Conference League

A Roma manteve o Leicester sob seu controle e vai à decisão da Conference, sua primeira final europeia em 31 anos

A Roma abriu o placar logo cedo com um gol de Tammy Abraham e foi impecável na defesa, provocando a festa da torcida que lotou o Estádio Olímpico

A Roma se permitiu sonhar na Conference League. O novo torneio da Uefa até pareceu que seria escanteado pelo clube e alguns resultados claudicantes endossavam essa impressão. Porém, os romanistas cresceram na reta final da temporada e também passaram a valorizar mais a chance de conquistar um título continental, o que não vivenciam desde a década de 1960. E a classificação nas semifinais, diante do Leicester, não deixou dúvidas sobre o merecimento dos giallorossi. O time de José Mourinho não chegou a emplacar vitórias amplas, mas teve um controle inquestionável sobre seus adversários pela maneira como se defendeu e conduziu o confronto como bem quis. Depois do empate por 1 a 1 na Inglaterra, o Estádio Olímpico estava lotado para comemorar. O time entregou isso, com a vitória por 1 a 0 oferecida por Tammy Abraham, de novo decisivo em sua excelente temporada. Depois de 31 anos, a Loba estará de novo em uma final europeia e vai medir forças com o Feyenoord, em 25 de maio, na cidade de Tirana.

A Roma conseguiu ser mais contundente nos primeiros minutos, ao trabalhar principalmente com Nicola Zalewski pela esquerda. Aos oito, Lorenzo Pellegrini cobrou uma falta venenosa e Kasper Schmeichel rebateu com dificuldades. Os romanistas chegavam com mais frequência e tinham bem mais força nas bolas paradas. Foi assim que abriram o placar, aos 11 minutos, numa cobrança de escanteio de Pellegrini. Tammy Abraham subiu sozinho no meio da área e desferiu uma cabeçada indefensável. Até pelo clima que havia no Estádio Olímpico, a missão do Leicester se mostrava bastante difícil. Kiernan Dewsbury-Hall tentou a resposta imediata, mas errou o alvo.

O gol não mudou o cenário da partida, com a Roma melhor e mais direta. Schmeichel voltou a trabalhar aos 17, num avanço rápido que rendeu novo arremate de Pellegrini, mas em cima do goleiro. O Leicester não demonstrava criatividade e nem velocidade, o que mantinha a segurança da defesa romanista na marcação. Quando a Loba armou outro contragolpe, aos 32, seria mais perigosa. Abraham puxou brilhantemente o avanço, mas Nicolò Zaniolo acabou bloqueado na finalização. Pouco depois, Abraham errou o alvo em novo escanteio. Os giallorossi, de qualquer forma, estavam confortáveis. Mesmo com o Leicester abafando na reta final da primeira etapa, a defesa italiana contornou os riscos e impediu chances claras.

O Leicester precisava de mudanças e renovou seu ataque logo na volta do intervalo. O apagado Jamie Vardy continuou, mas Harvey Barnes e Ademola Lookman deram seus postos a Kelechi Iheanacho e Daniel Amartey. A Roma teve o primeiro escanteio, mas logo as Raposas passaram a dominar a posse de bola. A questão era realmente ameaçar, o que não andava fácil com a solidez defensiva dos romanistas. Dewsbury-Hall de novo ofereceria uma finalização, aos 12, mas ao lado da meta. Até mesmo Abraham voltava para ajudar e, num escanteio, travou a batida de Vardy.

A Roma não tinha problemas para atuar de maneira defensiva. Os avanços dos italianos eram raros, resumidos a contra-ataques pontuais e bolas paradas. Apesar da falta de chances para ampliar, a contenção dos romanistas já parecia suficiente para preservar o placar. O Leicester, afinal, apresentava um futebol sem ideias. Timothy Castagne e Ayoze Pérez eram outras novidades, que não pareciam suficientes para melhorar o time. A esperança era de um lampejo individual. James Maddison era um dos poucos que ofereciam essa possibilidade, mas não levou problemas a Rui Patrício em sua tentativa aos 34. Mais perigoso seria Zalewski, travado na hora exata do outro lado.

Era um final de jogo morno no Estádio Olímpico, mesmo que a vantagem no placar fosse mínima. Bem mais quente era a atmosfera nas arquibancadas, com a torcida da Roma cantando muito para apoiar seu time. José Mourinho faria trocas conservadoras, com as entradas de Matías Viña e Eldor Shomurodov, dando um descanso a Abraham e Zalewski – dois dos melhores em campo. Já o Leicester sequer partia para aquela blitz desesperada. Nos acréscimos, Maddison conseguiu engatilhar o chute da meia-lua, sem direção. Os romanistas também seguraram a bola no campo de ataque e Sérgio Oliveira até deu trabalho a Schmeichel. Foi o último lance antes que a massiva comemoração ocorresse no Estádio Olímpico.

A eliminação do Leicester não surpreende por aquilo que é a temporada da equipe de Brendan Rodgers, abaixo da crítica. Ainda assim, por aquilo que o time vinha fazendo nessa Conference, as Raposas decepcionaram um pouco mais. Foi uma equipe impotente e muito limitada, longe dos recursos ofensivos de outros tempos. Nisso, também há méritos da Roma, que se sobressaiu pela segurança defensiva. Os giallorossi marcaram seus gols cedo nos dois jogos e trabalharam em cima disso. Também foram mais diretos. José Mourinho, velho conhecedor dos caminhos continentais, vai a mais uma decisão – a quinta de sua carreira, com títulos nas quatro anteriores. Agora, para buscar um título inédito em seu currículo.

A Roma, além do mais, supera as frustrações recentes que teve nas semifinais da Champions League e da Liga Europa. Enfim, pela primeira vez desde 1991, os giallorossi poderão disputar uma final continental. Melhor ainda, a situação parece suficientemente aberta para romper um jejum que dura 61 anos, desde a Copa das Cidades com Feiras de 1960/61 – o torneio precursor da atual Liga Europa, mas que não era organizado pela Uefa na época. Pelo comportamento da Loba nesta reta final de campanha, o troféu é bem possível e a equipe até surge como favorita na decisão em Tirana, apesar dos perigosos de um Feyenoord que se supera. Mourinho, Abraham, Pellegrini e companhia, ainda assim, chegam embalados para a disputa da taça.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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