Europa

Didi Constantini não deixará saudades

Quem acompanha a coluna sabe que a demissão de Dietmar “Didi” Constantini do cargo de técnico da seleção da Áustria era uma questão de tempo. Desde março, quando perdeu para Bélgica e Turquia pelas eliminatórias da Eurocopa 2012, seu trabalho vinha sendo fortemente questionado no país e cada vez mais o presidente da Federação Austríaca, Leo Windtner, era pressionado a dispensá-lo.

A demissão em si, da maneira tradicional como a conhecemos, não ocorreu. E nem vai ocorrer. Mas já é oficial que Didi não terá seu contrato renovado. O anúncio foi feito por Windtner numa entrevista coletiva em que esteve acompanhado do próprio treinador, algo bem estranho para os nossos padrões.

Didi ainda responderá pelo comando do ÖFB-Team nos dois jogos que restam para o término da fraca campanha nas eliminatórias: contra Azerbaijão (em 7 de outubro) e Cazaquistão (quatro dias depois), ambos fora de casa. Em novembro, no amistoso contra a Ucrânia, um novo técnico já estará no banco de reservas, mas seu nome ainda não foi divulgado.

Foram cruciais para que a Federação optasse pela saída de Constantini a goleada de 6 a 2 sofrida perante a Alemanha e, principalmente, o empate por 0 a 0 em casa diante da Turquia. Esses maus resultados valeram à Áustria o fim de qualquer esperança de chegar à repescagem do grupo no qualificatório para a Euro.

Somem-se a isso os velhos problemas que “consagraram” negativamente Didi – à frente da seleção desde março de 2009. Era teimoso, muitas vezes não convocava jogadores importantes (como Marko Arnautovic, do Werder Bremen e Roland Linz, do Áustria Viena) e comumente acusado de não ser um primor em termos táticos – embora mande bem quando o assunto é motivação do grupo.

23.º (ou antepenúltimo) da história

Se olharmos para as estatísticas, fica mais fácil entender porque o ainda-atual-mas-em-breve-ex-técnico da Áustria não terá seu contrato renovado. Sob o comando dele, a seleção entrou em campo 23 vezes, contando jogos oficiais e amistosos. Foram sete vitórias, três empates e 13 derrotas, o que significa aproveitamento de 34,7%, bem baixo para quem deseja chegar pelo menos ao pelotão intermediário do futebol europeu. Nesse período, o time marcou 29 gols e sofreu 42 (saldo negativo de 13).

Se analisarmos as passagens de todos os treinadores pelo cargo desde 1912 (e considerando somente aquelas em que houve a disputa de pelo menos cinco partidas), a presença atual de Didi na seleção foi apenas a 23.ª melhor da história.

Quando agrupamos as passagens de todos os técnicos pela seleção austríaca – já que vários treinadores, inclusive ele próprio, assumiram o comando do ÖFB-Team mais de uma vez –, Didi também ocupa a 23.ª posição no ranking histórico de aproveitamento (novamente, levando-se em conta somente aqueles que fizeram pelo menos cinco partidas no somatório das passagens). No caso dele, as outras oportunidades em que dirigiu o selecionado foram no final de 1991 (duas derrotas) e no final de 1993 (um empate).

Apenas dois treinadores tiveram desempenho inferior ao de Didi. Alfred Riedl , com 25% de aproveitamento entre setembro de 1990 e outubro de 1991 e Karel Brückner, com 23,8% de aproveitamento entre agosto de 2008 e fevereiro de 2009.

A dupla Felix Latzke e Georg Schmidt – que treinou junta a seleção entre março e julho de 1982 – é a dona do melhor aproveitamento da história: 66,6%.

Demorou demais

O que ficou mal contado nessa história toda é a demora da Federação Austríaca em tomar uma atitude para tentar interromper a má fase da seleção. Não se trata de eleger Didi Constantini o bode expiatório da crise, muito menos de achar que, sem ele, a equipe tomará rumo como num passe de mágica. Mas era evidente que a figura do treinador já estava desgastada perante torcedores, imprensa e os próprios jogadores. E que mantê-lo não seria a melhor opção.

E mais estranha ainda é a decisão de iniciar o trabalho com o novo técnico somente em novembro. Ora, se Didi já está fora dos planos, por que fazê-lo trabalhar em dois jogos que nada valem ao invés de promover um novo treinador que pode começar a montar o time visando a disputa das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014?

Vale lembrar que a Áustria caiu num grupo bastante complicado e precisará jogar muita bola (passando por Suécia e Irlanda, por exemplo), para chegar à repescagem.

É por essas indefinições, que beiram o amadorismo, que há tempos a seleção austríaca não é tida nem mesmo como uma força razoável do continente.

Aproveitamento dos técnicos da seleção da Áustria
(considerando os que fizeram pelo menos cinco jogos)

CURTAS

ÁUSTRIA

– Não faltam especulações sobre o nome do homem que irá substituir Didi Constantini no comando da Áustria. Nos últimos dias, quem mais ganhou força foi Franco Foda, técnico do Sturm Graz, atual campeão nacional.

– O único consenso que parece haver é de que o novo técnico precisa ser austríaco ou alemão (por causa da língua) e conhecer muito bem o futebol do país. Por mais óbvio que pareça, o presidente da Federação, Leo Windtner, declarou isso antes mesmo de demitir Didi.

– A fase de grupos da Liga Europa começa na quinta-feira (15). Dois austríacos estreiam em casa: o Áustria Viena (contra Metalist) e o Sturm Graz (diante do Lokomotiv Moscou). O Red Bull Salzburg vai à França encarar o Paris Saint-Germain.

– Um selo especial foi lançado em comemoração ao centenário do Campeonato Austríaco, comemorado nesta temporada – considerando os anos em que a Áustria esteve anexada à Alemanha.

– O Red Bull Salzburg segue invicto na ponta da Bundesliga, agora com 15 pontos. No sábado, pela sétima rodada, bateu o Kapfenberg fora de casa por 3 a 1.

– Quem surpreende é o Admira, vice-líder com 14 pontos e que passou pelo atual campeão Sturm Graz, em casa, vencendo por 4 a 2.

– A rodada teve ainda: Wacker Innsbruck 0 x 5 Ried, Rapid Viena 1 x 1 Mattersburg e Wiener Neustadt 1 x 1 Áustria Viena.

– Na Erste Liga, a ponta segue com o St. Andrä, que tem 22 pontos, dois a mais que o Altach. Pela 11.ª rodada da competição, os líderes empataram por 3 a 3 com o Grödig (6.º colocado), na casa do adversário.

SUÍÇA

– A Suíça está de volta à briga por uma vaga na repescagem nas eliminatórias da Euro. Com a vitória por 3 a 1 sobre a Bulgária (três gols de Xherdan Shaqiri) e a derrota de Montenegro para o País de Gales, a Nati está apenas três pontos atrás dos montenegrinos, atuais vice-líderes do grupo G.

– Como na próxima rodada, em 7 de outubro, a Suíça vai a Gales enfrentar o pior time da chave e Montenegro recebe a Inglaterra, projeta-se uma decisão em confronto direto marcado para a última rodada, entre Suíça e Montenegro, dia 11 de outubro, na Suíça.

– A vitória suíça foi construída de virada. Foi a primeira vez que o time conseguiu reverter um placar depois de sair perdendo desde abril de 2004.

– O Basel estreia na fase de grupos da Liga dos Campeões na quarta-feira (14), em casa, contra o Otelul Galati, da Romênia. Será o jogo menos difícil dos seis que os RotBlau disputarão.

– Único suíço na fase de grupos da Liga Europa, o Zürich recebe o Sporting na quinta-feira (15).

– Jogando em seu estádio, o Luzern fez 3 a 1 sobre o Zürich no sábado (10), pela oitava rodada da Super League, e manteve a liderança da competição. A equipe tem 18 pontos ganhos, quatro a mais que o Thun, segundo colocado.

– A surpresa da rodada foi a vitória da Neuchâtel Xamax por 2 a 0 diante do Grasshopper. O Xamax é o time administrado pelo milionário checheno Bulat Chagaev, abordado pela coluna na semana passada.

– Os demais resultados da rodada foram: Servette 0 x 4 Basel, Lausanne 0 x 3 Young Boys e Thun 0 x 3 Sion.

– Na Challenge League, destaque o St. Gallen, que venceu o Brühl fora de casa por 3 a 1 e segue em primeiro lugar, após sete rodadas.
 

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Equipe Trivela

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