Conference League

Clubes celebram a Conference League: “Este torneio genuinamente ajuda as nações mais fracas”

Nova competição da Uefa começou antes mesmo do fim da Eurocopa e já tem movimentado clubes e sonhos de torcedores, além de distribuir mais dinheiro aos clubes menores

Muita gente torceu o nariz quando a Uefa anunciou a Conference League, ainda em 2019. Por que outra competição, afinal? A ideia, porém, não era nova. Durante muitos anos, a Uefa teve três (ou até mais) competições, como a Recopa, ou a Copa dos Campeões de Copas, que foi disputada de 1960 a 1999. A Conference League tem um objetivo bastante interessante: permitir que os clubes de países menores tenham mais vida nas competições europeias. Isso é um objetivo esportivo, mas também financeiro.

A Uefa é uma entidade imensa, com 55 federações. A Champions League é uma competição de elite que, para a enorme maioria desses países, só o campeão disputa. Restava a Liga Europa, mas muitos desses clubes eram eliminados rapidamente. É para esses clubes que a Conference League foi pensada. Para eles, será a chance de avançar uma, duas, talvez três fases. Para alguns, será a chance de um título europeu, algo que seria impensável em outro nível.

Sim, é verdade, o Tottenham se classificou e muito provavelmente estará espumando de raiva de ter que jogar. Os ingleses não valorizam, historicamente, as competições no exterior, ainda mais competições novas. Vamos lembrar que os ingleses não valorizavam nem mesmo a Copa do Mundo, até tomaram uma traulitada histórica da Hungria.

Foi só naquele 6 a 3 que a Hungria de Ferenc Puskás impôs, em pleno Wembley, que fez os ingleses perceberem que não bastava mais se proclamar a melhor seleção do mundo. Porque não era mais verdade. Era preciso disputar as competições e provar isso. Por isso, talvez o Tottenham olhe torto, mande reservas, talvez até o time sub-21. Mas a Conference League não é mesmo para o Tottenham, finalista da Champions League em 2019. É para outros clubes. Clubes que já entraram em campo e estão em atividade buscando vagas nas próximas fases. O

A Euro 2020 mal tinha começado e a Conference League fez a sua estreia na Europa. Os primeiros jogos da fase preliminar da competição aconteceram no dia 6 de julho, cinco dias antes da final do torneio. Esta primeira fase já foi disputada e já estamos na segunda, que começa a disputa nesta semana.

“Nós queremos tornar as nossas competições mais inclusivas. Dar aos clubes e torcedores a chance de sonhar e competir por honras europeias”, afirmou o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, quando o torneio foi lançado. “Nós temos 55 federações nacionais que fazem a Uefa e é importante dar aos clubes do maior número possível de federações uma possível chance de prolongar suas campanhas europeias por mais longo que for possível”.

“Não é apenas propaganda, este torneio genuinamente ajuda as chamadas nações mais fracas. Dá a você a chance de fazer uma campanha europeia e mesmo que você não chegue à fase de grupos, chegar a uma fase extra ou duas antes pode fazer uma enorme diferença ao clube no nosso nível. Eu não tenho nada de ruim para falar sobre o torneio”, disse Tommy Higgins, presidente do Sligo Rovers, da Irlanda, em entrevista ao Guardian.

Olha que o Sligo Rovers não tem muito o que comemorar em termos de avançar na competição. O time foi eliminado na última semana em confronto com o FH Hafnarjordur, da Islândia. O time islandês ganhou € 150 mil por ter avançado na primeira fase preliminar e vai enfrentar o Rosenborg, da Noruega na segunda. Quem avançar neste duelo ganhará outros € 350 mil.

Os clubes noruegueses, aliás, reclamaram da Conference League, inicialmente ao menos. Isso porque queriam jogar a Liga Europa. A Uefa determinou que os países fora dos 15 primeiros colocados do ranking da entidade que não eram campeões deveriam jogar não na Liga Europa, como era até então, mas na Conference League. Os clubes acharam que perderiam dinheiro.

As reclamações diminuíram quando viram que a premiação era similar. Este, aliás, foi o grande motivo de ver muitos clubes perceberem que seria uma boa chance de aumentar suas arrecadações. Quem entrar na fase de grupos da Liga Europa recebe, garantidos, € 3,63 milhões. Quem se classificar para a fase de grupos da Conference League receberá, garantido, € 2,94 milhões. Assim, os clubes fora dos 15 primeiros do ranking só jogariam a Liga Europa se caírem das fases preliminares da Champions League.

Um dos clubes que participa da competição é o Larne, da Irlanda do Norte. Há quatro anos, quando o atual presidente, Kenny Bruce, assumiu o cargo, o clube estava na segunda divisão do seu país. Passadas as quatro temporadas, está em uma competição europeia. E ele ressalta o quanto isso é importante.

“É absolutamente enorme”, disse Bruce. “Tem sido uma jornada incrível nas últimas quatro temporadas e agora estar neste novo torneio europeu é fantástico. Ele dá aos times de países menores a oportunidade de avançar mais e unir seus torcedores para que eles torçam em uma campanha europeia. É uma competição contra alguns dos times mais competitivos e ajuda a construir o seu clube e devolver mais à comunidade em termos de receitas que podem receber”.

“Obviamente chegar à Champions League é o objetivo final, mas a Conference League é um grande trampolim para conseguir o apoio dos torcedores e gerar receita”, afirmou ainda o presidente do Larne, que venceu o Bala, de Gales, na fase anterior com um empate por 0 a 0 fora e vitória por 2 a 0 em casa.  O Larne enfrentará o AGF, da Dinamarca, nesta semana, na quinta, no dia 22.

Quanto vale a Conference League

Primeira fase preliminar: € 150.000

Segunda fase preliminar: € 350.000

Terceira fase preliminar: € 550.000

Fase Play-off: € 750.000

Classificados para a fase de grupos: € 2.940.000

Vitória na fase de grupos: € 500.000

Empate na fase de grupos: € 166.000

1º colocado da fase de grupos: € 650.000

2º colocado da fase de grupos: € 325.000

16-avos de final: € 300.000

Oitavas de Final: € 600.000

Quartas de final: € 1.000.000

Semifinal: € 2.000.000

Vice-campeão: € 3.000.000

Campeão: € 5.000.000

Quando a Uefa cria uma competição que consegue dar mais vida aos clubes de países mais fracos do ranking da Uefa, ela está cumprindo o seu papel: valorizando o futebol desses países, dando uma oportunidade de mais receita e distribuindo o dinheiro da Uefa também para esses clubes, que ganham a chance de jogarem campanhas europeias que, talvez, não fosse possível de outra forma.

Quem chegar à primeira decisão da Conference League, no dia 25 de maio na Arena Kombetare, em Tirana, na Albânia, terá motivos sim para comemorar. É um título e, no fim das contas, o futebol é principalmente sobre construir e realizar os sonhos dos torcedores. Sonhos valem demais. E a Conference League tem tudo para cumprir um grande papel para muitos clubes.

Para muitos clubes, a Conference League também será a chance de título. Além o impulso financeiro que a competição traz, que é extremamente relevante para clubes desse nível, é a chance dos torcedores verem o seu time em um jogo internacional, por uma competição que realmente vale, não apenas um amistoso de pré-temporada. É uma chance de glória. É, por isso, uma grande ideia.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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