Conference League

O Feyenoord recobra a sua grandeza continental, ao amarrar o Olympique e avançar à decisão da Conference

O Feyenoord se valeu da emocionante vitória no De Kuip para, dentro do Vélodrome, segurar o empate com muita solidez defensiva

O Feyenoord é um gigante continental. E não poderia deixar de ser, para quem conquistou uma vez a Champions e ainda conta com dois troféus da antiga Copa da Uefa (atual Liga Europa) em seu museu. O Stadionclub passou os últimos 20 anos fora do pódio nos torneios europeus, desde que levou a Copa da Uefa em 2001/02. Mas, se a Conference League surgiu como uma nova oportunidade oferecida pela Uefa, os holandeses trataram de agarrar. Algumas das partidas mais emocionantes do certame foram oferecidas pelo time de Arne Slot. Até que, na semifinal, o Feyenoord se impusesse contra um adversário de peso como o Olympique de Marseille. A ida no Estádio De Kuip, com o emocionante triunfo por 3 a 2, se provou determinante. Na volta, o clube de Roterdã não se intimidou com a atmosfera no Vélodrome e amarrou os anfitriões, com um empate por 0 a 0 gerado pela ótima atuação defensiva dos visitantes. Os holandeses irão à final contra a Roma, no dia 25 de maio, em Tirana.

O Olympique de Marseille buscou uma pressão inicial, mas o Feyenoord conseguiu controlar a posse. Não demorou para os marselheses tomarem as rédeas da partida, buscando principalmente as pontas, mas com dificuldades de penetrar dentro da área. A marcação compacta do Stadionclub não concedia espaços. Aos 21, Dimitri Payet conseguiu a primeira boa finalização, mas mandou por cima do travessão. Enquanto isso, os holandeses sequer armavam seus contragolpes.

Uma notícia ruim para o Olympique veio aos 33 minutos, quando Payet se lesionou e precisou deixar o campo. O craque atuava como falso 9 e Jorge Sampaoli preferiu botar em campo um centroavante de ofício, Arkadiusz Milik. O centroavante logo acertou sua primeira cabeçada, agarrada pelo goleiro Ofir Marciano. No entanto, o duelo ficou mais aberto na sequência e o Feyenoord se soltou. Cyriel Dessers quase causou problemas num contragolpe aos 39, mas Gérson bloqueou a finalização de Guus Til. A intensidade aumentaria um pouco mais antes do intervalo, com o jogo ficando também mais pegado e cartões amarelos sendo distribuídos.

O Feyenoord retomou o segundo tempo mais ligado e Luis Sinisterra apareceu, em cabeçada bem defendida por Steve Mandanda. Logo o Olympique de Marseille se imporia no campo de ataque, ganhando volume de jogo com a mudança tática permitida pela entrada de Pol Lirola na vaga de Pape Gueye. O problema dos celestes era mesmo criar diante de uma defesa muito atenta dos holandeses. Até por isso, o time ganhou mais presença de área aos 17, com Cédric Bakambu suplantando Ahmadou Bamba Dieng. Muito contido, o Stadionclub só voltaria a atacar aos 22, num escanteio. Gernot Trauner assustou numa batida por cima da meta.

O Feyenoord trocou Sinisterra por Bryan Linssen aos 29. Independentemente disso, o jogo se passava no campo de ataque do Olympique de Marseille. A tensão se tornava palpável e começaram pequenas confusões entre os times, além de lances mais duros. Isso era bom aos marselheses, que se agarravam às bolas paradas. Aos 32, Pol Lirola teria a chance de bater na área e viu seu tiro ser bloqueado. Cengiz Ünder seria outra alternativa de ataque a sair do banco para os franceses, aos 35. Era preciso acionar todas as armas, porque os celestes não criavam oportunidades condizentes ao seu volume.

O final da partida se tornou uma grande trocação. E não que isso fosse favorável para o Olympique de Marseille. A entrada de Alireza Jahanbakhsh deu mais alternativa ao Feyenoord nos contragolpes e os holandeses tiveram algumas chances de matar o jogo, especialmente com o iraniano. O substituto pararia em Mandanda, enquanto outros bons avanços do Stadionclub foram desarmados no último momento. Os marselheses ainda apelavam ao chuveirinho, o que não deu certo diante da maneira como os visitantes defendiam ferrenhamente sua área. E foram eles que comemoraram o apito final no Vélodrome.

A eliminação do Olympique de Marseille é frustrante por alguns fatores. A queda acontece em casa e o time de Jorge Sampaoli esteve distante de apresentar seu melhor futebol nesta noite. A lesão de Payet pesou muito e outros tantos jogadores em campo não supriram a ausência. Contudo, mais doloroso é o contexto de um clube que tantas vezes chega longe nos torneios continentais, mas não leva a taça desde aquela Champions de 1992/93. Por outro lado, o Feyenoord entrou na Conference falando baixinho e se mostrou um time muitíssimo competente ao longo do torneio. Tem recursos ofensivos para jogos emocionantes e dessa vez também mostrou como sabe se proteger na defesa quando necessário. Foi o que pesou para a classificação.

O Feyenoord vai à sua quarta decisão continental, a primeira em 20 anos. O Stadionclub possui um retrospecto a honrar e é um dos raros clubes com 100% de aproveitamento em finais. Também é bacana ver esse renascimento dos holandeses nas competições europeias, num processo que deixa de ficar restrito aos sucessos recentes do Ajax. O Stadionclub apresentou futebol o suficiente para ser aplaudido e para bater de frente contra a Roma, por mais que os adversários cheguem mais badalados para a final.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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