Champions League

Superior tática, técnica e mentalmente, Manchester City elimina PSG e fará sua primeira final de Champions

Melhor em todos os aspectos, Manchester City mostrou ser mais time e vai decidir a Champions League pela primeira vez na sua história

O Manchester City escreveu um capítulo inédito em sua história. Com uma superioridade em todos os aspectos, do tático ao técnico, passando pelo mental, o time comandado por Pep Guardiola venceu pela segunda vez o Paris Saint-Germain e garantiu o seu lugar na final da Champions League pela primeira vez na sua história. A vitória por 2 a 0 foi só mais uma demonstração de como a equipe não só foi melhor que o PSG com sobras, como é uma das melhores da Europa. E vai disputar o título de campeão para ratificar isso. Não houve dúvida em campo sobre quem era melhor entre os dois times nesta semifinal.

Foi também importante para Pep Guardiola conquistar esse lugar à final. Depois de 10 anos, o badalado treinador catalão volta à decisão da principal competição europeia. Em 2010/11, foi campeão pela última vez com o Barcelona, superando um clube inglês, o Manchester United, em uma final que foi uma aula de futebol.

Mudanças nas escalações

As escalações já trouxeram novidades em relação ao primeiro jogo. Pep Guardiola decidiu colocar Oleksandr Zinchenko na lateral esquerda, no lugar de João Cancelo. No meio-campo, Fernandinho foi escolhido para o lugar de Rodri. Em campo, vimos uma diferença tática: o time estava por vezes em um 4-4-2, com Ilkay Gündogan e Fernandinho pelo centro do campo, Phil Foden pela esquerda e Riyad Mahrez pela direita. Kevin De Bruyne e Bernardo Silva ficaram soltos no ataque, mas se movimentando muito, tanto que nem pareciam atacantes no posicionamento. Era quase como se fossem outros dois meias ofensivos.

No PSG, Mauricio Pochettino colocou em campo Ander Herrera como titular do time no lugar do expulso Idrissa Gueye, além de Mauro Icardi no ataque, no lugar do lesionado Kylian Mbappé, que ficou no banco de reservas. Na lateral esquerda, Mitchel Bakker, que foi mal no jogo de ida, deu lugar a Abdou Diallo. Nas demais posições, os mesmos jogadores.

Campo pesado

O campo pesado do Etihad Stadium, com neve (Imago / OneFootball)

O campo pesado, cheio de gelo, prejudicava os jogadores que carregam mais a bola, como Neymar. Bernardo Silva, pelo lado do City, também sentiu e acabou não conseguindo jogar bem no primeiro tempo por isso. Ángel Di Maria também sofreu com o campo pesado e sem poder carregar muito a bola. Outros, como Kevin De Bruyne, também sentiram, mas pareceram se adaptar mais rapidamente. Mas o jogo dos dois times pareceu sofrer um pouco sem que a bola corresse em campo com facilidade. Melhor para o Manchester City, que só precisava de um empate para seguir adiante na competição.

O Manchester City foi inteligente na sua forma de abordar a partida. Sabendo que o PSG é muito forte nas transições ofensivas, não ofereceu isso aos parisienses. O time foi mais compacto, se defendendo mais atrás, e deixando o campo para a construção do time visitante, algo que a equipe de Pochettino não é especialista.

Zinchenko na defesa e no ataque

Eram sete minutos quando o time da casa tomou um susto. Em um cruzamento de Abdou Diallo, a bola desviou no meio do caminho e a bola bateu no ombro de Oleksandr Zinchenko, lateral esquerdo. Na hora, o ucraniano reclamou e apontou dizendo que a bola bateu no ombro. O árbitro apontou pênalti, mas o VAR rapidamente chamou o árbitro. Ele olhou o lance e viu que não era nada a ser marcado. Seguiu o jogo.

As coisas mudaram de figura rapidamente. Aos 10 minutos, Zinchenko recebeu um lançamento longo de Ederson, avançou pela esquerda, cruzou inteligentemente para trás para Kevin De Bruyne. O belga finalizou, a bola bateu em Alessandro Florenzi e sobrou para Riyad Mahrez, que finalizou de pé direito e marcou: 1 a 0, aos 11 minutos.

Neymar arrancou pelo meio e foi derrubado com falta. Ele mesmo cobrou, aos 15 minutos, e Fernandinho conseguiu desviar para fora. Pouco depois, em um cruzamento para a área, Marquinhos, ainda presente no campo de ataque, tocou de cabeça e a bola parou no travessão. Assustou o goleiro Ederson.

Mais uma boa chance veio logo depois de uma cobrança de falta. Neymar levantou para a área, a defesa conseguiu tirar, Ederson recuperou e saiu jogando com Bernardo Silva. O português bobeou, perdeu a bola para Ángel Di Maria, que chutou aproveitando que o goleiro do City estava fora do gol. A bola foi para fora, mas passou muito perto.

Manchester City com menos posse de bola

O PSG tentava e até conseguiu criar algumas chances, nenhuma tão clara quanto a bola na trave de Marquinhos, mas ameaçando. O problema é que o Manchester City parecia pronto para tentar o golpe fatal. A busca parecia ser para encontrar um contra-ataque, mas o time segurava pouco a bola no campo de ataque. Quem melhor conseguia fazer isso era Kevin De Bruyne, quando estava posicionado mais à frente. Com Sergio Agüero e Gabriel Jesus no banco, seriam alternativas para isso.

O City tentava encaixar contra-ataques e ficava menos com a bola do que está acostumado. Terminou o primeiro tempo com 44% de posse de bola contra 56% do PSG. Também chutou menos a gol, mas acertou mais (seis chutes a gol, dois no alvo, contra sete chutes do PSG e nenhum no alvo). O primeiro tempo acabou mesmo 1 a 0 para o City e a equipe de Guardiola um passo mais perto da final com um placar agregado de 3 a 1. Seria preciso tomar ao menos dois gols e não marcar nenhum para não se classificar nos 90 minutos.

No segundo tempo, o campo parecia bem melhor e o gelo muito mais derretido. Havia uma fina chuva no Etihad Stadium, tornando levemente mais dramático. Mbappé, porém, continuava no banco. E o panorama do jogo era o mesmo.

Manchester City fatal no contra-ataque

Em um contra-ataque perigoso, Foden recebeu em velocidade e finalizou para defesa de Keylor Navas. Foi marcado o impedimento logo depois. Logo depois, aos nove minutos, foi a vez do PSG. Neymar recebeu nas imediações da área, puxou para o meio, e viu  Icardi aberto na direita. Preferiu ir ele mesmo para cima do marcador e chutar, mas foi travado por um ótimo Zinchenko.

Pochettino fez suas primeiras alterações aos 16 minutos. Sacou Icardi e Ander Herrera e colocou em campo Moise Kean e Julian Draxler. O centroavante argentino vinha mal e, por isso, sua substituição não foi surpreendente. Já a entrada de Draxler foi uma forma de dar mais ofensividade ao jogo do time.

Só que veio outro contra-ataque com Phil Foden, tabelou com De Bruyne e foi à linha de fundo para cruzar para Mahrez, livre, leve e solto na segunda trave. Ele só tocou para dentro e saiu para o abraço: 2 a 0. Eram 18 minutos do segundo tempo e, dali em diante, o PSG precisaria escalar uma montanha para conseguir reverter a eliminação iminente. Seriam precisos três gols para virar o jogo e, assim, sair de Manchester com a vaga.

PSG perde a cabeça

Com o placar de 2 a 0, Di Maria perdeu a cabeça. Em uma disputa pela bola na lateral do gramado, o argentino deu um pisão em Fernandinho fora de campo. Tomou o cartão vermelho pela conduta violenta e, ali, praticamente enterrou as chances de um milagre do time francês. E ainda manchou o jogo com uma falta de esportividade.

O jogo acabou. Alguns lances de nervosismo se seguiram a partir dali, com Marco Verratti correndo sério risco de expulsão. Os técnicos foram fazendo as alterações e o jogo foi esfriando. No PSG, Danilo Pereira e Colin Dagba substituíram Leandro Paredes e Alessandro Florenzi.

Depois, Guardiola também mexeu no time e tirou De Bruyne e Bernardo Silva para colocar Gabriel Jesus e Raheem Sterling. O PSG ainda colocou Mitchel Bakker no lugar de Abdou Diallo e o City, por fim, tirou Phil Foden e colocou Sergio Agüero em campo.

O zagueiro Presnel Kimpembé  deu uma entrada duríssima sobre o atacante Gabriel Jesus, em um lance que o árbitro Bjorn Kuipers poderia até ter mostrado o cartão vermelho que não seria um exagero.

PSG lamenta, City vai em busca do título

No fim, restou ao PSG lamentar. Já sem ânimo em campo, o time francês se arrastava em campo esperando pelo fim. O Manchester City seguiu tocando a bola e aproveitando os espaços para contra-ataques. Os parisienses pareciam só preocupados em distribuir pancadas no fim, com Danilo Pereira sendo o segundo a dar uma chegada forte em Gabriel Jesus.

Com tranquilidade, o City reduziu o ritmo e segurou o placar até o final. Elimina o PSG e vai à decisão pela primeira vez em sua história. Contou com uma atuação de alto nível de Zinchenko defensivamente impecável e perigoso quando foi ao ataque. Fernandinho também fez uma boa partida, assim como Phil Foden. O grande destaque acabou sendo mais uma vez Riyad Mahrez, autor de dois gols e decisivo de novo contra o clube da cidade onde nasceu. O argelino mostrou capacidade para brilhar em jogos grandes, o que não é pouca coisa.

O PSG, por sua vez, chega longe mais uma vez, mas fica pelo caminho. Será preciso aumentar o repertório do time buscando mais do que aquilo que tem. Ainda tem a Ligue 1 para disputar e tentar o título, porque a dificuldade por lá está imensa e é o Lille quem lidera. Também será preciso resolver as situações de Neymar e Mbappé, que só têm contratos válidos até 2022. É preciso acertar uma renovação ou negociá-los, o que seria traumático.

Depois de quebrar a sina das quartas de final e agora conquistar a ida inédita à final da Champions, o City certamente vai em busca de mais. Quer o título. E pode ter pela frente um clássico local, contra o Chelsea, ou um duelo contra o maior campeão da história do torneio, o Real Madrid. De qualquer forma, uma missão dura para o dia 29 de maio, no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul.

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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