Conference League

Por mais que a derrota doa, esse Feyenoord indica potencial para fazer mais nos próximos anos

Com um bom treinador e uma equipe titular bastante jovem, o Feyenoord indica margem de evolução ao menos pensando no futebol holandês

A frustração é um sentimento irremediável depois de uma final perdida, mais ainda depois de uma final continental que o clube não vivia há 20 anos. A ferida do Feyenoord vai levar um tempo para cicatrizar e o consolo é pouco para qualquer lição positiva que se tire desta campanha na Conference League. Mas, de fato, foi positiva. O Stadionclub evoluiu bastante como time ao longo da temporada, superou expectativas em nível de desempenho e ofereceu algumas das melhores atuações da competição. Que seja difícil retornar a uma decisão europeia em breve, a sensação é de que esse grupo pode mais. Tem margem de evolução.

O Feyenoord passou abaixo no radar durante grande parte da temporada. Não era o time mais cotado na Conference, mesmo que derrotasse adversários duros. Acabava eclipsado por Ajax e PSV em seu país. De fato, existiam motivos para desconfiar de uma equipe que sofreu para eliminar seu adversário kosovar no início da campanha continental. Mas a consistência cresceu, o grupo se azeitou e vários valores individuais despontaram num time bastante agressivo. A vaga na decisão em Tirana veio com todos os méritos.

A impressão derradeira na Conference é que acaba não sendo boa. Foi uma partida abaixo do Feyenoord contra uma Roma que amarrou a partida e levou o duelo na temperatura que desejava. O Stadionclub melhorou no segundo tempo e forçou milagres de Rui Patrício, assim como esbarrou na trave. Mas não foi tudo aquilo que o time poderia fazer, até pelo nível de algumas das exibições nas fases anteriores. A oportunidade só aparece uma vez e, no fim das contas, os holandeses não aproveitaram. Mas podem criar outras oportunidade.

O time do Feyenoord é essencialmente jovem. Dos 11 titulares em Tirana, oito não passam dos 25 anos. Nem todos devem ficar no clube, mas há uma espinha dorsal bem estabelecida para deslanchar. Justin Biljow é o melhor goleiro holandês no momento. Marco Senesi foi disputado pelas seleções de Argentina e Itália. Lutsharel Geertruida e Tyrell Malacia são dois laterais de grande potencial, sobretudo o segundo, o melhor em campo da equipe contra a Roma. Orkun Kökçü é um volante de técnica acima da média, Guus Til se descobriu como destaque em Roterdã. Luis Sinisterra é um poço de habilidade, talvez o melhor jogador desta Conference. Reiss Nelson, apenas emprestado, potencializou o ataque.

Esse Feyenoord, que ainda não competiu de verdade com Ajax e PSV, já conseguiu a segunda melhor campanha do clube na Eredivisie durante os últimos 15 anos, só abaixo da pontuação do título em 2016/17. Num momento em que os dois principais concorrentes passam por mudanças no comando, existe uma perspectiva de que as distâncias se encurtem e que o Stadionclub possa fazer ainda mais na Eredivisie. No papel, os dois rivais possuem elenco mais badalados e qualificados. Porém, a própria temporada deixa impressões bem mais favoráveis no Estádio de Kuip.

E o principal fator para esperar mais desse Feyenoord está em Arne Slot. O treinador está basicamente no segundo trabalho da carreira e já fez coisas grandes. Montou um AZ surpreendente e o mesmo pode se dizer em relação ao Stadionclub. O holandês de 43 anos não engrenou de imediato, mas proporcionou essa evolução tão rápida de seu elenco. Fez uma equipe de encher os olhos em tantos momentos. E, mesmo que chame atenção para passos maiores na carreira, tende a ficar em Roterdã por mais um tempo. É bom o Feyenoord aproveitar, porque ele também tem potencial para crescer em breve.

Nem sempre os times que antecipam grandes feitos conseguem realmente dar passos maiores e o risco de um desmanche no mercado de transferências também não é descartado, pela forma como alguns jogadores passam a atrair mais interessados. Porém, se o Feyenoord conseguir preservar a estrutura de 2021/22, não é difícil imaginar que 2022/23 possa garantir uma taça. Não numa competição continental, mas nos torneios domésticos, que também escapam na história recente do clube. As derrotas, por mais que doam, também oferecem importantes experiências e podem ensinar caminhos para que as vitórias venham no futuro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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