O talento de Willian nas cobranças de falta foi mais uma vez decisivo para o Chelsea
Coletivamente, o início de temporada do Chelsea é bastante desanimador, levando em conta a qualidade de seu elenco e o futebol apresentado em 2014/15. Individualmente, entretanto, um atleta tem tido motivos de sobra para celebrar seu momento. Willian segue sendo o maior protagonista ofensivo dos Blues na atual campanha, e nesta terça-feira, o recém-descoberto talento na cobrança de faltas do brasileiro voltou a fazer a diferença para o time de José Mourinho, que sai de Israel com uma importante vitória por 4 a 0 sobre o Maccabi Tel-Aviv, pela quinta rodada da fase de grupos da Champions League.
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No primeiro tempo, o Chelsea teve bastante tranquilidade, e não por causa de sua eficiência, mas pela diferença técnica entre as duas equipes. O time dominou a posse de bola, trocava passes com facilidade na intermediária e, eventualmente, conseguiu chegar ao primeiro gol no jogo, aos 20 minutos. Willian cobrou escanteio, Cahill subiu alto, de cabeça, e pegou o rebote do goleiro Rajkovic para fazer 1 a 0.
Após o tento, os Blues melhoraram na partida. As triangulações rápidas na intermediária adversária, pouco frequentes nesta temporada, começaram a surgir, mas a equipe falhava na definição das jogadas. Ainda assim, pelo menos o time de José Mourinho conseguia manter o adversário longe de seu campo de defesa. Aos 40 minutos do segundo tempo, Diego Costa fez uso de sua discrição para colocar o Chelsea em vantagem numérica. Acertou o rosto de Tal Ben Haim, irritando o defensor do Tel-Aviv, e recebeu uma pancada do oponente, que acabou justamente expulso pelo árbitro (ainda que o brasileiro também merecesse alguma punição pelo lance não visto pela arbitragem).
Pelo domínio na primeira etapa e a vantagem numérica obtida com o cartão vermelho para Ben Haim, esperava-se que o segundo tempo fosse um passeio no parque para o Chelsea, mas o Tel-Aviv jogava em casa, empurrado por sua torcida, e a desvantagem, afinal, era de apenas um gol. Os Blues voltaram sem tanta fome pelo segundo gol, e os israelenses aproveitaram para crescer no jogo. Logo aos quatro minutos, Begovic trabalhou de verdade pela primeira vez, fazendo grande defesa em finalização forte de Dasa, lateral direito do time da casa que entrou com facilidade na área do Chelsea, após a desatenção de Hazard, que devia estar o acompanhando.
Mesmo mal tecnicamente, o time inglês conseguia criar suas chances, consagrando o ótimo e jovem goleiro sérvio Rajkovic, destaque da conquista do Mundial Sub-20 da seleção sérvia. Do outro lado, o Maccabi Tel-Aviv também ameaçava, muito mais do que no primeiro tempo, quando a presença ofensiva dos donos da casa foi ínfima. Em um dos bons lances do time, Zahavi quase conseguiu o empate, pegando contra-ataque e batendo cruzado, rente à trave direita de Begovic.
O desenrolar da partida sugeria que o constante crescimento do Tel-Aviv e a queda de produção do Chelsea encaminhavam o jogo para um empate, mesmo com a diferença numérica, e foi então que Willian interveio com seu pé direito calibrado para desequilibrar a disputa. Aos 28 minutos do segundo tempo, bateu falta com perfeição, no canto inferior direito de Rajkovic, ampliando a vantagem dos ingleses para 2 a 0.
O gol pareceu tirar ímpeto do Maccabi Tel-Aviv, que passou a dar mais espaços e não ameaçou mais significativamente o gol defendido por Begovic. Quatro minutos após o tento de Willian, Baba Rahman ainda fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Oscar, de cabeça, fazer 3 a 0. Também de cabeça, aos 46 do segundo tempo, Zouma completou cobrança de escanteio e definiu a goleada em 4 a 0.
Quem vê apenas o resultado obtido pelo Chelsea imagina equivocadamente que a equipe teve vida fácil. Mesmo com um a mais por quase uma hora, o time de José Mourinho demonstrou instabilidade suficiente para que um time do nível técnico do Maccabi Tel-Aviv ameaçasse sua vitória. Só saiu do buraco em que se enterrava gradativamente graças a Willian, que apenas nesta Champions League já fez quatro gols, todos eles de falta.
Como em outros momentos dessa temporada que se encaminha para o fim de sua primeira metade, o brasileiro foi o diferencial em um time que se esforça para encontrar a mesma sincronia da campanha passada. Seu gol abriu caminho para um resultado importante, que iguala o Chelsea com o Porto na liderança do Grupo G, que ficou embolado com a vitória por 2 a 0 do Dynamo Kiev sobre os portugueses. Agora com oito pontos, os ucranianos enfrentam o Tel-Aviv em Kiev e, se vencerem, torcem contra o empate entre portugueses e ingleses na última rodada para se classificar. Chelsea e Porto fazem, portanto, uma espécie de final no Stamford Bridge, considerando a probabilidade de triunfo do Dynamo. E, para uma decisão, o talento e a estrela do Willian poderão fazer a diferença. Uma narrativa já conhecida nesta temporada.



