Europa

Por que o Fenerbahçe agradeceu presidente da Turquia em anúncio de Kanté

Após reviravolta na janela, meio-campista francês campeão do mundo jogará no gigante turco

A janela de transferências guardou emoção em seus últimos dias. O Fenerbahçe anunciou a contratação do campeão N’Golo Kanté nesta quarta-feira (4) após uma grande novela com o Al-Ittihad, com direito a, um dia antes, o clube turco ter desistido do negócio por problemas na documentação.

O volante francês, após quase três anos na Arábia Saudita, retorna ao futebol europeu de olho na Copa do Mundo de 2026. A curiosidade de sua vinda é que envolveu diretamente a política da Turquia com a participação do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Como presidente da Turquia ajudou em negociação de Kanté

Na última terça (3), o Fener criticou o time saudita porque preencheu incorretamente o TMS (Sistema de Correspondência de Transferências). ” As transações não puderam ser concluídas dentro do prazo de registro de transferências, independentemente do nosso clube”, disse, em comunicado.

— Consequentemente, foi solicitada uma prorrogação, as discussões necessárias foram realizadas com a FIFA pelo nosso clube e todas as medidas foram tomadas para resolver o problema. Apesar disso, o clube adversário não concluiu as transações sem nos apresentar qualquer justificativa.

A reviravolta na negociação aconteceu por uma coincidência. Neste momento, Erdogan está em visita oficial ao príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman em Riyad, na Arábia Saudita.

O chefe do governo turco, torcedor do Fenerbahçe, aproveitou sua estadia no território saudita e ajudou o time do coração. Segundo informações do jornalista turco Burak Dogan, um membro da diretoria dos Canários contou a situação para um membro da delegação do presidente turco que está em território saudita.

Essa pessoa informou Ergodan, que devolveu a questão para Bin Salman. “O príncipe saudita instruiu o Al-Ittihad Club e a Federação Saudita de Futebol a reabrir as negociações e concluir o processo”, disse o repórter em publicação na rede social X (ex-Twitter). O Al-Ittihad que Kanté defendia é um dos quatro clubes locais controlados pelo Fundo Soberano Saudita, pertencente à família real.

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan
O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (Foto: Imago)

O impacto da influência do presidente da Turquia foi tamanha que o mandatário do Fernerbahçe, Sadettin Saran, o agradeceu em comunicado.

— Em meu nome e em nome do clube, gostaria de expressar minha gratidão ao nosso presidente, Sr. Recep Tayyip Erdoğan, pelo seu importante apoio para que este processo chegasse a uma conclusão positiva, que contribuirá para o desenvolvimento tanto do Fenerbahçe quanto do futebol turco –escreveu em comunicado.

Kanté também teve um papel importante ao se recusar a treinar pelo time saudita, pressionando os dirigentes, conforme relatos locais.

Erdogan, criticado por decisões autoritárias e há mais de 22 anos no poder na Turquia — chamado de autocrata ou ditador por especialistas –, tem se aproximado da nação asiática.

Em março de 2023, o Fundo Saudita para o Desenvolvimento assinou um acordo para depositar US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) no Banco Central da Turquia.

Quando a realização da Supercopa Turca foi cancelada porque jogadores de Fenerbahçe e Galatasaray entraram em campo com camisa de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República da Turquia, Erdogan criticou os clubes por supostamente quererem separar o país com “provocações e retórica maliciosa”.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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