Champions League

O Atlético de Madrid deu uma exibição de como controlar o jogo na defesa e sem a bola

Guardiola gosta que seu time tenha a bola. É sua maneira de manter o controle, herança de Cruyff e dos tempos de Barcelona. Diego Simeone não faz tanta questão. Seu time defende-se tão perfeitamente que se dá ao luxo de ter o jogo na mão apenas reagindo e fechando o caminho ao seu goleiro. A tudo que o Bayern propôs, o Atlético de Madrid teve uma resposta, e com isso, graças também a um golaço de Saúl, saiu do Vicente Calderón com a vitória por 1 a 0 e a um passo de outra decisão da Champions League.

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O Bayern de Munique ficou com a bola. Sempre fica, desde que começou a ser treinado por Guardiola, mas o time da terceira temporada é um pouco diferente dos anteriores. Cozinha menos e agride mais. Tem Douglas Costa e Coman pelas pontas que buscam a linha de fundo, em contraste com as jogadas diagonais de Ribéry e Robben. Tem Vidal que chega na área com vitalidade, e não mais Schweinsteiger, cerebral. O que só reforça como 74% de posse de bola foi um número impressionante. Na Bundesliga, a média é de 67%.

Estatística tão exagerada, até mesmo para os padrões guardiolenses, indica que o Atlético de Madrid não quis nem discutir a posse de bola com o Bayern de Munique. Permitiu que os alemães ficassem com ela. Torres e Griezmann apertaram a saída, às vezes um pouco à frente do círculo central, às vezes um pouco atrás, mas sem desespero. Os outros oito jogadores nunca ficaram muito distantes. Havia intensidade, mas não pressa. A bola era roubada mais estrategicamente, encurralando os visitantes.

Bata o olho nos melhores momentos. Houve uma jogada de infiltração do Bayern de Munique, um toque rápido de Vidal para Lewandowski, que resultou em um chute cruzado. Os outros momentos em que o coração do torcedor palpitou mais rápido saíram de escanteios e bolas paradas ou em chutes de fora da área. Foram em uma bomba de Alaba no travessão e em um chutaço do chileno pela direita que o Bayern esteve mais próximo de marcar.

Isso apesar de ter trocado 614 passes certos contra apenas 159 do Atlético de Madrid. Quatro vezes mais. E, ainda assim, o time da casa foi mais perigoso. Abriu o placar em uma jogada maravilhosa de Saúl. Passou pro Saúl, driblou Bernat com um toque, Xabi Alonso com outro, sambou na frente de Alaba e tocou colocado no canto de Neuer. Um gol com assinatura de Lionel Messi para o jovem meia de 21 anos que parece gente grande em jogos decisivos.

Poderia ter matado a eliminatória em duas jogadas de contra-ataque. Um chutão caiu nos pés de Griezmann, pela direita. O francês venceu o marcador na corrida, chegou na cara Neuer, mas tocou fraco com a perna direita. Faltou ser um pouco mais ambidestro. No segundo tempo, ele arrancou e abriu com Torres na direita. El Niño deu um corte de primeira linha em Alaba e bateu com a parte de fora do pé. Um lindo lance, e desta vez, não faltou nada. Pura crueldade.

Melhor no ataque, melhor na defesa, moldando o jogo à sua vontade e mantendo o Bayern de Munique a uma distância segura, a posse de bola ficou com Guardiola, mas quem controlou o jogo foi Diego Simeone.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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