Conference League

Resumão da Conference: PSV e Feyenoord honram a tradição, Bodo/Glimt segue como a sensação

Três clubes que já conquistaram a Champions League estarão nas quartas de final, enquanto Roma e Leicester são forças que avançam

As oitavas de final da Conference League não teriam grandes reviravoltas. Todos os times que venceram os jogos de ida conseguiram a classificação na volta. Nem todos passaram com conforto, a exemplo de Leicester e Roma, que correram riscos de enfrentar a prorrogação. Ainda assim, muitos favoritos se confirmaram – com as passagens ainda de equipes tradicionais como o Olympique de Marseille, o Feyenoord e o PSV. Slavia Praga e PAOK são representantes da porção oriental do mapa europeu. Já a surpresa continua com o Bodo/Glimt, que segue protagonizando uma rara campanha ao futebol norueguês, a primeira nas quartas de final continentais neste século. Dos oito classificados, três vieram repescados da Liga Europa, dois foram líderes de seus grupos na primeira fase e três terminaram na segunda colocação. O sorteio das quartas de final acontecerá nesta sexta.

O Leicester precisou superar as dificuldades contra o Rennes, mas se valeu da vitória na ida. Depois dos 2 a 0 para as Raposas no Estádio King Power, os 2 a 1 dos rubro-negros no Roazhon Park se tornaram insuficientes. Os franceses abriram o placar logo cedo, aos oito minutos, com Benjamin Bourigeaud completando na pequena área. A equipe da casa seguiu com a posse de bola, mas os ingleses se defendiam bem e empataram na volta do segundo tempo. Aos seis minutos, Wesley Fofana completou uma cobrança de escanteio de cabeça. O Rennes ressurgiu aos 30, com o segundo gol assinalado por Flavien Tait em chute no canto. A reta final teria pressão dos rubro-negros, mas o Leicester se segurou e contou com uma defesaça de Kasper Schmeichel para cumprir a missão.

A Roma também passou, mas com riscos até maiores no Estádio Olímpico. A vitória por 1 a 0 sobre o Vitesse na Holanda valeu ouro, já que o 1 a 1 na Itália seria salvo pelos romanistas nos acréscimos do segundo tempo. A primeira etapa não ofereceria muito futebol, apenas deixava expresso o desinteresse dos giallorossi, que davam a bola para os aurinegros e mal criavam no ataque. A postura do Vitesse rendeu o gol aos 17 da segunda etapa: uma pintura de Maximilian Wittek, pegando de primeira do meio da rua. Só então a Roma acordou e partiu para cima, com dificuldades. A sorte veio com o gol de Tammy Abraham aos 46, que também contou com a participação de Stephan El Shaarawy e Rick Karsdorp, dois que vieram do banco.

O Olympique de Marseille repetiu os 2 a 1 da ida contra o Basel, vencendo pelo mesmo placar na Suíça. O Basel começou melhor e dava trabalho a Steve Mandanda, mas o Olympique cresceu e poderia ter aberto o placar aos 35, num pênalti. Amine Harit sofreu e bateu, mas o goleiro Heinz Lindner defendeu. Os suíços seguiram na briga e abriram a conta aos 17 do segundo tempo, numa cabeçada de Dan Ndoye. Todavia, os franceses tiveram mais fôlego no fim. Aos 29, Gerson cruzou para Cengiz Ünder pegar de primeira e empatar. Já a virada saiu aos 48, num bom lance entre Gerson e Matteo Guendouzi, para uma pancada de Valentin Rongier rumo às redes.

A maior goleada foi aplicada pelo PSV. Depois do insano 4 a 4 em Eindhoven contra o Copenhague, na Dinamarca só os Boeren marcaram e fizeram um confortável 4 a 0. O primeiro gol saiu logo aos dez minutos, num passe de Mario Götze para Eran Zahavi definir, contando com a colaboração do goleiro. Antes do intervalo, seria a vez de Götze aparecer na pequena área e concluir o passe de Philipp Max. A conta dobrou no segundo tempo, com o terceiro feito numa ótima troca de passes, para mais um de Zahavi. Por fim, nos acréscimos, Noni Madueke deixou o seu num tiro colocado.

O único time a passar pela prorrogação na Conference foi o Bodo/Glimt, que continua fazendo história. A vitória por 2 a 1 na Noruega seria revertida pelo AZ em Alkmaar, mas os aurinegros buscaram um gol decisivo para os 2 a 2 no tempo extra. Em grande momento na Eredivisie, o AZ ditou o ritmo nos primeiros minutos e abriu o placar aos 18. Bruno Martins Indi lançou Vangelis Pavlidis, que driblou o perdido goleiro Nikita Haikin fora da área e marcou. O empate do Glimt não tardou, aos 25, com Amahl Pellegrino completando uma sobra na área. Mas os alvirrubros ainda eram melhores e retomaram a diferença aos 30, com Pavlidis punindo o cochilo da marcação. Os noruegueses não conseguiram apresentar a força ofensiva de outras ocasiões e viviam de espasmos. Os holandeses quase fizeram mais um no segundo tempo, em chutaço de Jesper Karlsson que pegou na junção da trave. O gol de empate saiu no fim do primeiro tempo extra, em cruzamento de Hugo Vetlesen para Alfons Sampsted desviar sozinho. O AZ ainda poderia ter forçado os pênaltis, mas Martins Indi perdeu uma cabeçada livre no último lance.

O PAOK merece reconhecimento pela autoridade contra o Gent. Depois da vitória por 1 a 0 na Grécia, a Águia de Duas Cabeças também ganhou na Bélgica por 2 a 1. O Gent pressionou durante todo o primeiro tempo, mas o primeiro gol foi do PAOK, com José Ángel Crespo marcando aos 20 depois de um escanteio brigado. Os belgas empataram aos 40, quando Laurent Depoitre acertou uma cabeçada no canto. O segundo tempo ainda viu os azuis com mais iniciativa, mas o ritmo da equipe caiu e os alvinegros fizeram o gol do triunfo aos 32. Vieirinha cobrou falta ensaiada e Douglas Augusto se desmarcou na entrada da área para bater de primeira, no canto.

O Feyenoord construiu o maior placar agregado das oitavas de final. Após golear o Partizan Belgrado por 5 a 2 na Sérvia, o clube de Roterdã também fez 3 a 1 no De Kuip. O time da casa mandou na primeira etapa e abriu a contagem aos 45, numa falta cobrada por Jens Toornstra que desviou nas costas de Cyriel Dessers. No início do segundo tempo, o segundo saiu num contra-ataque concluído por Reiss Nelson. Ricardo Gomes até descontou ao Partizan num tiro de fora, mas Bryan Linssen daria números finais numa pancada aos 45.

Por fim, o jogo mais maluco aconteceu na Áustria, onde a derrota não atrapalhou a classificação do Slavia Praga. Os alvirrubros já tinham anotado 5 a 1 na República Tcheca e chegaram a abrir um 3 a 1 na volta, mas o LASK Linz buscou uma inimaginável virada por 4 a 3, com os dois últimos gols depois dos 43 do segundo tempo. O Slavia marcou o primeiro aos 24 da primeira etapa, num bonito chute de Peter Olayinka. Por mais que Philipp Wiesinger tenha empatado aos 36, num gol feíssimo, Alexander Bah retomou a vantagem dos tchecos no minuto seguinte. Todavia, os alvirrubros terminaram o primeiro tempo com um a menos, após a expulsão de Aiham Ousou. Yira Sor, que já tinha feito uma jogadaça para o segundo tento, marcou o terceiro do Slavia aos 17 do segundo tempo, numa grande arrancada. Isso até que Wiesinger descontasse de novo aos 36, num chute de longe que contou com a colaboração do goleiro. Aos 40, os sérvios ficariam com nove homens, depois que Srdan Plavsic recebeu o vermelho direto. Isso reavivou o LASK, que empatou aos 43 com Andreas Gruber e virou aos 44 com Alexander Schmidt. Só era tarde demais para buscar mais três gols para forçar a prorrogação.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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