Champions League

PSG mais fraco chega mais forte na Champions, e Barcelona desidrata sem Messi

Após 11 anos de frustrações e contratações milionárias, o Paris mais coletivo volta a sonhar, e o Barça não funciona sem o gênio argentino na Champions

O que vale mais no futebol: um time cheio de estrelas sem trabalho coletivo ou um grupo forte com poucos craques? Em outra abordagem, qual é o tamanho da ausência de um dos maiores jogadores da história para um clube tradicional, mas sem um gênio em suas fileiras?

As perguntas abrem perspectiva para muitas respostas. Permito-me abordar caso a caso, começando pelo PSG.

Após 11 anos de frustração, os investidores do Qatar que compraram o Paris Saint-Germain vislumbram a possibilidade de realizar o grande sonho de conquistar a Europa com um elenco menos badalado, porém, coletivamente forte.

Quando apostou no trio Messi, Neymar e Mbappé, o PSG viu ruir castelos em meio a frustrações homéricas. A ideia de juntar os maiores craques do momento resultou num vestiário difícil e expôs as fragilidades de setores importantes como meio-campo e alguns momentos da defesa.

O atual elenco do PSG é modesto perto das constelações anteriores. Mas há uma entrega coletiva até então inédita. O brilho fica por conta de Mbappé, o gênio solitário em um elenco que reúne, claro, muitos bons jogadores. O brasileiro Marquinhos segue sendo um pilar defensivo, o meio é dinâmico e eficiente com Vitinha, Emery e Ruiz. Luís Enrique, que comandou uma sonolenta Espanha na Copa de 2022, surpreendeu o Barcelona no estádio Olímpico com uma volúpia inédita.

Teria chegado a hora de o PSG alcançar o sonho depois dessa, digamos, readequação financeira?

Quem deu grande contribuição para os franceses avançarem foi o zagueiro uruguaio Araujo, do Barça. Ótimo jogador, ele foi expulso por um descuido aos 29 do primeiro tempo, quando os catalães venciam por 1 a 0 após 3 a 2 em Paris. Aí o jogo virou e começaram a ser escancaradas as deficiências culés. Primeiro, Xavi Hernández tirou Lamine Yamal, que era o ponto de desequilíbrio técnico a favor do Barça. Depois, o Paris partiu avassalador para cima de uma defesa pouco agressiva.

Fato é que o Barça não chega a uma semifinal de Champions desde 2019. Não por coincidência, Lionel Messi ainda vestia a camisa azul e grená quando o Liverpool conseguiu virar um 0 a 3 no Camp Nou para um 4 a 0 em Anfield. Messi saiu, e o Barça entrou em parafuso na Europa.

Qual será o futuro de um dos grandes times do mundo?

Xavi anunciou sua saída precocemente, e o Barça não tem dinheiro para competir com as grandes potências da atualidade por nomes consagrados dentro e fora de campo.

Uma saída pode ser o investimento pesado em La Masía, a fábrica de craques de Barcelona. Lewandowski, Raphinha e Gundogan são excelentes jogadores, mas não fazem a diferença atualmente. O apogeu de Lewa já passou, e os demais jogadores carecem de potencial decisivo.

O Borussia Dortmund aparece no caminho do PSG. Um time com perfil parecido, de muitos bons jogadores e sem um gênio como a Tartaruga Ninja da bola. Coletivamente, o Dortmund se destaca por pilares em seus setores. Hummels na defesa, Emre Can e Sabitzer no meio, Julian Brandt e Fullkrugg mais adiante. Erin Tzedic tem uma equipe que em abril oscilou, perdendo em casa e ganhando fora na Bundesliga, mas priorizando a Champions.

Dortmund e PSG disputaram o grupo F na fase inicial da Champions. Os alemães terminaram em primeiro no grupo, invictos. No Parque dos Príncipes, o PSG venceu por 2 a 0. Em Dortmund houve empate por um gol.

Desta semi sairá um finalista que chegará como zebra se comparado ao potencial da outra chave, com os gigantes City, Real, Arsenal e Bayern.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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