Uefa anuncia o rompimento do contrato com a estatal russa Gazprom, que rendia €40 milhões anuais
Após a decisão de tirar a final da Champions de São Petersburgo, a Uefa tomou atitude mais incisiva ao romper seu contrato com a Gazprom
A Uefa anunciou nesta segunda-feira o rompimento do contrato de patrocínio que tinha com a Gazprom, em decorrência da invasão da Rússia na Ucrânia. A estatal russa é a maior companhia do país e uma das maiores fornecedoras de gás natural do mundo. A empresa patrocinava a Champions League desde 2012 e ampliou sua parceira a outras competições da Uefa, incluindo a Eurocopa. A Gazprom também patrocinou a Copa do Mundo de 2018. Com o fim do vínculo, a entidade continental deixará de receber €40 milhões anuais. O último contrato tinha sido assinado até 2024.
“A Uefa decidiu hoje encerrar sua parceira com a Gazprom em todas as competições. A decisão entra em vigor imediatamente e abrange todos os acordos existentes, incluindo a Champions League, as competições de seleções nacionais e a Euro 2024”, anunciou a Uefa, em seu comunicado. A decisão foi tomada após reunião emergencial do Comitê Executivo da Uefa.
Um primeiro passo para o rompimento tinha acontecido na última sexta-feira, quando a Uefa retirou a decisão da Champions League da Gazprom Arena, em São Petersburgo – cidade onde também está sediada a estatal russa. O estádio tinha sido um dos palcos da Euro 2020. De qualquer maneira, existia uma pressão maior, inclusive no Parlamento Europeu, para que a confederação encerrasse o contrato de patrocínio.
Antes que a invasão russa na Ucrânia ocorresse, propagandas da Gazprom foram veiculadas normalmente nas partidas da Champions League até a última quarta-feira. Além disso, a Uefa não tinha punido o Zenit, único clube russo que disputou os mata-matas continentais na quinta-feira – após o início da guerra. Os celestes, patrocinados pela Gazprom, enfrentaram o Betis pela Liga Europa e acabaram eliminados. Apenas nesta segunda é que a Uefa oficializou, ao lado da Fifa, a suspensão de clubes e seleções da Rússia das competições internacionais.
Nesta segunda-feira, o Schalke 04 também oficializou o fim de seu contrato com a Gazprom. A estatal russa era a principal patrocinadora do clube alemão. Durante a rodada do fim de semana na segunda divisão da Bundesliga, os Azuis Reais estamparam o nome “Schalke 04” no lugar do patrocínio e a camisa se tornou sucesso de vendas. O Schalke foi patrocinado pela Gazprom durante 15 anos e o vínculo atual ia até 2025. Após o rebaixamento à segunda divisão, o patrocínio rendia €10 milhões anuais.
Presidente do conselho da liga alemã e chefe-executivo do Borussia Dortmund, principal rival do Schalke, Hans-Joachim Watzke defendeu um plano emergencial para que os clubes alemães auxiliem nas perdas que o rompimento gerará em Gelsenkirchen. “Se a solidariedade dos outros times da Alemanha for necessária para tirá-los dessa situação em boas condições, então temos que discutir o que podemos fazer”, afirmou Watzke, confirmando que ligou para Bernd Schröder, CEO dos Azuis Reais. Já na Áustria, o Austria Viena também retirou o patrocínio da Gazprom de sua camisa na rodada do fim de semana e é outra equipe em vias de encerrar seu vínculo com a companhia russa.



