Champions League

Tudor assumir erro não apaga exposição desnecessária de jovem goleiro do Tottenham

Técnico do Tottenham afirmou que queria 'preservar' Kinsky com substituições que, na verdade, o expôs

Igor Tudor fez o esperado (e o que era sua obrigação). Após escalar como titular o jovem goleiro Antonín Kinsky e o substituir com apenas 15 minutos em campo, o técnico do Tottenham assumiu seu erro em entrevistas depois da derrota para o Atlético de Madrid por 5 a 2 pela ida das oitavas de final da Champions League.

O arqueiro de 22 anos acabou entregando nos pés dos atacantes dos Colchoneros dois dos três primeiros gols dos espanhóis, sendo na sequência sacado para entrada do titular habitual, Guglielmo Vicario. Tudor, buscando justificar sua decisão, afirmou que tentou preservar o jogador tcheco com sua substituição.

É muito raro. Eu treino há 15 anos e nunca fiz isso. Foi necessário para preservar o jogador e preservar a equipe. Uma situação inacreditável. Antes do jogo, era a escolha certa. Pela situação em que estamos com a pressão sobre o Vicario, o Toni é um goleiro muito bom. Depois do que aconteceu, é fácil dizer que não foi a decisão correta — assumiu, em entrevista coletiva.

— Depois de ver o que aconteceu, com certeza parece a decisão errada, mas para mim era a decisão certa de tomar. Pela situação da equipe e pela mudança de competição, era o momento certo. Não é fácil trocar o goleiro depois de 20 minutos, não é fácil, mas aconteceu — reiterou à “TNT Sports”.

As palavras de Tudor, no entanto, têm pouco peso no impacto que já foi causado em Kinsky, que, ao ser preservado“, segundo o técnico, foi, na verdade, jogado aos leões. No fim, quem acabou menos exposto foi o próprio treinador dos Spurs.

Kinsky foi substituído ainda no primeiro tempo de confronto com o Atlético de Madrid
Kinsky foi substituído ainda no primeiro tempo de confronto com o Atlético de Madrid (Foto: Bagu Blanco/PRESSINPHOTO/Imago)

Tudor pode ter acabado com passagem de goleiro no Tottenham

Contratado em janeiro de 2025, vindo do Slavia Praga, Kinsky substituiu Vicario em momentos lesionados na última temporada, mas, na atual, praticamente não teve minutos. Só tinha atuado duas vezes, ambas pela Copa da Liga Inglesa, em vitória sobre o Doncaster Rovers e depois na eliminação para o Newcastle, 2 a 0, ainda em outubro do ano passado.

Passados quatro meses e alguns dias, lá estava o jovem tcheco como titular em uma eliminatória de Champions. De quebra, contra um adversário muito competitivo e intenso, que, no mesmo estádio, enfiou quatro no Barcelona há apenas algumas semanas.

Era a cara do problema e Tudor, no auge de seus 47 anos, com experiências como jogador e técnico, optou por essa decisão — que, repetida por ele duas vezes, parecia certa no início. Vicario, mesmo que não esteja em uma grande fase, como parte considerável do time do Tottenham, é um ótimo goleiro e já tem rodagem nesse tipo de eliminatória.

O croata ainda quis, durante a coletiva, destacar que consolou Kinsky, que foi direto ao vestiário após ser substituído e exposto por seu próprio técnico. “Eu falei com o Toni depois. Ele é um cara inteligente, um bom goleiro e, infelizmente, isso aconteceu em um jogo grande, esses grandes erros”, disse o comandante dos Spurs.

— Kinsky ficou triste. O time está com ele. Eu também. Conversei com ele. Ele entende o momento, entende por que saiu. Ele é um goleiro muito bom. Nunca se trata de apenas um jogador — completou, em outra resposta.

Não é absurdo imaginar que seja difícil para Kinsky atuar outra vez pelo Tottenham. Falhas de goleiros costumam ganhar mais peso e não seria a primeira vez que um erro colocaria fim a uma passagem de um jogador da posição — Karius, no Liverpool, que o diga.

Kinsky após falha em jogo do Tottenham
Kinsky após falha em jogo do Tottenham (Foto: IMAGO / nogueirafoto)

Quem entende da função, o ex-goleiro Paul Robinson, que passou pelo Tottenham, comentou na “BBC” o peso de uma exposição dessas.

— O treinador certamente não ajudou a própria situação. Ninguém vai entender o que Kinsky está passando, a menos que você seja goleiro. É uma posição muito solitária. Isso vai ser devastador para ele. Eu não me surpreenderia se ele estivesse chorando. É algo muito difícil de lidar — disse, na sequência criticando Tudor.

— É uma atitude egoísta do treinador, ele sabe que não vai ficar aqui por muito tempo. Nunca vi isso em toda a minha carreira. Está claro que foi uma decisão para autopreservação, sem nenhuma consideração pelo jovem goleiro.

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Spurs emplacam pior sequência de sua história

O Tottenham perdeu suas últimas seis partidas, o que nunca, em 143 anos de história do clube, tinha ocorrido de forma consecutiva. Tudor participou de quatro desses revezes logo em seus primeiros jogos pelo time — os outros dois foram ainda com Thomas Frank –, tornando-se o primeiro a atingir essa marca.

Ele, no entanto, não está preocupado se continuará ou não nos Spurs. “Não é um tema para mim. Não é sobre o meu trabalho. Estou pensando em ajudar a equipe.” Questionado se merecia continuar no cargo, preferiu não comentar.

O técnico falou em mais de uma oportunidade que “parece que tudo está contra nós“. É uma forma de tirar a responsabilidade de suas ações em uma equipe que, é verdade, já estava mal antes de chegar.

O Tottenham, praticamente eliminado na Champions para a volta em casa na próxima semana, luta contra o rebaixamento na Premier League. Eles ocupam o 16º lugar, com 29 pontos, só um a mais que o Nottingham Forest, 17º, e o West Ham, 18º e primeiro dentro do Z3. A maior questão é que os dois times estão em crescente a nove rodadas do fim da competição. O time de Tudor não.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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