda responde críticas prévias a duelo com Israel
Nesta quinta-feira (28), amistoso realizado em Dublin contra o Catar foi paralisado por protestos
Antes do amistoso da Irlanda com o Catar, nesta quinta-feira (28), o lateral-direito Seamus Coleman reagiu às críticas recebidas devido aos duelos entre seu país e Israel — os irlandeses enfrentarão Israel em outubro pela Liga das Nações.
Para o atleta, que está encerrando uma longa e histórica passagem pelo Everton, os questionamentos não deveriam ser feitos aos jogadores, mas às entidades que organizam os eventos esportivos.
— Minha opinião é muito clara, os jogadores mais jovens e o treinador não deveriam ter tido que responder a perguntas sobre isso. Deveria ter sido tratado por alguém acima de nós –, afirmou.
Nesta quinta-feira (28), o amistoso entre Irlanda e Catar, disputado na capital Dublin, foi paralisado por um protesto da torcida local. Bolas com bandeiras da Palestina foram arremassadas no gramado, reforçando o coro contra a realização das partidas contra Israel pela Liga das Nações.
Segundo a “BBC”, a pressão para um boicote a esses jogos aumentou na Irlanda devido à situação atual no Oriente Médio. A Campanha de Solidariedade Irlanda-Palestina ainda realizou um protesto no Dáil (Parlamento irlandês) na última terça-feira (26).
Apesar de defender que a responsabilidade pelos jogos deve ser dos dirigentes, o jogador ressaltou que sabe diferenciar “o certo e o errado”, mas que estar nessa situação é “muito desconfortável”.
— É terrível o que está acontecendo, é extremamente triste, mas não acho que devêssemos estar nessa situação tão difícil. De jeito nenhum. É muito desconfortável. Sou pai, sou marido, tenho coração, sei a diferença entre o certo e o errado –, declarou.
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Com a Federação Irlandesa de Futebol (FAI) confirmando que os jogos irão acontecer, Coleman lamentou que jogadores tão jovens sejam colocados numa posição tão desconfortável por decisões que não lhes competem.
— Acho que não deveria ter recaído sobre rapazes de 22, 23, 24 anos que estão aqui para jogar pelo seu país. Representamos o nosso país, o povo da Irlanda, e temos de levar isso em consideração, também a opinião deles sobre o assunto –, pontuou.
Capitão da Irlanda não se opõe a boicote
De acordo com o jornal “The Irish Times”, em março, o diretor executivo da FAI, David Courell, afirmou que a associação está seguindo as diretrizes do governo e que “se houver desenvolvimentos em curso na esfera geopolítica internacional, isso é uma questão para o Estado irlandês”.
— No momento, não há sanções contra o Estado de Israel. A decisão sobre se esses jogos serão ou não realizados cabe a nós e continuamos a afirmar que serão cumpridos –, ressaltou.
Por outro lado, no início dessa semana, a “BBC” apurou que o capitão da equipe irlandesa, Nathan Collins, que defende o Brentford, declarou que se os jogadores se sentissem motivados o suficiente para boicotar os jogos, não haveria oposição dos mais experientes da seleção.
A organização Irish Sport For Palestine lançou a campanha “Stop The Game” (Pare o Jogo), citando o que descreve como “violações graves, claras e contínuas dos estatutos da Uefa e da Fifa em relação a equipes israelenses que jogam em territórios palestinos ocupados” e “um sistema brutal de apartheid e genocídio, ambos aceitos pelo governo irlandês”. Ainda de acordo com a “BBC”, ao que tudo indica, os apelos ao boicote aumentarão à medida que os jogos contra Israel se aproximam.