Champions League

O City pode ter atuado abaixo contra o Dortmund, mas não seu craque, e De Bruyne fez toda a diferença à vitória

Meio-campista participou dos dois gols e empurrou seu time em todos os momentos, mesmo com uma atuação coletiva morna

O Manchester City pareceu não exibir seu máximo nesta terça, pela Champions League. Mesmo assim, teve a capacidade de vencer o Borussia Dortmund por 2 a 1, num jogo difícil, em que o resultado quase escapou nos minutos finais. A diferença para os celestes, mais uma vez, esteve em Kevin de Bruyne. Se coletivamente o time de Pep Guardiola passou distante de seu brilhantismo, visto tantas vezes nesta Premier League, o belga manteve a régua alta. Primordialmente meio-campista, mas outras vezes com liberdade para ocupar o posto de falso 9, o camisa 17 seguiu ligadíssimo o duelo todo. E isso pesou bastante, sobretudo quando os Citizens pareciam suscetíveis e um tanto quanto acomodados com a vantagem mínima.

De Bruyne pode não ter a aura dos “fundadores” desta fase vitoriosa do City no início da década. Vincent Kompany, Yaya Touré, David Silva e Sergio Agüero carregam simbolismos imensos ao redor da idolatria no clube. Porém, tecnicamente, o belga pode ser colocado à frente de todos os outros que vestiram a camisa celeste nos últimos anos. O período mais dominante dos Citizens com Guardiola, necessariamente, possui seu carimbo. E as chances de conquistar a Champions League estão atreladas ao seu nome. Poucos jogadores têm tantas condições de controlar e mudar um jogo. Foi o que aconteceu nesta terça, quando a máquina de Pep Guardiola se exibia em uma rotatividade menor.

O melhor momento do Manchester City aconteceu durante o primeiro tempo, quando a equipe parecia ter paciência para se impor e marcava muito forte a saída de bola do Dortmund. De Bruyne ajudava a coordenar esse movimento e aparecia bastante no combate. O gol, então, sai a partir de uma roubada de bola e tem ampla participação do belga. Ele acelera o lance pela intermediária após o passe errado de Emre Can e aproveita o clarão na intermediária. Depois, também está na área para concluir às redes.

Com a vantagem estabelecida, o Manchester City não criou tanto para tornar o placar tão confortável. Mesmo assim, todos os lances perigosos tinham a participação de De Bruyne. O meio-campista seguia acendendo o time no segundo tempo. Fez duas jogadas para Phil Foden e também deu um chute perigoso para fora. Entretanto, os celestes pareciam mais desatentos e mesmo a defesa se expunha. Assim, o Dortmund empatou com Reus. Ao menos, quando os Citizens despertaram no fim, De Bruyne teve com quem se associar.

O gol da vitória, aos 45 minutos, conta também com uma das principais características de Ilkay Gündogan. O volante vem sendo um dos melhores do time pela forma como aparece mais à frente para concluir as jogadas e, em uma de suas passagens, De Bruyne criou o tento. O belga cruzou com precisão e encontrou Gündogan nas costas de Thomas Meunier. Então, o alemão rolou para Phil Foden emendar às redes. A vitória se concretizava e a participação de De Bruyne era fundamental.

De Bruyne disputa sua quinta edição de Champions pelo Manchester City. Também é parte dos fracassos celestes na competição – embora tenha feito uma partidaça na queda contra o Tottenham, com direito a três assistências. Ainda assim, pela maneira como vem jogando e pela liberdade que desfruta no atual momento dos Citizens, pode ser mais preponderante à caminhada na competição. O jogo desta terça foi um sinal disso. O conjunto de Pep Guardiola esteve abaixo de seu potencial, mas não seu craque, que guiou os passos rumo à vitória. Mesmo que o reencontro na Alemanha possa guardar seus perigos, até pelos descuidos do City nesta ida, a semifinal se aproxima graças ao camisa 17.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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