Europa

Gafanhotos em crise e sem perspectiva

Grasshopper é um nome que está no imaginário coletivo de quem acompanha o futebol mundial. Ainda que não seja fanático (ou maluco, no bom sentido), quem segue o noticiário internacional com um mínimo de atenção certamente já ouviu falar desse time suíço.

A explicação é simples. Os gafanhotos, como são conhecidos, são os maiores vencedores da história do Campeonato Suíço, com 27 títulos. Somente entre as décadas de 1980 e 1990, ou seja, na história recente, foram oito troféus. Isso fora as 18 Copa da Suíça, sendo cinco no período citado.

Assim, as conquistas levavam o Grasshopper a disputar competições europeias constantemente, o que por sua vez fazia o time ser citado por aqui. Porém, desde que foi campeão em 2002/03, o GC entrou em declínio. No máximo, conseguiu alguns terceiros lugares (em 2004/05 e 2009/10), mas na maioria dos campeonatos ficou mesmo na zona intermediária da tabela. Muito pouco para quem é grande.

Nesta temporada a situação não está nem um pouco diferente. Passadas 14 rodadas, o time amarga a penúltima colocação, apenas dois pontos atrás do lanterna Lausanne – embora o jogo interrompido contra o Zürich, no qual o Grasshopper vencia por 2 a 1 (veja a história da confusão aqui http://trivela.com.br/coluna/austria-suica/violencia-ganha-espaco-e-preocupa-suica), não esteja computado na classificação.

A campanha é pífia. Três vitórias, um empate e nove derrotas, 11 gols marcados e 31 sofridos. Consegue ser bem pior, por exemplo, que a do Neuchâtel Xamax, que vive às voltas com crises protagonizadas pelo seu dono, o imprevisível Bulat Chagaev.

A equipe ainda tem o nada honroso recorde de maior goleada sofrida na temporada atual. Pior: justamente diante do rival da cidade: 6 a 0 para o Zürich, na quarta rodada (placar que seria repetida cinco rodadas depois, pelo Basel sobre o Lausanne).

O que mais espanta na situação vivida pelo GC não é a crise em si, mas a forma como ela vem sendo tratada. Afinal, um dos fatores que diferenciam clubes grandes dos demais não é a ausência de problemas, mas sim a maneira como eles são encarados e resolvidos.

No Grasshopper de hoje, parece haver acomodação e conformismo. A derrota por 4 a 1 para o Basel (que já vencia por 3 a 0 com apenas 26 minutos), na última rodada, mostra bem isso. Após o jogo, o técnico Ciriaco Sforza avaliou que o time jogou bem (!) e foi punido por pequenos (!) erros.

Apatia à parte, aliás, Sforza vem fazendo o que pode. Procura manter o padrão de jogo e consegue repetir a escalação – fez isso em sete jogos até agora. O problema é que o elenco é jovem demais e limitado tecnicamente.

Que o Grasshopper não brigaria pelo título nesta temporada já era sabido antes mesmo do campeonato começar. O que não se imaginava, porém, era que o time chegasse perto da metade do campeonato ocupando a posição que leva ao playoff contra o vice-campeão da segunda divisão.

E o que não se espera é que torcida, diretoria, comissão técnica e jogadores continuem achando que está tudo normal.

 

CURTAS

ÁUSTRIA

– Líder da Bundesliga, o Admira tropeçou na 13ª rodada, empatando por 0 a 0 com o Mattersburg, penúltimo colocado.

– Mas o Almirantado levou sorte, pois o Áustria Viena, vice-líder, também ficou no empate: 2 a 2 com o lanterna Kapfenberg. Ambos jogaram fora de casa.

– As demais partidas foram Red Bull Salzburg 1 x 1 Ried, Rapid Viena 3 x 2 Sturm Graz e Wacker Innsbruck 2 x 0 Wiener Neustadt.

– Na Erste Liga, Altach e St. Andrä venceram e seguem dividindo a ponta. O Altach jogou em casa e bateu o Blau-Weiss Linz por 2 a 0. O St. Andrä atuou fora e passou pelo First Vienna: 3 a 2.

SUÍÇA

– A experiência que falta ao Grasshopper pode estar no meio-campista Johann Vogel, de 34 anos. Ele vem treinando no clube e tem plenas condições físicas, mas só poderá atuar depois da pausa de inverno, devido a problemas de documentação.

– Não há data marcada, mas a Comissão Disciplinar da Super League deve divulgar nos próximos dias o veredicto do ocorrido no clássico Grasshopper x Zürich, interrompido aos 32’ do segundo tempo devido à briga entre as torcidas.

– Com o resultado positivo sobre os gafanhotos, o Basel assumiu pela primeira vez a liderança do Suíção. A equipe chegou aos 28 pontos, mesma pontuação do Luzern, mas tem melhor saldo de gols (18 a 13).

– A vitória do Basel foi assistida por um torcedor ilustre: o tenista Roger Federer.

– O Luzern, líder até então, empatou por 1 a 1 com o Zürich. Os demais jogos da rodada foram Sion 2 x 0 Thun, Servette 2 x 1 Neuchâtel Xamax e Young Boys 4 x 1 Lausanne.

– Na Challenge League, o St. Gallen fez 2 a 1 sobre o Wohlen fora de casa e segue tranquilo na ponta.

– A Uefa dá sinais de que vai admitindo a possibilidade de reintegrar o Sion à Liga Europa. Na semana passada, a entidade comunicou que consultaria o clube sobre possíveis datas para os jogos. A decisão do imbróglio será dada pelo Tribunal Arbitral do Esporte em 24 de novembro.

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Equipe Trivela

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