Champions League

O jogo coletivo do PSG amadureceu muito, e Blanc merece o devido reconhecimento

Laurent Blanc assumiu o Paris Saint-Germain sem um extenso passado como técnico. Um dos líderes da França na Copa de 1998, o ex-zagueiro teve passagem vitoriosa no Bordeaux logo no início da carreira, antes de acumular resultados medianos à frente da seleção francesa. Porém, o fardo que assumiria no Parc dos Princes a partir de 2013 era pesado. Substituiria Carlo Ancelotti, incumbido de levar o PSG ao topo da Europa. Não cumpriu completamente a sua missão, mas merece ser elogiado pelos resultados alcançados até o momento. Sobretudo, pela atuação coletiva dos parisienses na classificação contra o Chelsea.

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Blanc conquistou o bicampeonato da Ligue 1 com o PSG de maneira devastadora, mas o amadurecimento da equipe sob o seu comando chegou ao ápice nesta temporada, independente das “obrigações” no nacional. E não apenas pelos números ainda melhores no Campeonato Francês, como também pelas apresentações contra gigantes da Europa. Mesmo derrotada, a equipe foi mais ofensiva nos encontros com o Real Madrid na primeira fase. Já contra um Chelsea enfraquecido, os parisienses doutrinaram ambos os confrontos. Inclusive nesta quarta, em pleno Stamford Bridge, e com o time sem a necessidade da vitória.

A influência de Blanc na maneira como o time jogou se ressalta desde a escalação. Adrien Rabiot entrou na vaga de Marco Verratti, com problemas físicos. Já no ataque, Lucas acabou escolhido na posição geralmente ocupada por Edinson Cavani. Mesmo com as novas peças, o PSG se posicionou no campo de ataque, trabalhando a posse de bola e aproveitando os espaços excessivos do Chelsea. Além disso, sufocava com a marcação adiantada. Thiago Motta fazia um papel essencial na distribuição de jogo, contando com a participação ativa de Rabiot e Di María. Além disso, os meias e os pontas se empenharam bastante na recuperação. Defensivamente, os erros de Thiago Motta e Thiago Silva custaram o gol de Blues, mas acabaram como exceções diante do saldo final da atuação.

A coletividade do PSG se explicita por Zlatan Ibrahimovic. Mesmo sendo a estrela da companhia, a movimentação do camisa 10 acabou sendo fundamental na construção da vitória, especialmente no primeiro gol. Já o segundo escancarou a qualidade na cadência dos passes e nas trocas de posições. O avanço de Thiago Motta e a transição de Rabiot ajudaram a abrir a defesa do Chelsea. Por fim, a tabela de Di María com o ítalo-brasileiro acabou sendo mortal, antes do cruzamento perfeito para Ibra completar dentro da área. Um gol que depende, é claro, do talento individual. Mas muito mais do funcionamento coletivo.

O Paris Saint-Germain passa boa parte da temporada enfrentando rivais bem abaixo de sua força. Em 2015/16, entretanto, demonstrou qualidades nas vezes em que cruzou com adversários de peso de outros países. Parece preparado para, enfim, dar um passo além na Champions. A adição de Di María ajudou, mas o amadurecimento vem mais pela maneira como os parisienses se portam como equipe. As peças qualificadas ajudam, embora não expliquem o crescimento por si. Por mais que Ibrahimovic permaneça como grande referência ofensiva, as alternativas atualmente são bem mais amplas. Blanc merece o reconhecimento por aquilo que tem feito. E realmente demonstra potencial para encarar de frente os favoritos do continente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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