Conference League

Num jogo de tirar o fôlego, o Feyenoord premiou sua torcida com a eletrizante vitória sobre o Olympique

Num jogo cheio de emoção e oportunidades de gol, o Feyenoord conseguiu ser mais preciso para sair em vantagem na semifinal da Conference

Feyenoord e Olympique de Marseille se orgulham de figurar na galeria de vencedores da Champions League. Faz um tempo que os dois clubes tradicionalíssimos competem em outro nível nas competições europeias, mas a Conference League proporciona um sentimento de grandeza em ambas as torcidas. E o primeiro duelo pelas semifinais do torneio, dentro de um pulsante Estádio De Kuip, seria digno desse passado. Holandeses e franceses fizeram um jogaço, repleto de gols e oportunidades – embora muitas desperdiçadas. O Olympique perdia chances claras, quando o Feyenoord foi mais efetivo e abriu dois tentos de vantagem. Os marselheses se reergueram e buscaram o empate antes do intervalo, mas derraparam e entregaram um gol logo no recomeço do segundo tempo. Depois disso, qualquer um dos lados poderia ter feito mais. Mas, no fim das contas, o clube de Roterdã comemora os 3 a 2 diante de sua torcida e dá um passo importante em busca de sua primeira final europeia em 20 anos.

Seria uma partida muito intensa em Roterdã, desde os primeiros minutos de jogo. O Feyenoord teve mais volume de jogo em períodos mais longos, pressionando a saída de bola do Olympique de Marseille. Cyriel Dessers conseguiu a primeira oportunidade da equipe, em boa posição na área, mas chutou torto. Enquanto isso, os marselheses golpeavam nos contra-ataques. Os celestes perderam duas chances de ouro com Ahmadou Bamba Dieng, ambas no mano a mano após passes de Dimitri Payet. Na primeira, o ponta chutou em cima do goleiro Ofir Marciano e, depois, tentou tirar do arqueiro, mandando ao lado da trave.

O Feyenoord podia não ter acertado o alvo ainda, mas seria fatal a partir dos 18 minutos, com o primeiro gol. A jogada teve grandes méritos de Luis Sinisterra. Num lançamento longo, o colombiano matou no peito e ajeitou com estilo, de calcanhar, para Cyriel Dessers, que passava em velocidade. O centroavante invadiu a área e superou Steve Mandanda. Dois minutos depois, o Stadionclub já anotou o segundo. Reiss Nelson partiu em velocidade pela direita, com muita liberdade, e esperou o tempo certo para o passe rasteiro. Achou Sinisterra dentro da área, para o colombiano chutar com desvio e não dar chances a Mandanda.

O Olympique de Marseille levou um tempo para assimilar o baque. A equipe voltou ao jogo com 28 minutos, quando descontou. Os celestes trocaram passes rápidos e envolveram a defesa do Feyenoord. Gérson botou no peito de Bamba Dieng e, desta vez, o senegalês não desperdiçou: abriu para o chute e já engatilhou de fora da área, mandando no canto aberto de Marciano. Apesar do tento, o Stadionclub não deixava de ser perigoso. Orkun Kökçü chegaria a mandar um tiro de fora que lambeu a trave. Os holandeses tinham boa movimentação, em especial com Sinisterra e Nelson pelas pontas. Porém, o Olympique buscou o empate em mais uma estocada, aos 40. Payet abriu com Matteo Guendouzi, que cruzou rasteiro para a pequena área. Marciano desviou e, com a meta aberta, Gérson encheu o pé na sobra. Ainda restou um tempo para o Feyenoord responder e Mandanda parou Dessers no mano a mano, em lance impedido. A balança, de qualquer forma, pendia aos franceses.

Para quem tinha dúvidas se o segundo tempo também seria cardíaco, dez segundos bastaram para que as redes balançassem novamente. Seria um presente de Duje Caleta-Car para o Feyenoord, logo na saída de bola. O zagueiro recuou uma bola muito curta para Mandanda e Dessers roubou no meio do caminho. Passou pelo goleiro e tocou à meta vazia, para retomar a vantagem aos holandeses. Mais uma vez, o Olympique de Marseille demorou a apresentar organização e criar bons lances. O duelo vivia seu momento mais travado. O Stadionclub até parecia ter mais recursos quando trabalhava pelos lados.

Um pouco mais de emoção aconteceu depois dos 20. Bryan Linssen, que tinha acabado de sair do banco, chutou para fora depois de mais uma bobeira de Caleta-Car. Do outro lado, quando Bamba Dieng engatilhou o chute na área, Tyrell Malacia executou um carrinho espetacular para desarmá-lo. E logo Jorge Sampaoli optou por tirar Caleta-Car, com a entrada de Amine Harit dando mais qualidade na ligação. Os marselheses voltavam a crescer nesta fase da partida, sitiando o campo adversário e conseguindo faltas para mandar a bola na área. Em uma dessas, mesmo com pouco ângulo, Payet chutou com pouco ângulo e Marciano defendeu. O respiro dos holandeses aconteceu num ataque rápido aos 31, com Dessers parando em Mandanda.

Depois disso, o jogo se resumiria a um ataque contra defesa. O Feyenoord recuou, empurrado pela pressa do Olympique de Marseille para buscar o empate. Os celestes alçavam bolas na área e procuravam alguma brecha, mas William Saliba cabeceou mal aos 37. Dois minutos depois, Bamba Dieng recebeu mais um lançamento com espaço na área e finalizou em cima de Marciano. O senegalês logo deu lugar a Arkadiusz Milik, que garantiria presença de área para um abafa final. A tônica era a da busca pelo empate. Marciano não deixou, com uma defesaça aos 45, desviando um tiro colocado de Payet que tinha endereço. Já nos acréscimos, dava para o Stadionclub marcar o quarto num contra-ataque. Alireza Jahanbakhsh ficou de frente com Mandanda e não bateu bem, apesar dos méritos do arqueiro. A tensão prevalecia, com os últimos suspiros dos franceses, até que os holandeses finalmente pudessem comemorar a pleno.

Numa temporada em que vinha sendo eclipsado por Ajax e PSV, o Feyenoord é quem melhor representa a Holanda além das fronteiras, e apresenta recursos. O elenco é bom, o time atua em alta rotação e alguns jogadores parecem prontos a estourar – com menção especial às mágicas de Luis Sinisterra nesses mata-matas da Conference. O Olympique de Marseille, todavia, possui um elenco mais experimentado e também seu caldeirão no Vélodrome. Payet e Gérson tiveram bons lampejos em Roterdã, mas podem fazer ainda mais para a reviravolta em Marselha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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