Conference League

A Roma segurou o Leicester na visita à Inglaterra e volta para o Olímpico com um empate na ida da semifinal

A Roma marcou um gol logo no início e controlou suas energias no trabalho defensivo, por mais que o Leicester tenha evitado a derrota

O Estádio King Power se preparou para uma noite europeia inédita, com a primeira semifinal continental do Leicester City. Porém, a torcida da casa saiu com a impressão de que a Roma se satisfez mais com o empate por 1 a 1, na ida pela Conference League. Os romanistas seguraram a pressão inicial dos anfitriões e foram cirúrgicos num bom ataque para abrir o placar logo cedo. Depois disso, as Raposas pressionaram bastante, mas paravam na sólida marcação adversária. Somente no segundo tempo é que os ingleses criaram um pouco mais e garantiram a igualdade. Não foi um duelo tão cheio de lances de gol, mas apresentou boa intensidade e a costumeira maestria de José Mourinho para armar a sua defesa, o que leva a definição para o Estádio Olímpico de Roma.

O Leicester iniciou a partida no campo de ataque, com mais posse de bola. As Raposas criaram as primeiras chances de perigo e assustaram bastante num escanteio, em que Timothy Castagne cabeceou ao lado da trave. A Roma tinha subidas esporádicas e cresceu com o passar dos minutos. Aos 15, os giallorossi refletiram essa confiança no placar, com o primeiro gol. Foi uma grande jogada de Nicola Zalewski, que arrancou pela esquerda e fez fila. O polonês deu uma enfiada na medida para Lorenzo Pellegrini, com espaço para finalizar. O chute passou por entre as pernas de Kasper Schmeichel.

Com a desvantagem, o Leicester voltou a tomar o controle do jogo. O problema era conseguir destravar a marcação da Roma. A linha de cinco defensores dos giallorossi fechava os espaços e dificultava as finalizações das Raposas. Outro grande nome em campo era Pellegrini, mandando no meio. Uma rara incursão dentro da área, de Ademola Lookman, seria muito bem travada por Chris Smalling aos 29. Outro caminho era bater de fora da área e Lookman mandou um tiro quente para Rui Patrício rebater na sequência. James Maddison era mais um que começava a arriscar mais, entre chutes travados e outro por cima.

A reta final do primeiro tempo via o Leicester mais aceso. Num lance com impedimento do ataque, Rui Patrício voltou a trabalhar e a safar a Roma. Fazia um bom tempo também que os giallorossi não conseguiam encaixar um ataque. Entretanto, o plano de jogo de José Mourinho seria cumprido com êxito ao longo da primeira etapa. A defesa mantinha o controle da situação e, em uma das únicas duas finalizações, a bola terminou nas redes dos ingleses.

O Leicester voltou para o segundo tempo ainda mais presente no campo de ofensivo. O primeiro arremate saiu numa cabeçada de Lookman para fora, após escanteio. E a Roma teria que lidar com a saída de Henrikh Mkhitaryan, lesionado, para a incursão de Jordan Veretout. Apesar da postura, as Raposas não produziam o suficiente. Brendan Rodgers realizou duas trocas aos 17, com as entradas de Harvey Barnes e Kelechi Iheanacho – além da saída de um Jamie Vardy claramente fora de forma. As mudanças não demoraram a fazer efeito, com o empate aos 22. Barnes tentou a tabela com Iheanacho, pegou o corte parcial de Ibañez e cruzou para a pequena área, onde Lookman concluiu na base da força para dentro.

A Roma mudaria de novo, com Nicolò Zaniolo dando lugar a Sergio Oliveira. O Leicester aproveitava o momento superior na partida com os principais lances ofensivos e boas combinações. Os romanistas passaram dos 30 minutos sem uma finalização sequer na segunda etapa, até que Veretout isolasse de longe. Do outro lado, Iheanacho tentava se apresentar. Deu uma cabeçada pressionado para fora e, num tiro de longe, assustou Rui Patrício, que desviou com a ponta dos dedos para fora, em grande defesa. Já a primeira intervenção de Kasper Schmeichel na noite aconteceu nessa sequência, aos 35, numa grande arrancada de Tammy Abraham que permitiu Sergio Oliveira chutar com pouco ângulo e fazer o dinamarquês espalmar. A reta final se prometia um pouco mais aberta na Inglaterra.

Os dois treinadores prepararam mudanças aos 38. Ayoze Pérez vinha no Leicester, enquanto Felix Afena-Gyan e Matías Viña entravam na Roma. Todavia, certo medo pareceu afetar os dois times. O jogo ficava mais cauteloso, concentrado no meio-campo. Preocupavam-se mais com o prejuízo de uma derrota antes do segundo jogo do que com a vitória. Atendimentos médicos e faltas também provocaram muitas paralisações. Ao apito final, sem novas movimentações no marcador, provavelmente os romanistas saíam mais satisfeitos com o resultado.

A Roma atravessa um momento especial, pela forma como sua torcida abraça a equipe, sobretudo na Conference. Isso pode fazer a diferença no Estádio Olímpico. Além do mais, o time cresce na competição e possui bons recursos para sonhar com a primeira final continental em 31 anos. Mas não que o Leicester seja azarão no reencontro dentro da Itália. Também há qualidade para as Raposas causarem estrago fora de casa. Porém, o time precisa ser mais contundente do que o visto neste primeiro embate.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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