Champions League

O City jogou para o gasto, mas, no fim, conseguiu confirmar a vitória que quase escapou diante do Dortmund

Não foi uma atuação tão dominante dos celestes em Manchester, com o Dortmund causando problemas e saindo vivo para o reencontro na Alemanha

Por ora, o Manchester City confirma o favoritismo e sai em vantagem nas quartas de final da Champions League. Os celestes cumpriram sua parte no Estádio Etihad e derrotaram o Borussia Dortmund por 2 a 1. Contudo, não foi a atuação mais brilhante do melhor time da Premier League no momento. De Bruyne elevou o nível da equipe, que abriu o placar explorando um erro, mas não demonstrou grande ambição para ampliar a diferença. O Dortmund, por sua vez, fez uma partida interessante mesmo com suas limitações. Causou problemas e equilibrou o duelo em diferentes momentos, ainda que a construção de seu gol tenha saído no fim. Só depois disso é que os Citizens confirmariam o triunfo, com o tento de Phil Foden aos 45 do segundo tempo. Mas, pelos prognósticos iniciais, parece um confronto mais aberto que o esperado para o reencontro na Alemanha.

Pep Guardiola mais uma vez confiou em sua formação com mobilidade e troca de posições na frente, sem um atacante fixo. Riyad Mahrez, Bernardo Silva, Kevin de Bruyne e Phil Foden formavam o quarteto, com a presença de Ilkay Gündogan e Rodri na cabeça de área. O Borussia Dortmund, por sua vez, seguia com o sentido desfalque de Jadon Sancho. E o técnico Edin Terzic fez apostas no seu 4-3-3. Mateu Morey era o lateral direito titular, com Thomas Meunier na reserva. Emre Can aparecia no meio, ao lado de Mahmoud Dahoud e Jude Bellingham. No ataque, a novidade era o garoto Ansgar Knauff, de 19 anos, que ainda não tinha disputado uma partida como titular ainda. Compunha o trio com Erling Braut Haaland e Marco Reus. O treinador mantinha no banco nomes bem mais badalados – como Julian Brandt, Thorgan Hazard e Giovani Reyna.

O início da partida não fugia muito do roteiro esperado. O Manchester City exibia mobilidade e se posicionava no campo ofensivo, pressionando a saída de bola do Dortmund. Os aurinegros tinham dificuldades para acertar sua transição e erravam passes. No entanto, a partir do momento em que escapavam da pressão, os alemães poderiam causar problemas. O BVB criou a primeira oportunidade aos sete minutos, num chute de Bellingham que Ederson espalmou. Parecia o caminho aos visitantes.

O Manchester City, por outro lado, exibia paciência. Os celestes nem aceleravam tanto e conseguiram inaugurar o placar sem esforço, aos 19. Emre Can errou um passe na intermediária. De Bruyne arrancou até a área e abriu com Bernardo Silva na esquerda. Ninguém completou o cruzamento rasteiro, mas Mahrez aproveitou do outro lado e rolou para o próprio De Bruyne definir. A falha custava caro aos alemães, com uma postura valente até então, mas que viram sua zaga desmontada na jogada fatal.

O gol não mudaria muito a postura do Dortmund, que deu um susto nos ingleses pouco depois. Rodri perdeu uma bola na entrada da área e o passe para Reus saiu muito esticado, com Ederson se antecipando. O City também apostava nos erros dos adversários e imaginou ter ganhado um pênalti aos 30, em disputa de Can contra Rodri. Porém, apesar da marcação inicial, o árbitro Ovidiu Hategan reviu o lance no monitor e corrigiu a decisão. Os Citizens rodavam a bola e empurraram o BVB ao redor de sua área. Quando os aurinegros recuperavam a posse, o desarme celeste era rápido. Rúben Dias ia muito bem no combate a Haaland.

O Dortmund voltaria a ameaçar aos 37, num erro de Ederson para afastar o perigo, mas o gol foi anulado. O juiz marcou uma solada de Bellingham para desarmar o goleiro, quando o meio-campista pegou primeiro a bola. O lance sequer pôde ser revisado pelo VAR, já que o apito soou antes que a bola entrasse. No fim do primeiro tempo, os aurinegros tentaram assumir mais a iniciativa e saíram ao ataque, rondando a área do City. Era uma postura valente da equipe, mas sem que o passe final saísse. Além disso, os ingleses não conseguiam contragolpear, com a recomposição rápida dos alemães.

Um tanto quanto eclipsado durante o primeiro tempo, Haaland quase empatou na volta ao segundo. O centroavante, enfim, conseguiu engatar a quinta marcha com o campo aberto e ganhou o corpo a corpo contra Rúben Dias. Tentou tirar a bola de Ederson, mas o goleiro saiu bem para abafar o chute. Os aurinegros pareciam mais acesos em busca do empate, com o City recuando. Os ingleses encontravam um pouco mais de escape pela direita, mas a zaga alemã se manteve a salvo.

Depois de dez minutos superiores do Dortmund, o City retomou o controle e esfriou um pouco os ânimos dos adversários. Gabriel Jesus logo estaria em campo, no lugar de Bernardo Silva. Enquanto isso, Reyna viria para o lugar de Knauff – que teve uma noite positiva, ainda mais para um estreante. O jogo seguiu aberto, com alternância de momentos. Reus ganhou uma falta frontal, mas seu chute parou na barreira. Já aos 20, De Bruyne puxou o lance pela direita e Foden finalizou com liberdade, mas o goleiro Marwin Hitz salvou com o pé. Até pelo favoritismo, os Citizens não tinham o domínio que se esperava. Porém, o BVB precisava converter o equilíbrio imposto por jogadas ofensivas melhores.

Apesar do alto nível do jogo, o ritmo cairia um pouco, até reacender graças a De Bruyne. O meio-campista (muitas vezes flutuando no ataque) seguia como principal responsável pelas jogadas do City e gerava um buraco na cabeça de área do Dortmund. Aos 30, o belga daria um chute perigoso para fora e logo depois passou a Foden, que atirou em cima de Hitz. Com os celestes mais contidos, os aurinegros não achavam os espaços e ficavam mais expostos aos contra-ataques. Terzic demorava demais para tentar algo diferente e acionar seu banco. As trocas só viriam aos 36, com Thomas Delaney e Thomas Meunier – mudanças sem alterar o esquema, tirando Morey e Dahoud.

O Dortmund precisava de um ataque. E conseguiu aos 39, com um empate que se sugeria excelente. Foi uma jogada muito bem construída pelos alemães, com méritos a Bellingham. O meio-campista mudou de direção e quebrou a marcação do City. Haaland também foi ótimo para se antecipar e receber a bola mais atrás, permitindo a infiltração de Reus. O centroavante virou garçom com um tapa perfeito de primeira e, após passar pelas costas de Kyle Walker, de frente com Ederson, Reus tirou do alcance do goleiro.

Se o Manchester City parecia um tanto quanto acomodado com a vantagem mínima, precisou acordar durante os minutos finais. Só então os celestes voltaram a pressionar de maneira sistemática, mas era a vez do Borussia Dortmund recuar um pouco mais e tentar levar o empate para casa. Os cruzamentos se tornavam mais frequentes. E a vitória inglesa seria permitida por quem mais pensava o jogo para a equipe. De Bruyne mandou um lindíssimo lançamento e Gündogan passou atrás de Meunier. O meio-campista dominou na linha de fundo e ajeitou para Foden definir o triunfo aos 45. Não haveria mais tempo para uma nova reação do BVB.

O resultado não é exatamente ruim ao Borussia Dortmund, mas deixa a impressão de que escapou pelos dedos. Para quem vinha de uma atuação ruim na Bundesliga, o time fez uma apresentação acima das expectativas na Inglaterra. Pagou por um erro no primeiro tempo, mas não se acuou e almejou o empate. O gol fora de casa, ao menos, permite que o triunfo por 1 a 0 seja suficiente no Signal Iduna Park. Para ser competitivo, no entanto, o BVB também dependeu de um jogo abaixo do City. E por mais que a vitória tenha vindo, a exibição morna dos celestes volta a levantar questionamentos sobre a real capacidade de conquistar a Champions. Não dá para repetir os descuidos na Alemanha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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