Geração interrogação

Em 2009, a Suécia sediou o Campeonato Europeu de Seleções sub-21. Apesar do título alemão (com jogadores que, no ano seguinte, brilhariam na Copa da África do Sul – como Neuer, Khedira e Özil), os donos da casa fizeram um bom papel. Semifinalista, a seleção sueca só caiu para a Inglaterra nos pênaltis. Os suecos cravaram também o artilheiro e melhor jogador do torneio: Marcus Berg, que marcou sete vezes em cinco jogos.
Esse ano, foi a vez de a Dinamarca receber a competição. Com uma geração promissora, a expectativa dinamarquesa era de, ao menos, conquistar uma das três vagas européias para os Jogos Olímpicos de Londres. Diferentemente dos vizinhos suecos, porém, o saldo da campanha passou longe de ser positivo.
A lista do treinador Keld Bordinggaard trouxe vários nomes já convocados anteriormente para a seleção principal, como o goleiro Jonas Lössl, os zagueiros Andreas Bjelland e Anders Randrup e o volante Mike Jensen. Foram chamados também o defensor Frederik Sorensen, um dos poucos pontos positivos da melancólica Juventus 2010-11 e Christian Eriksen, meia do Ajax e mais promissor jogador dinamarquês de sua geração. Mesmo com as ausências de Simon Kjaer e Nicklas Bendtner, titulares da Dinamarca “adulta” e ainda dentro da idade permitida para disputar o torneio, era um elenco capaz de confirmar as expectativas depositadas.
Cabeça-de-chave número um, o sorteio ainda foi bastante favorável aos dinamarqueses. As bolinhas deram aos anfitriões um grupo acessível, com a companhia de Suíça, Islândia e Belarus, enquanto as favoritas Espanha, Inglaterra e República Tcheca se matariam por duas vagas na outra chave.
A campanha dinamarquesa já começou alarmante, com um 0 a 1 para a Suíça, na estreia. Passado o nervosismo do primeiro jogo, os donos da casa venceram Belarus na segunda rodada, três dias depois. Mesmo sem um futebol convincente, a equipe mostrou frieza e poder de reação ao virar a partida diante dos bielo-russos e vencer por 2 a 1. O resultado deixou o time em situação confortável, bastando somente bater a Islândia (que perdera seus dois jogos) para avançar à fase seguinte.
A rodada final foi jogada no último dia 18, com a torcida local ocupando o estádio de Aalborg quase totalmente. Após um primeiro tempo em branco, os islandeses marcaram duas vezes antes dos quinze minutos do segundo tempo. Os gols esfriaram o time dinamarquês, que só conseguiu esboçar uma reação nos dez minutos finais, quando Bashkim Kadrii descontou. Entretanto, o golpe de misericórdia veio nos acréscimos, com mais um gol da Islândia. O 1 a 3 valeu não só a eliminação dinamarquesa, como também a lanterna do grupo.
Para aumentar o tamanho da decepção, a derrota de Belarus para a Suíça no outro jogo do grupo configurou a classificação da chave num tríplice empate. Dinamarqueses, islandeses e bielo-russos terminaram com três pontos cada um, todos com uma vitória e duas derrotas. A qualificação para a semifinal ficou com a seleção bielo-russa, graças aos critérios de desempate. Ou seja, desenhou-se um quadro final em que bastaria aos dinamarqueses um empate para seguir adiante.
O fraco desempenho custará o emprego do treinador Bordinggaard, que deve deixar o cargo após quase cinco anos. O resultado também questiona os rumos do processo de renovação do time principal da Dinamarca, que já não foi bem na Copa de 2010 e possui uma base envelhecida. É improvável que jogadores como o goleiro Sorensen, o volante Christian Poulsen ou o winger Rommedahl ainda terão fôlego para seguir na seleção após o ciclo que se encerrará na Euro-2012. Assim, a responsabilidade em buscar uma vaga para o Mundial do Brasil recairá possivelmente sobre a atual geração Sub-21, que estará próxima dos 26 anos em 2014. A eliminação precoce transformou as perspectivas, então promissoras, num cenário duvidoso.



