Conference League

Não deu nem pra piscar durante o eletrizante Feyenoord 3×3 Slavia Praga, com duas viradas e gol no último lance

O Feyenoord era melhor na partida e parecia ter a vitória nas mãos, mas o Slavia lutou e renasceu no estouro dos acréscimos

Feyenoord e Slavia Praga são clubes de muita tradição, que levam a Conference League a sério e protagonizam boas campanhas na edição inaugural do torneio. Os dois se enfrentaram na fase de grupos e se reencontraram nas quartas de final. Os velhos conhecidos, então, proporcionaram uma partida eletrizante no Estádio De Kuip. Foi um daqueles duelos em que não era possível se descuidar em campo e nem desgrudar os olhos das ações. Os holandeses abriram o placar logo cedo e eram bem melhores no primeiro tempo, mas cederam a virada no meio da segunda etapa. Na reta final, porém, o Stadionclub renasceu e provocou nova reviravolta no placar, retomando a dianteira. Tudo decidido? O Slavia não se entregaria. E, no último ataque, segundos após o fim do tempo adicional, saiu o tento salvador dos tchecos. O empate por 3 a 3 coroou o épico em Roterdã.

A partida se caracterizou pela intensidade e pegada desde os primeiros movimentos. Aos dez minutos, o Feyenoord deu um passo à frente com o primeiro gol. Num escanteio cobrado pelo Slavia, os holandeses construíram um contra-ataque veloz puxado por Reiss Nelson, até que Luis Sinisterra recebesse na esquerda. O ponta partiu para cima da marcação e, depois de abrir espaço na área, bateu no contrapé do goleiro Ondrej Kolar. Os tchecos tentaram responder pouco depois com Yira Sor, que errou o alvo por pouco. Porém, o Stadionclub tinha o domínio e quase ampliou aos 19, quando Orkun Kökçü mandou uma pancada no travessão.

A velocidade do Feyenoord atordoava o Slavia Praga. Tyrell Malacia bateu com muito perigo ao lado da trave aos 26, antes que o infernal Sinisterra forçasse defesa de Kolar aos 30. Só depois disso é que o Slavia encaixou sua marcação e, sem correr tantos riscos, avançou em campo. Movimentando melhor a bola no ataque, os tchecos passaram a ameaçar, até que o gol saísse aos 41. Peter Olayinka recebeu a abertura na esquerda e tentou duas vezes, com pouco ângulo, até mandar a bola em direção ao gol. Sor ainda estava em cima da linha para tentar completar, mas não tocou. O lance difícil deixou dúvidas se era legal, mas, sem VAR na Conference, a arbitragem validou. A reta final ficou mais brigada e, na saída de campo, houve uma grande confusão entre os times.

O Feyenoord retomou a partida na pressão. Logo aos três minutos, Guus Til fuzilou dentro da área, com desvio, e Kolar realizou uma defesaça para salvar o Slavia. Depois, o Stadionclub teve uma sequência de escanteios. Contudo, o equilíbrio voltaria a imperar e os tchecos rondaram a virada. Sor deu um aviso aos 21, ao aparecer livre e finalizar ao lado da meta. Um minuto depois, o atacante não perdoou. A bola rodou a área holandesa duas vezes, até que Ivan Schranz cruzasse da linha de fundo e o garoto completasse na pequena área, para assinalar o segundo gol alvirrubro.

Pouco antes do tento, o Feyenoord havia acionado seu banco, com as entradas de Cyriel Dessers e Jens Toornstra dando mais força ao ataque. E o empate saiu aos 29, com participação dos substitutos. Numa ótima trama pela esquerda, Dessers escapou pela linha de fundo e cruzou para Marcos Senesi escorar de barriga para as redes. O confronto estava totalmente aberto. Dois minutos depois, o Slavia poderia fazer o terceiro, quando Olayinka subiu sozinho na área e mirou o canto, mas viu a cabeçada passar lambendo a trave. Os holandeses, porém, tinham mais presença ofensiva e a entrada de Alireza Jahanbakhsh deu ânimo ao time.

O Feyenoord desvirou o placar aos 41 minutos, graças a uma bola parada. Em cobrança de falta pela direita, Kökçü bateu direto e acertou o canto inferior. Contou também com a colaboração do goleiro Kolar, que errou o movimento e deixou uma bola relativamente fácil passar por seus braços, em falha gritante. Restava pouco tempo para o Slavia tentar outra reação. O Stadionclub, de qualquer forma, não estava morto e teria algumas escapadas ao ataque, inclusive reclamando de um pênalti. Isso também conteve os tchecos. Nos acréscimos, Sinisterra assustou de novo, em chute ao lado da meta. Só que, no último minuto, o abafa dos tchecos deu certo. O empate saiu no último lance, quando o tempo adicional acabava de estourar. No meio da confusão após um escanteio, os visitantes insistiram até Ibrahim Traoré completar de calcanhar. Era o fim épico ao jogaço.

Pela bola apresentada em campo e pelas campanhas no torneio, dá para esperar qualquer coisa no reencontro em Praga. E as chances de um jogaço são enormes, pela intensidade e pela vontade das duas equipes nesta quinta. Ainda assim, o resultado favorece mesmo o Slavia. O Feyenoord foi melhor ao longo dos 90 minutos, mas caiu no último instante. Os tchecos saem com um empate valiosíssimo e terá o apoio de sua torcida na volta.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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