Europa

Corredor polonês

É notória a dependência que Michel Platini teve dos votos do Leste Europeu para se eleger presidente da Uefa. Sem o apoio de nações periféricas do futebol no Velho Continente, o francês permaneceria hoje na oposição. Com isso, a escolha de Polônia e Ucrânia para sediarem a Eurocopa de 2012 foi apenas uma consequência dessa política adotada. No entanto, se pudesse voltar atrás em algumas decisões, certamente Platini recuaria em alguns pontos.

Os escândalos de corrupção no futebol polonês atingiram um nível tão assustador, que quase deixaram de se tornar notícia. Ou seja, perderam o ineditismo. A última temporada na Polônia em que o campeonato nacional terminou sem nenhuma punição foi 2005/06. Desde então, as entidades, clubes e jogadores se perderam completamente.

Nesta semana, o governo precisou agir novamente e optou por interferir no comando da federação polonesa. Uma decisão que, a priori, ainda pode render alguma punição da Fifa para o país, já que o órgão máximo do futebol mundial não aceita tal tipo de interferência.

De qualquer modo, o ministério de Esportes da Polônia suspendeu toda cúpula da direção da federação. Alegou envolvimento e ineficácia dos dirigentes no controle e combate a casos de corrupção no futebol local.

“Após a análise, entrei com uma moção no Tribunal Arbitral [ligado ao Comitê Olímpico Polonês] para suspender os dirigentes da federação e nomear um administrador. O tribunal decidiu que esta função será desempenhada por Robert Zawlocki”, garantiu Miroslaw Drzewiecki, ministro dos Esportes da Polônia. O político disse, também, que o país não será prejudicado na organização da Euro, e que uma carta foi enviada a Platini para lhe assegurar que tudo vai bem na preparação – o que, convenhamos, está longe de ser a realidade.

Nos últimos anos, cerca de 120 pessoas já foram indiciadas ou prestaram depoimento sobre alguma relacionamento com corrupção ou manipulação de resultados. Na temporada 2006/07, dos 16 times da primeira divisão, dois foram envolvidos em escândalos e acabaram rebaixados – Arka Gdynia e Górnik Leczna. No último campeonato, o número de clubes envolvidos diretamente aumentou: quatro foram rebaixados, no caso Zaglebie Sosnowiec, Widzew Lódz, Zaglebie Lubin e Korona Kielce.

Tudo isso prejudica toda evolução e desenvolvimento do futebol polonês. Mesmo com uma boa geração de atletas, a seleção não consegue obter bons resultados. Os atletas mais jovens são obrigados a deixar o país muito cedo e os clubes pouco, ou nada, faturam com as transferências. Acaba virando uma bola de neve de problemas resultantes de problemas.

Os clubes poloneses são mera formalidade para os adversários nas competições européias. Deixaram de ser páreo duro há muito tempo. Nesta temporada, na Liga dos Campeões, o Wisla Cracóvia até foi bem. Após eliminar o Beitar Jerusalém, caiu na terceira fase preliminar diante do Barcelona. Já na Copa Uefa, apenas Lech Poznan e o próprio Wisla seguem com chance de avançar para a fase de grupos. Na Intertoto, nenhum clube chegou à terceira fase.

Em resumo, são acontecimentos que mancham a história de uma nação que, se não é uma potência futebolística, ao menos já teve seus momentos de glória, principalmente na década de 70. Sob o comando de Lato, a Polônia foi terceira colocada na Copa de 1974 e ainda levou um ouro (72) e uma prata (76) nos Jogos Olímpicos – além de outro terceiro lugar no Mundial da Espanha, em 82.

Ao resto do continente, a maior preocupação é em relação à preparação da próxima Eurocopa, até porque a Ucrânia pode não passar pelos mesmos problemas, mas também carece de infra-estrutura e dinheiro. De qualquer modo, o que está em jogo é a manutenção da Polônia no rol de países sérios, que são capazes de organizar minimamente um torneio de futebol regional. Já que nos últimos anos, nem isso eles têm sido capazes de fazer.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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