Futebol europeu

Guardiola: ‘Eu tinha a sensação de que já não tinha a energia necessária para estar no topo’

Treinador espanhol deixou o Manchester City e agora vive pausa na carreira para descansar

Após quase duas décadas como treinador, Pep Guardiola anunciou em maio a sua saída do Manchester City, onde permaneceu por uma década e fez história no futebol inglês, para fazer uma pausa na sua carreira.

Em entrevista à “OKX”, o catalão explicou os motivos que o levaram a se afastar dos gramados a partir de uma sensação que foi crescendo devido à rotina repetitiva. Guardiola deixou claro que não havia perdido o entusiasmo por treinar um clube, mas que sentia não ter mais a mesma energia para manter o nível elevado durante toda a temporada.

— São 10 anos com a mesma rotina, os mesmos jogos, e isso a cada três dias. Adoro o meu trabalho, mas é um momento em que você sente que chegou a hora de fazer uma pausa. Eu tinha a sensação de que já não dispunha da energia necessária para estar no topo ou para lidar com a exigência de jogar a cada três dias–, declarou.

Pep Guardiola em Bournemouth x Manchester City
Pep Guardiola em Bournemouth x Manchester City (Foto: IMAGO / IPS)

Guardiola também falou sobre a necessidade de evoluir constantemente como treinador, no que considera fundamental quando uma equipe alcança o nível que o Manchester City atingiu durante a sua gestão.

O catalão ainda ressaltou que não entende como um treinador pode se limitar a reproduzir sempre as mesmas ideias, ainda que elas já tenham trazido bons resultados, e também questionou a relação direta entre esforço e sucesso.

— Fazer sempre o mesmo treino, as mesmas táticas, as mesmas ideias depois de um ano… Não vejo sentido nisso. As pessoas dizem que, quanto mais você se preocupa, mais sucesso terá. Não sei. Às vezes, você pode fazer coisas incríveis e se preocupar com o esforço, e, no final, o sucesso não chega –, afirmou.

Guardiola quase interrompeu pausa para treinar a Itália

Pouco tempo após se despedir dos Citizens, o nome de Guardiola voltou ao centro das atenções após ser convidado a assumir o comando da seleção italiana, que vive crise histórica e pensa em revolução internta. Em entrevista ao “Corriere della Sera”, Paolo Maldini, que passou 16 dias como diretor de seleções da Federação Italiana de Futebol (FIGC) revelou os bastidores da tentativa de contratar o espanhol para o comando da Azzurra.

— Fomos visitá-lo em Barcelona, almoçamos juntos e conversamos o dia todo. Ele ficou muito tentado. Até começou a anotar escalações no papel. Mas o dinheiro, os 20 milhões de euros que foram discutidos, nunca foi o problema. Pep nos disse: ‘Me dê um euro a menos que o último técnico ganhava e está bom para mim’–, explicou.

No entanto, o real motivo para o catalão não ter assinado estava diretamente ligado ao respeito pelo seu período de descanso: “Ele recusou porque estava cansado. Vinha de 10 anos exaustivos na Premier League, fez uma cirurgia nas costas. Queria descansar”, pontuou Maldini.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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