Champions League

5 vezes que o Real Madrid provou que 90 minutos duram mais no Bernabéu pela Champions

Após virada inacreditável sobre o Bayern, relembre outras remontadas do Real Madrid no Santiago Bernabéu pela Champions League

Quantas vezes você ouviu “90 minutos no Santiago Bernabéu são muito longos”? O Real Madrid trata de não deixar essa frase ser esquecida, ainda mais quando falamos de Champions League. Nesta quarta-feira (8), mais um episódio para comprovar esse termo: perdendo e sendo eliminado pelo Bayern de Munique até os 42 do segundo tempo, o gigante espanhol marcou duas vezes em três minutos, ambas pelos pés do contestado Joselu. Não deu mais tempo para nada, e a 18ª final de Liga dos Campeões foi garantida para aquele que já a venceu 14 vezes.

Para celebrar (ou para alguns, lamentar) mais uma remontada histórica, a Trivela listou cinco vezes que o Real provou que os jogos na sua casa parecem ter muito mais tempo que uma partida normal de futebol.

Frente a um dos melhores times da história, Real e Rodrygo fizeram história em 2022

Todo o mata-mata da Champions de 2021/22 é uma prova desse “pacto” do Real. Até a final, quando Thibaut Courtois fechou o gol contra o Liverpool e garantiu que o placar ficasse 1 a 0 para garantir a 14ª, desde as oitavas, quartas e, principalmente, semifinals. Primeiro, contra o PSG, poderia ter pedido por muito mais na ida, mas só foi uma vitória mínima dos franceses, que abriram o placar na volta no Bernabéu. Eis que Karim Benzema coloca a bola embaixo do braço, marca três vezes – a remontada inicia com falha bizarra de Gianluigi Donnarumma – e classifica o Madrid.

Nas quartas, parecia que seria mais fácil. Bateu o atual campeão Chelsea por 3 a 1 com mais três de Benzema no Stamford Brigde e o cenário na Espanha deveria ser fácil. Não foi, e os então comandados por Thomas Tuchel fizeram um 3 a 0 que perdurou até os 35 do segundo tempo. Nesse momento, Luka Modrić achou um passe de gênio para uma finalização perfeita para Rodrygo cravar de primeira e levar a partida para prorrogação, quando a dupla Vinicius Júnior-Benzema entrou em ação para firmar mais uma reação.

Eis que chega a semi e acontece um dos grandes momentos da história da Champions League. No Etihad Stadium, um jogaço, com o Real sempre correndo atrás do Manchester City, termina 4 a 3 para os ingleses.

Uma semana depois, no Bernabéu, a equipe de Pep Guardiola abre o placar e segura a vantagem de dois gols no agregado por quase todo o jogo. Quase. Aos 90 minutos – sim, aqueles que duram mais -, Rodygo, que saiu do banco, diminuiu a vantagem. Menos de 120 segundos depois, outro do Rayo. Daniel Carvajal levantou na área, Marco Asensio não conseguiu cabecear e a bola explode na cabeça do camisa 11 antes de tocar as redes de Ederson. Ali, morreu a esperança dos Citizens. Nos 30 minutos seguintes, Karim Benzema deu o golpe final com uma penalidade.

Derby County já foi vítima de remontada dos espanhóis no século passado

Quem pensa que o pacto é história recente está muito errado. A primeira grande remontada do Real Madrid veio ainda na era da Copa dos Campeões, na temporada 1975/76. Os espanhóis visitaram o então campeão inglês, o Derby County, pela segunda rodada (oitavas de final) e foram amassados frente a 34 mil torcedores no Baseball Ground.

Mesmo enfrentando um rival com seis taças europeias à época, a modesta equipe inglesa, em tempos de ouro, não se intimidou. Em 15 minutos, já vencia por 2 a 0. O lendário ídolo madridista Pirri chegou a diminuir aos 25 da etapa inicial, mas o Derby fez mais um no primeiro tempo e fechou o show no segundo, 4 a 1. Porém, tinha mais um jogo todo no Bernabéu…

Os Merengues, com Vicente del Bosque, Paul Breintner e outros, reverteram a vantagem de dois gols dos ingleses em 55 minutos. Roberto Martínez fez dois, Santillana mais um e, apesar de Charlie George diminuir, Pirri e novamente Santillana confirmaram um absurdo 5 a 1.

Apesar da remontada, o Real Madrid foi eliminado na semifinal para o Bayern, que seria campeão em cima do Saint-Étienne.

Wolsburg de Bruno Henrique sofre com histórico hat-trick de CR7 no Bernabéu

O Wolfsburg da temporada 2015/16 era um time interessante. Tinha vários brasileiros, casos de Dante, Naldo, Luiz Gustavo e até Bruno Henrique, do Flamengo, além do alemão Julian Draxler, naquele momento tratado como uma grande promessa. Com toda essa galera em campo, mais Andre Schürrle de centroavante, bateu o time de Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Benzema e companhia por 2 a 0 na Alemanha.

A virada não foi uma surpresa, uma zebra, mas se tornou uma das grandes noites europeias do maior artilheiro da história da Champions. Cristiano Ronaldo queria muito fazer história. Antes do jogo, fez questão de chamar a torcida e prometer algo mágico. Ele precisou de 17 minutos para dar o que os torcedores esperavam no Bernabéu. No primeiro, completou cruzamento de Carvajal. Depois, em escanteio, deu o desvio matador para aniquilar a vantagem alemã. Após muita pressão, o hat-trick foi consolidado na etapa final. Em falta do meio da rua, a barreira abriu-se para que um chute não tão bom tomasse o rumo das redes.

A remontada abriu o caminho para o Madrid conquistar a 11ª taça europeia. Após passar pelo Wolfsburg, superou o City na semifinal e precisou dos pênaltis para despachar o rival Atlético de Madrid na decisão.

Não foi só em 2024: Bayern já sofreu virada dos Merengues há 22 anos

Hoje, o torcedor mais velho dos Bávaros provavelmente sentiu um gosto próximo de outra virada nas quartas de final da Champions 2001/02. Em um cenário até parecido – mesmo que menos emocionante -, o Bayern de Munique tinha a vantagem de um gol por vencer a ida por 2 a 1. O Madrid de Zinedine Zidane, Figo, Raúl e Roberto Carlos pressionou muito na Espanha, meteu bola na trave e parecia que o gol não iria sair.

Aos 69 minutos, depois da defesa bloquear batida de Zidane, Roberto Carlos pegou a sobra para cruzar na medida para o zagueiro Iván Helguera, como um centroavante, igualar a volta no Bernabéu. No caminho da prorrogação, o técnico Del Bosque teve que chamar Guti e colocá-lo no lugar de Fernando Morientes. O meia precisou de apenas quatro minutos nos gramados para virar após jogada individual de Raúl aos 39 do segundo tempo.

Outra remontada, outro título que aconteceria semanas depois. A vitória na ida da semifinal frente ao rival Barcelona garantiu a classificação para decisão, na qual superaria o Bayer Leverkusen com o golaço histórico de Zidane.

Real Madrid conquistou Champions de 2002 e teve remontada nas quartas de final (Foto: Icon Sport)

Mesmo não sendo no Bernabéu, final contra rival Atlético de Madrid é exemplo da maneira que o Real acredita

Não foi no Bernabéu, mas a decisão da Champions de 2014 é outro jogo que reforça a mística do Real nessa competição. Era apenas a primeira final desde 2002, justamente ano do último título. Cristiano Ronaldo ainda não havia sido campeão europeu com a camisa blanca. E, por muito pouco, o tabu não se manteve.

O Atlético de Madrid abriu o placar aos 36 do primeiro tempo e fez toda cera do mundo para segurar o resultado, o que garantiu uns bons acréscimos na etapa final. E foi no minuto 93, eternizado na história do Madrid, que Sérgio Ramos subiu mais que todo mundo para empatar após escanteio de Modric. O gol matou os Colchoneros. Na prorrogação, com mais pernas, Bale, Marcelo e CR7 concretizaram a virada, a goleada e a ‘La Décima’ para o clube do Bernabéu no Estádio da Luz, em Portugal.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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